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Ler por aí

Ler por aí

20
Ago14

Young Adult, New Adult

Patrícia

Nunca esta moda dos YA me incomodou. Até que vi um vlog deuma miúda histérica a falar disto. Dizia ela, no alto dos seus 16 anos, que nãolia livros New Adult porque não estava preparada para ler sobre pessoas nuas esexo. Acho que eu não tinha ficado tão impressionada se ela tivesse dito istode uma forma normal e calma ao invés dos gritos histéricos que dava em frente àcâmara. Não vi o resto do vídeo nem subscrevi o canal da miúda mas fiquei apensar no assunto.

Parece-me que a principal diferença entre YA e NA é mesmo aidade dos protagonistas e o tipo de postura que estes têm. Nos YA osprotagonistas são adolescentes, puros e absolutamente inocentes, isentos detodo o mal, cheios de “valores” (pelo menos daqueles valores que todos os paisdesejam para os seus filhos). E de uma forma que eu não consigo entender háimensa gente a identificar-se com isto. Provavelmente este género só temsucesso porque, na sua maioria, é um sub-tipo do género Fantástico. Para mim,na verdade, este género é muito mais adolescente que outra coisa qualquer. Diriaque são livros para “+12” (e só não os considero para +6 porque “compensam” aausência de sexo com a presença exagerada de violência, coisa que me faz umbocadinho de "urticária". Mas vivemos no tempo do GTA e parece que se for violênciavirtual não faz mal.

Quando eu tinha 12 anos acho que teria adorado muitos destesYA (se bem que foi com 12 que li “Os filhos da droga” (livro recheado de sexo edroga que teve um enorme efeito pedagógico em mim) mas quando era YA -16/17?– as minhas leituras eram mais “As brumas de Avalon”, “O Salto mortal” e asmilhentas trilogias e sagas do Christian Jack. Ah e foi aos 17 que a minha mãe me ofereceu o "Os pilares da terra" (personagens reais e maravilhosas).

Mas nessa altura tínhamos classificações diferentes: infantis(Anita e companhia) Juvenis (Cinco, Nancy, Hardy, uma aventura, colégio dasquatro torres, Patrícia e afins). Tínhamos os clássicos versão juvenil e astrilogias tipo Daniela (uma miúda que queria ser educadora de infância),Cláudia (uma peste que se ia corrigir para um colégio interno e cujos pais setinham divorciado), Ana (do fiorde das Gaivotas na Noruega e que ao vir para acidade estudar era baby-sitter e ainda tricotava para sobreviver). Também nóstivemos a nossa dose de “isto é o que nós gostávamos que fossem: bonitas,trabalhadoras, com profissões femininas e que saibam tricotar”.

 Mas depois disso líamoso que tínhamos à mão e isso implicava ler um bocadinho de tudo: aos 12 li osclássicos portugueses (as pupilas do senhor reitor, a morgadinha dos canaviais - Júlio Dinis foi o verdadeiro pioneiro do YA....)e tudo o que encontrei sobre droga (Os filhos da droga e Viagem ao mundo dadroga), aos 14 li o maravilhoso “O conde de Monte Cristo” e aos 16 li àsescondidas o “Pássaros Feridos” só porque a minha prima me disse que “ainda nãoera para a minha idade” (frase perfeita para fazer alguém ler um livrocompulsivamente).
O que me incomoda nisto tudo é esta proliferação de estilos(que na realidade não o são) e que mais não são do que formas de limitar osescritores e os leitores.
Acho perfeito que existam livros sem sexo explícito e, jáagora, sem violência gratuita. Os pais agradecem e os miúdos têm o direito deir lendo e crescendo à sua medida. Acho ótimo que seja explícito que há livrospara +16 ou +18. Acho ótimo que haja livros com personagens nos liceus, livroscom personagens nas universidades, livros com personagens solteiros, casados,inteligentes, bons, maus, etc, etc.

Mas façam-me um grande favor: não estraguem a Fantasiatransformando-a numa treta de livros (viva o GoT, que por esta lógica declassificação deve ser considerado Old Adult o que deve significar +30 pelomenos), não tratem os jovens como atrasados mentais, não os encaixem numacaixinha e não estraguem a literatura usando-a para tentar fazer lavagenscerebrais aos miúdos (até porque não resulta).

 

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