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Ler por aí

Ler por aí

22
Abr18

Oathbringer, de Brandon Sanderson (Parte 3)

Patrícia

O par mais improvável deste livro é a Lift e a Nightblood, quer dizer a Lift e o Szeth. Bem, acordemos num trio improvável.

A gaiata continua a ser das minhas personagens favoritas. E continua a protagonizar alguns dos momentos mais divertidos do livro. E mais ternurentos.

A Lift é, até agora, a personagem mais pura deste livro. Apesar de ser uma ladra e de ter, provavelmente, um passado “complicado”. E à sua boa e retorcida maneira até a NightBlood reconhece isso. Acho que há ali futuro (um futuro assustador mas ainda assim um futuro).

Deste o início que, como leitora, compreendia as razões do Szeth, e por isso fiquei feliz quando ele se juntou aos SkyBreakers. De facto, não havia outra ordem de Knight Radiants para ele.

O processo pelo qual este personagem passou (chamemos-lhe crise de fé), tendo sido forçado a perceber que a oath stone era e sempre tinha sido apenas uma pedra é algo com o qual todos nós nos podemos rever. Quando somos forçados, nem que seja por nós mesmos, a questionar uma crença, a perder uma ilusão sentimo-nos, por mais ou menos tempo, vazios. Mesmo que seja um alívio e a conquista da liberdade. Por tudo isso ver o Szeth transferir a sua lealdade para com o Dalinar e dedicar-se, com a mesma dedicação com que o tentou matar, a protegê-lo não foi sequer uma grande surpresa. Todos nós sabíamos que, mais tarde ou mais cedo, o Szeth ia aterrar ao lado certo. Vê-lo com a Nightblood e a Lift, isso sim, foi uma surpresa.

Estes três personagens foram, no entanto, pouco explorados neste livro. E sim, eu li o Edgedancer e sei que a história de Lift e do seu pet voidbringer é contada aí. E também li o Warbraker onde conheci a Nightblood e a Azure Vivenna. Mas todos contamos com um livro a contar toda a história de Szeth Son-Son-Vallano, o assassino. Diz que será o quinto (a ver vamos).

 

Claro que um dos meus diálogos preferidos é aquele entre a Lift e Dalinar, quando ele enfrenta um exército com, apenas, um livro na mão (e que, esmiuçado, dá pano para mangas):

 

“Were you . . . thinkin’ you’d fight them all on your own?” Lift said. “With a book?”

“There is someone else for me to fight here.”

“. . . With a book?”

“Yes.”

She shook her head. “Sure, all right. Why not? What do you want me to do?”

The girl didn’t match the conventional ideal of a Knight Radiant. Not even five feet tall, thin and wiry, she looked more urchin than soldier.

She was also all he had.

“Do you have a weapon?” he asked.

“Nope. Can’t read.”

12
Abr18

Oathbringer, de Brandon Sanderson (Parte 2)

Patrícia

(haverá, neste post, spoiler aos livros Way of King, Words of Radiance e Oathbringer)

(continuaçao)

E falar no triângulo amoroso do momento implica falar do terceiro vértice, o Kaladin. 

200px-Kaladin_and_Syl.jpg

 

Uma das primeiras e mais marcantes cenas do Oathbringer é o regresso do Kal à casa dos pais. Apesar de ser um windrunner e do céu ser o seu lugar, o Kal não tem Stormlight suficiente para lá chegar antes da Everstorm. O encontro com os pais é super emocionante e finalmente ele pode partilhar com os pais o fardo da morte de Tien. Mas, em Hearthstone, o momento alto é o encontro com  com Roshone e o seu "That's was for my friend Moash". Pronto, este é o momento alto para os fãs do Kal. Mas o maravilhoso é a capacidade de superação, a força de carácter demonstrada, a seriedade e o compromisso para com os votos que fez.

 I will protect those who can't protect themselves

 

Na verdade todos sabemos que o Kaladin já praticava o segundo ideal muito antes de o dizer. O terceiro, o proteger mesmo aqueles que odeia é que foi desafiante. E ao longo deste livro isso fica muito, muito claro.

Uma das coisas mais fascinantes é que o autor, ao longo de todos estes livros, pega em algo que conhecemos ou julgamos conhecer, sobre o quais temos uma ideia formada e à custa de sofrimento e angustia, desconstrói tudo e obriga-nos a reavaliar as nossas posições.

A noção de Honra é-nos enraizada desde sempre. EmRoshar a Honra morreu. Restam apenas pequenos pedaços dispersos pelo mundo pelo que talvez a verdadeira imagem da Honra não seja ainda conhecida. Talvez não seja, nem de perto nem de longe, aquilo que esperamos. Mas uma coisa sabemos: a quebra de um juramento, de uma promessa - seja ela qual for - é suficiente para a matar (o que me leva a perguntar: que promessa foi necessária ser quebrada peloOdium e pelosListenners para matar o Almighty?).

O Nahel bond com uma Honorspren, tal como o que o Kal tem com a Syl, não suporta sequer a indecisão, a dúvida. Na verdade também não interessa o que é certo. Apenas importa o cumprimento da promessa feita. O espírito da promessa é muito menos importante que a letra da promessa.
Chega a ser angustiante ver a permanente dúvida sobre o que é certo. E como diz o Kal, aparentemente o certo é o que a Syl acha certo. Tenho a sensação que, algures no tempo, o Kal e a Syl vão ter ideias bem diferentes sobre o que é certo e errado e aí veremos quem cede e a que custo.

O momento, durante o cerco a Kolinar, em que o Kal se apercebe de que todos ali são inocentes, todos são seus amigos e que estão todos a morrer às mãos uns dos outros, é brutal. Acho que morri um bocadinho naquele momento. E, confesso, não morri de pena do Elhokar mas #FuckMoash pelo que aquele momento fez ao Kaladin.

A luta de Kaladin para dizer o quarto ideal e a coragem do autor de não o transformar no salvador da pátria em todos os livros foi um dos pontos positivos deste livro. Não acho que o Kal vá ser o primeiro a dizê-lo (aliás, acho que já há quem o tenha dito) nem acho que seja absolutamente necessário que o faça.

A bridge 4 continua a dar-nos alguns dos melhores momentos do livro e a deixar arcos com enorme potencial. Foi muito emotivo seguir a história do Teft  e o terceiro ideal dito por ele é de partir o coração(I will protect those I hate. Even if the one I hate most is myself), quero muito saber como raio o Rock conseguiu disparar aquele arco, acompanhar as meninas da equipa e continuar a rir-me com o The Lopen.

 

Life before death, strength before weakness, journey before pancakes

 

(e por falar em panquecas... temos que falar da Lift)

(Continua...)

10
Abr18

Oathbringer, de Brandon Sanderson

Patrícia

 

(haverá, neste post, spoiler aos livros Way of King, Words of Radiance e Oathbringer - esses spoiles estão previamente identificados)

oathbringer.jpg

 

The most important step a man can take. It's not the first one, is it?

it's the next one. Always the next step

 

Cada vez é mais dificil escrever sobre os livros desta série.

Na verdade tenho inveja de todos aqueles que ainda não leram este e os outros. Tenho inveja simplesmente porque ainda os podem ler pela primeira vez. E isso eu já não posso fazer.

Claro que ainda vou reler (provavelmente mais do que uma vez) este livro. E em cada releitura vou descobrir mais algumas peças do mundo que o Brandon Sanderson está a criar. Mas não vou tornar a ler sem saber o final, sem conhecer a proxima página.

Tenho inveja porque não vou voltar a sentir o choque de perceber que existe um épico escondido dentro de boa parte dos livros do Sanderson. Claro que ainda tenho muito, muito mesmo, para aprender sobre Cosmere. Mas a magia de perceber o que É Cosmere, já não vai acontecer.

Mas o meu conselho é: Gostam de fantasia? Então têm que ler Brandon Sanderson, têm que ler livros no universo de Cosmere. 

 

jouney before destination

 

Este não foi um livro de leitura compulsiva. Ainda bem. O caminho é tão importante como o destino. Queria, desde que comecei a ler este livro, saber o final. Tive que me controlar para não ir ler (muitos) spoilers. Ainda assim, esforcei-me para não devorar páginas, para aproveitar ao máximo cada hora passada a ouvir esta história. Li algumas partes, ouvi outras e, tantas vezes, li o ebook ao mesmo tempo que ouvi o audiobook. O ritmo de leitura foi lento e assim aproveitei para pensar, para processar as informações, para reflectir sobre tudo o o autor, de forma mais ou menos bruta, nos atirava à cara.

(SPOILERS)

A Shallan tornou-se uma das minhas personagens favoritas, como já vos tinha dito antes. Depois veio a conversa com o Wit (adoro, adoro o Wit) e a história (uma e outra vez) The Girl who Stood up e fiquei virada do avesso. Versão Brandon Sanderson de "You Know Nothing, Jon Snow" (coisa que foi, aliás, uma constante em todo o livro) num capítulo que é um tratado sobre aceitação, redenção, consequência, superação, dor, perda. Não me canso de ler e reler este capitulo. É absolutamente perfeito. Eu, confesso, sofri com a Shallan todo o tempo todo. Não faço a mínima ideia do que o autor vai fazer com este personagem nos próximos dois livros. Para já fiquei feliz com a resolução do triângulo amoroso (odeio triângulos amorosos - não há paciência!), ela escolheu, sem sombra de dúvida, o homem certo.

O que me leva a falar do Adolin. Depois do choque de ver o Adolin a assassinar o Sadeas, estava à espera que este livro fosse a queda em desgraça deste personagem. As minhas previsões eram que o Adolin, depois de ceder à vingança, cedesse à inveja (quem não escolheria o Kaladin Stormblessed, certo?) e se tornasse o instrumento perfeito - o campeão - do Odium. Errr, pois, afinal não foi exactamente isso que aconteceu. Não vou dizer-vos que adoro o Adolin (demasiado bonzinho para o meu gosto - ninguém é tão pouco ciumento assim, ok?) mas estou muito, muito interessada na sua relação com a Maya.

 

(Continua...)

 

20
Mar18

Precisamos falar sobre a Shallan

Patrícia

O seguinte texto contém spoilers para os livros Way of Kings, Words of Radiance e Oathbringer mas tenho mesmo que falar um bocadinho sobre isto.

 

 

 

No WoK os capítulos da Shallan eram os que menos me interessavam.  O livro Words of Radiance é, teoricamente, o livro da Shallan, onde conhecemos o seu passado, onde a sua relação com o Pattern é desenvolvida. Mas nem aí a Shallan me convenceu a 100%. Adoro o Pattern desde o primeiro minuto mas Shallan nem por isso. Claro que a Shallan lullaby ainda me dá arrepios (a minha versão favorita é o vídeo aí em cima) e naquela altura o meu interesse pela miúda subiu vertiginosamente (não sei o que isso diz de mim). A Shallan é responsável por alguns dos momentos mais divertidos destes livros (a conversa dela com o Adolin no restaurante ainda me dá vontade de rir) e é precisamente assim que o Oathbringer começa.

“No mating” será sempre uma expressão que me vai fazer dar uma gargalhada (já vos disse que adoro o Pattern?).

Confesso que não estava preparada para ficar ansiosa pelos capítulos da Shallan e para ela se tornar (destacada) a minha personagem favorita dos Stormlight Archives.

A profundidade que o autor deu a esta personagem é impressionante. Eu sofro com a Shallan. O meu coração fica apertado pelo sofrimento dela. A miúda vive com um pé (ou os dois) na loucura.

Não sei o suficiente sobre o transtorno dissociativo de personalidade para saber se está bem representado na personagem mas estou a aprender imenso.

A Veil e Radiant estão ambas conscientes da Shallan e esta de ambas mas estarão elas conscientes uma da outra?

Será a Shallan a personalidade dominante? Se sim, porque é que ela não se lembrava da infância? Para já (início da parte 2 do Oathbringer) inclino-me para a teoria de que a scholar Shallan que conhecemos do WoK ser a personalidade que a Shallan criança criou para sobreviver aos eventos que conhecemos no WoR. Ora isso leva-me a questionar quem é realmente a Shallan.

 

20
Nov17

Edgedancer, de Brandon Sanderson

Patrícia

Foi o próprio Brandon Sanderson quem me disse que tinha que antes de ler o Oathbringer, o terceiro volume da maravilhosa série de fantasia  The Sormlight Archive, deveria ler a novela Edgedancer. Calma, não tenho (infelizmente) linha directa para o senhor mas há uma nota do autor no início deste livro que diz isso mesmo. E eu fui por isso "obrigada" (uma chatice, convenhamos) a ir imediatamente comprar o Arcanum Unbounded, a colectânea de Short Stories (de Cosmere) que o senhor lançou no ano passado. Nesta colectânea estão pela primeira vez reunidas todas as novelas do universo Cosmere. Isso significa que aqui estão a novela gráfica White Sand e Edgedancer entre histórias que nos levarão de volta aos mundos de Mistborn e de Elantris.

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Uma vez que Edgedancer se passa entre os acontecimentos de Words of Radiance (WoR) e Oathbringer deve, para evitar spoilers e falta de informação, ser lido entre os dois. Além disso Edgedancer é "apenas" uma novela com uma das minhas personagens favoritas como protagonista: a doce, doida e maravilhosa Lift.

Quem já leu WoR deve ter-se apercebido que Lift é uma persoangem com futuro. Aliás, o autor já prometeu que será uma das personagens em destaque na segunda parte da saga dos Stormlight Archives (5+5 livros).

Nesta história acompanhamos a Lift (e o seu voidbringer de estimação) na sua transformação em Edgedancer, no percurso que a leva à proclamação das palavras que reforçam o laço existente entre ela e a spren. Ambos são deliciosos e super divertidos. É impossível não querer mimar aquela miúda, não sofrer com a sua solidão e não admirar a força necessária para fazer o que tem que ser feito, abraçar quem deve ser abraçado, mesmo (ou principalmente) quando isso custa muito.

Voltar a Roshar, acompanhar e compreender a queda de um deus na companhia de Lift é muito bom.

Até aqui, numa short story (há que entender o "short" na perspectiva do Sanderson, ok?), o autor é exímio no desenvolvimento das personagens.

As restantes histórias de Arcanum Unbounded ficam para mais tarde porque agora é tempo de rever o Kaladin e a Syl, o Dalinar, a Shallan e o Pattern e restante trupe em Oathbringer. 

 

22
Out17

Comprar um livro, sim ou não?

Patrícia

Depois de ter mergulhado pela segunda vez nos Stormlight Archives (desta vez com os 2 audiobooks de The Way of Kings e The Words of Radiance) e enquanto espero pelo Oathbringer (14 de Novembro) decidi que o Warbreaker será a minha próxima leitura do género. No site do autor encontrei um texto curioso. Pessoalmente concordo com ele e eu sou assim (não só comprei ambos os ebooks como ambos os audiobooks dos Stormlights e sei que ainda vou ter uma cópia física deles na minha estante - provavelmente uma edição de coleccionador em Inglês e certamente as edições portuguesas - se alguma vez saírem). Mas e vocês? Comprariam um livro que já leram apenas porque acham justo recompensar o escritor por ter escrito aquele livro?

 

A while back—June 2006—I started work on the novel which would follow my Mistborn trilogy. At the time, I noticed the work of Cory Doctorow, who releases all of his books on-line at the same time as the hardback comes out from Tor. At first, I thought this was insane. If you give it away for free, nobody will buy it!

Then, I spent some more time considering. Readers can ALREADY get their books for free; I went to the library often myself as a youth. And yet, I still bought books. I often bought the very books I’d checked out from the library, as I liked them so much I wanted to read them again and loan them out to others. What do I really believe? In resenting libraries and used bookstores because they share my books without any direct profit to me? Or, would I rather look at all of that as free publicity?

I’ve been kind of annoyed with how the RIAA has treated the MP3 explosion. I also realize that something Cory says is very true—my biggest challenge as an author is obscurity. I believe in my novels, and believe that if people read them, they will want to read and buy more of them. I believe that readers like to own books and, yes, even like to buy them specifically to support authors they want to write more books.

And so, I did something crazy. I went to Tor and asked if they’d be okay with me posting the entire version of Warbreaker AS I WROTE IT. Meaning, rough drafts. The early, early stuff which is filled with problems and errors. They thought I was crazy too (my agent STILL thinks this project is a bad move) but the more I thought about it, the more I wanted to do something that would involve and reward my readers. For those who are aspiring novelists, I wanted to show an early version of my work so they could follow its editing and progress. For those who are looking to try out my novels, I wanted to offer a free download. (Hoping that they would enjoy the book a great deal, then go on to purchase or check out ELANTRIS or my Mistborn books.)

So, that’s what this novel is. It WILL be published in hardcover by Tor. It’s not some old work I pulled out, dusted off, and offered for free. This book will be coming out in 2009 sometime. And, I’m offering it years ahead of publication here for you to read.

Part of me still worries that I take a huge hit in sales when this thing is released, as my readers will have read it ahead of time. Another part of me worries that new readers will see the flaws and the rough sections of the early drafts, then assume that the finished project will be inferior, and not ever bother to read any of my other books.

The stronger part of me still believes that this will make better publicity, and a better experience for my fans, and is well worth the risk. So, for better or worse, I present WARBREAKER.

17
Out16

Words of Radiance, de Brandon Sanderson

Patrícia

words of radiance.jpg

 

Algumas respostas, muitas perguntas. Algumas respostas a perguntas que nem sequer sabíamos que existiam.

Para quem já leu o The way of Kings só tenho uma coisa a dizer: You know nothing

A imaginação do autor não tem limites, é impressionante como neste segundo volume da saga épica temos a noção de que ainda estamos na parte de caracterização de personagens e de construção do mundo. (para quem leu o The way of kings: achavam que esta parte já tinha passado e que agora ia começar a coisa a sério, não era? Pois, também eu).

Uma vez mais não vou dar 5 estrelas a este volume e ao contrário do primeiro não ponho a hipótese de o fazer. Não por não ter gostado, que gostei. Muito. Mas porque este é um livro de transição. A genialidade da construção do mundo está no primeiro volume (apesar de algumas coisas muitooo importantes só se perceberem no final deste), a maioria dos personagens foram caracterizadas no primeiro volume (Kaladin, Dalinar, Shallan, Syl, Adolin) e aqui “apenas” desenvolvidas. Das novas personagens só se tem um “cheirinho” (como não amar a Lift, aquela pirralha maravilhosa, que acredita ter capturado um voidbringer e que tanto nos faz recordar a Vin? Ou como não esperar grandes coisas da Eshonai?).

E as batalhas são memoráveis, sim. Aquela luta entre o Kaladin e o Seth, em que passamos o tempo todo a desejar que nenhum seja magoado a sério. E os duelos do Adolin? Muito bons.

Regressar ao passado com a Shallan, ver crescer uma personagem como ela, é muito bom. Aliás, este formato, em que cada livro é mais focado numa personagem, mostrando-nos os porquê e os como é exemplificativo do “show, not tell” do autor. E apesar deste “truque” não ser novidade, é muito bem explorado por Brandon Sanderson. Afinal o presente mais não é do que a consequência do passado e é isso que o escritor nos passa grande parte do tempo a mostrar: o passado.

shallan.jpg

 E por falar na Shallan, devo dizer-vos que adoro o Pattern.

***alerta de mini-spoiler***

E, a todos os que leram o The Way of King e se apaixonaram pelo Kal, devo dizer-vos que passei grande parte deste livro com vontade de lhe bater. Com muita força. Homem irritante e burro que não aprende. A quantidade de asneiras que aquele homem faz ao longo destas páginas é impressionante. Tantas vezes que disse “A sério Kaladin? A SÉRIO???”

Acho, sinceramente, esta uma grande saga de fantasia. Do género que eu gosto. 

Depois do penúltimo “Como???” (eu digo muitos “como?”, “ãh?”, “não…” - e outras coisas que não posso escrever aqui- enquanto estou a ler estes livros) de The Way of Kings  comprei o ebook do segundo volume de Stormlight archives. Assim que acabei de ler um livro de 1283 páginas, comecei a ler um de 1093. Infelizmente vou ter muito que esperar pelos restantes volumes (o escritor vai a 78% do Stormlight 3).

Entretanto, enquanto espero que saia a continuação, vou querer ouvir os audiobooks, que parece que são muito bons.

09
Set16

The Way of Kings, de Brandon Sanderson

Patrícia

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Quase dois meses depois fechei o The Way of Kings com um misto de saudade e de vontade de pegar no Words of Radiance, o segundo volume destes The Stormlight Archive. Para todos os que me seguem no Twitter é óbvio que adorei este livro. Os que me seguem no Goodreads talvez tenham ficado surpreendidos quando dei "apenas" 4 estrelas a este The Way of Kings e não 5. Deixem-me começar este post por explicar isso. 4 estrelas significam a esperança que algum(s) dos 9 seguintes volumes da saga ainda seja melhor que este. Se não for, então prometo que vou lá alterar para as 5 estrelas.

 

A saga Stormlight Archives, que se diz ir ter 10 volumes, é do género fantasia épica e apresenta-nos mais um mundo (Roshar) de Cosmere, o Universo que está paulatinamente a ser criado Brandon Sanderson. Depois de ter ficado completamente agarrada com a série Mistborn (The final empire, The wall of ascencion e The Hero of ages) decidi (muito por culpa da Diana) começar a ler o The way of Kings e, subitamente, vi-me envolvida numa mega saga da fantasia épica (Cosmere) que ainda mal entendo mas que quero muito desvendar e conhecer. E eu, que prefiro livros adhoc ou na pior da hipóteses séries terminadas, vejo-me a ler e a fazer planos para ler livros de séries que mal estão começadas e a não me chatear nem um bocadinho com isso. E como já devem der percebido ando aqui a engonhar porque nem sei bem o que vos dizer acerca deste livro. Mas vamos lá...

 

Este primeiro volume apresenta-nos a Roshar, um mundo (que sim, também é protagonista) onde o poder está nas mãos de quem tem os olhos mais claros. É vários vezes discutida no livro a arbitrariedade da escolha de quem lidera.

Este é, sem dúvida, um livro de World Building, de construção de um mundo. Começamos por assistir ao momento em que 9 dos 10 heralds, no final de uma guerra (Desolation) contra os Voidbringer, se recusam a voltar para o Inferno lá do sítio (Damnation) quebrando um pacto antigo (the Oathpact).

 Os protagonistas deste livro são vários, Dalinar, Kaladin, Syl, Shallan, Jasnah, Szeth. É sobretudo pela voz e mão de Kaladin que somos guiados para este mundo e que começamos a compreender a estratificação desta sociedade onde a cor dos olhos é importante, as mulheres devem esconder a mão esquerda e onde ler ou escrever é apenas uma atividade feminina. Os sinais de alerta são tão gritantes que nem o mais tolo dos tolos consegue dizer que este é um livro que nada tem de real e que não levanta questões importantes e extremamente atuais. E ainda por cima fá-lo com uma história com personagens maravilhosos e interessantes e com magia.

Um Rei foi assassinado pelo Thruthless Szeth, os seus filhos e irmão vão vingar a sua morte nas Shattered Plains, numa guerra que mais parece um jogo entre nobres do que uma guerra que se pretende, efetivamente, ganhar. Dalinar (irmão do rei morto) vive na angustia de não perceber se as visões que tem durante as HighStorms são reais ou significam que está à beira da loucura. Kalinar e a sua mania de se manter afastado das Shardbades atiram-no para a escravatura. Jasnah, uma soulcaster, procura o verdadeiro significado para a morte do pai (o Rei Gavilar) e Shallan acaba por ir dar uma volta a Shadesmar sem saber bem como.

A verdade é que não faz qualquer sentido contar-vos esta história. Se vos agucei a curiosidade leiam o livro e depois podemos falar sobre ele. Não se assustem com o número de páginas. É muito mais fácil entrar neste mundo do que parece. Talvez faça sentido lerem primeiro outras coisas de Brandon Sanderson, talvez vos prepare melhor para estes Stormlight Archives. Há também imensos textos de apoio, explicações e ilustrações que podem encontrar por aí e que vos podem ajudar a situar-se na história. No final do vosso livro estão dicas, consultem-nas. Ao longo da história há mapas e ilustrações fundamentais.

Resta-me desejar-vos uma ótima aventura através de Roshar e deixar-vos uma imagem do prólogo. Cada capítulo começa com este género de frases, aparentemente sem uma grande ligação à história mas que, quando as percebemos, nos embrulha o estômago de uma maneira insuportável.

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18
Ago16

Mas o "The Way of kings" é sobre o quê?

Patrícia

There are four whom we watch. The first is the surgeon, forced to put aside healing to become a soldier in the most brutal war of our time. The second is the assassin, a murderer who weeps as he kills. The third is the liar, a young woman who wears a scholar’s mantle over the heart of a thief. The last is the highprince, a warlord whose eyes have opened to the past as his thirst for battle wanes.

 

Há quatro que vigiamos. O primeiro, o cirurgião, forçado a desistir de curar para se tornar um soldado na mais brutal guerra do nosso tempo. O segundo é o assassino, o que lamenta enquanto mata. O terceiro a mentirosa, uma jovem mulher que usa o manto dos estudiosos sobre o coração de uma ladra. O último, o príncipe, um senhor da guerra cujos olhos se abriram para o passado à medida que a sede pelas batalhas se desvaneceu. *

 

*tradução (minha) livre