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Ler por aí

Ler por aí

08
Jun19

Assassin's quest, de Robin Hobb (***SPOILERS***)

Patrícia

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Finalmente acabei uma das séries de fantasia mais amadas e aclamadas. Antes de começar a esmiuçar a minha opinião (e atenção que vai ter SPOILERS) deixem-me dizer-vos que a minha opinião resumida é um "gostei, mas...". 

Gostei mais do segundo e do terceiro livros que do primeiro. Para dizer a verdade, o segundo foi o meu favorito uma vez que o terceiro se arrastou muito no início.

Um dos pontos altos deste livro é a relação entre Fitz e Nighteyes. No início deste livro, Fitz regressa, relutantemente, ao seu próprio corpo mas o tempo em que partilhou a consciência do Lobo deixou marcas. Neste relação é muito bem explorado o que é ser "humano", o que nos separa (ou une) aos restantes animais. Toda a jornada de Fitz é acompanhada pelo nighteyes e a forma como este vai adquirindo características exclusivamente humanas está muito bem conseguida.

As novas personagens são extremamente interessantes mas confesso que senti falta das antigas. Para dizer a verdade estava à espera que o Chade morresse e até compreendo a necessidade de afastar o Burrich, deixar o Fitz crescer e enfrentar os seus próprios erros (e só deus sabe quantos erros o Fitz teve que cometer até acertar) mas senti-lhes a falta. E se o final do Burrich me agradou não posso dizer o mesmo do Chade.

Ainda não sei se as explicações sobre os red ships me convenceram completamente mas confesso que adorei a ideia dos elderlings. Talvez tenha sido demasiado fácil para o Fitz acordá-los (too much e nem sequer havia necessidade) mas o sacrifico do Verity deixou-me de coração apertado - fabuloso. 

Gostei muito da ideia - já antes explorada q.b mas que aqui tomou um lugar fundamental - do Catalyst e do White profet. Ter o Fitz (e não o Verity), o catalisador como protagonista foi um golpe de génio mas, caramba, não era necessário que o desgraçado falhasse tanto. Ao longo dos três livros, se pensarmos bem, Fitz teve pouquíssimas vitórias - escusava portanto de ter descoberto como acordar os elderlings de forma tão fácil e casual. Pessoalmente preferia que ele fosse tendo algumas vitórias pelo caminho.

Regal acabou por se tornar num verdadeiro vilão mas podia ter bastante mais consistência e nuances do que teve.

Kettle, Starling e Kettricken são todas maravilhosas à sua maneira. E o Fool, bem, o Fool continua a ser a minha personagem favorita. Foi maravilhoso vê-lo tornar-se um membro de pleno direito do pack do nighteyes e companhia.

 

07
Abr19

Royal Assassin, de Robin Hobb

Patrícia

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Depois de um início pouco auspicioso, porém com fé em quem me dizia que isto ia melhorar, aventurei-me no segundo volume da história de Fitz. E, confesso, este segundo volume conquistou-me. 

No início deste livro, Fitz está a recuperar da tentativa de assassinato e do sacrifício de Nosy. Está quebrado e é cedo que percebo que poucos escrevem a solidão e o medo de ter perdido tudo como a Robin Hobb. Não é propriamente a lealdade a Shrewd que o leva de volta a Buckkeep mas sim Molly e uma visão. Rapidamente se vê enredado nas intrigas da corte, continuando o seu trabalho como kingsman ao mesmo tempo que tem que ser o sempre foi para Patience, Burrich e Molly. 

Robin Hobb não nos deixa esquecer (e isso é de salientar) que, mesmo sendo tudo isto, Fitz é um miúdo. 

Acho que foi essa capacidade de escrever o que é ser humano que me conquistou. As personagens deste livro estão longe de ser perfeitas. Longe de ser boas ou más. Com excepção do Regal que, de facto, não se mostrou ainda minimamente humano (os maus desta fita ainda não me convenceram, apesar de já terem atingido o estatuto de vilões a sério), todos os outros são muito bem construídos. É difícil não sentir empatia com quem, apesar de ter tão boas intenções, comete tantos erros como aquele grupo.

Neste segundo volume deliciei-me com a magia Wit. Estabelecer um laço com um lobo? Adoro o Nighteyes e acima de tudo gosto deste meio termo a que a autora chegou: ela não deu ao lobo características humanas nem uma consciência humana - e isso é muito difícil de fazer tendo em consideração que o transformou numa personagem importante. Mas disto falaremos melhor quando escrever a opinião do terceiro livro.

O que não me convenceu (ainda) neste volume - e sei que é mais culpa deste meu feitio que da autora - é o romance entre a Molly e o Fitz. Chamem-me "coração de pedra"  mas não senti grande tristeza quando ela resolveu ir embora (e sim, eu percebi quem é esse ser que ela ama mais que tudo - não haverá quem não o perceba). A verdade é que a Molly merece muito mais que o Fitz. Merece mais que ser uma terceira escolha. Merece mais que passar uma vida inteira à espera que ele se digne a escolhê-la.  E merecia, acima de tudo, ser alvo da confiança dele. A moça subiu imenso na minha consideração quando se fartou e tomou as decisões que ele não tomou.

O Fool continua a ser a minha personagem preferida. E era sempre que ele aparecia que eu me emocionava. A dor, a dedicação, o sacrifício e sofrimento de quem vive para outro, para mitigar o sofrimento dos outros. Tanto nesta personagem pode servir para reflectirmos sobre a vida e morte. E, como "de sábios e de loucos, todos temos um pouco", é impossível não ter a convicção que ele é o mais sábio de todos.

Kettricken e Verity cresceram e tornaram-se nas personagens que espera. Ela é das mais interessantes personagens do livro, ele ainda não atingiu nem perto do seu potencial. Mas este é um romance que me agradou.

Como já disse antes, Regal tornou-se o vilão incontestado mas, para ser um grande vilão, precisava de não ter uma outra dimensão. Claro que isso é especialmente difícil porque estamos a ver sempre através dos olhos de Fitz. O problema dos livros na primeira pessoa é precisamente esse. Ainda assim, as cenas de tortura que ele protagonizou deixaram-me estarrecida. A forma como a escritora as escreveu, privilegiando as emoções às dores físicas, conseguindo transmitir toda a dor, abandono, desespero e desesperança que o Fitz sentiu foi magistral e elevou bastante as minhas expectativas para a terceira parte desta história (que não é trilogia nenhuma, é uma história dividida em três - ou mais, dependendo das edições - exactamente como o Senhor dos Anéis).

 

14
Mar19

The Assassin's Apprentice, de Robin Hobb

Patrícia

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FitzChivalry Farseer, bastardo de Chivalry, o príncipe herdeiro dos Six Duchies é entregue à família do pai aos 5 anos. Sem lugar na corte, acaba por crescer, sem nunca conhecer o pai (que acaba por abdicar do trono), aos cuidados de Burrich, o responsável pelos animais em Buckkeep. Um bastardo tem que encontrar o seu lugar. Mas não deixa de ser uma falha no plano, uma carta fora do baralho, que cria todo um leque de novas possibilidades.

"Do you think I keep you alive because I am so entranced with you? No. It is because you create so many possibilities. While you live you give us more choices. The more choices, the more chances to steer for calmer water. So it is not for your benefit, but for the Six Duchies that I preserve your life. And your duty is the same. To live so that you may continue to present possibilities.”

Este primeiro livro da série, conta-nos o crescimento de Fitz, o bastardo, como King's Man, como aprendiz de assassino, como ajudante de tratador de animais, como adolescente.

Não posso dizer que tenha sido o melhor livro de fantasia que li na vida. Não me foi difícil entrar na história mas foi complicado convencer-me a continuar - confesso que, de início, não me interessei muito pelo que andava Fitz a fazer mas sabendo a paixão que a Célia e a Carla tem por esta saga tinha mesmo que chegar ao fim. E senti muito a falta de um verdadeiro anti-herói, de um verdadeiro antagonista.

Tendo ouvido o audiobook, narrado por Paul Boehmer, fiquei bastante surpreendida quando, numa busca para perceber como raio se escreviam o nome dos personagens (tenho sempre este problema), percebi que este livro é de 1995. Nem imaginam como gostaria de ter lido este livro nessa altura - não só teria gostado muito mais como o teria lido inúmeras vezes (que é como os livros de fantasia devem ser livros) e nenhum dos seus segredos me teria passado ao lado.

Mas, não tendo sido o melhor dos livros de fantasia que já li, é um bom livro e tem um enorme potencial. 

(a partir de agora poderá haver alguns spoilers... nada que estrague a leitura mas sigam por vossa conta e risco)

 

Fitz, o nosso protagonista, conta-nos a sua história na primeira pessoa, o que significa que ao longo de todo o livro vemos os acontecimentos pelos olhos de miúdo. Às vezes vemos um bocadinho mais que ele (aquela mania de ser um King's man... vá, convenhamos que todos a percebemos quando o Verity contou ao Fitz o que Chiv tinha feito ao Galen quando eram miúdos) outras deixamo-nos enganar, sorrimos e sofremos com ele. Mas ainda não me "apaixonei" por esta personagem. Falta qualquer coisa nem vos sei explicar bem o quê. A personalidade dele ainda não está bem formada, as escolhas ainda não são bem dele e só no fim, mesmo no final deste livro, comecei a interessar-me pelas suas escolhas.

Mas gostei imenso de algumas das personagens deste Assassin's Apprentice.

Burrich ainda nos irá surpreender. É, desde o início, óbvio que também possui o talento para a ligação provocada pelo Wit e tem sido um bocadinho irritante por causa disso mas é daqueles que ainda vai aprender. E é, de facto, o pai do Fitz. Não o progenitor mas o pai.

Adoro a Lady Patience. Adoro. Deposito algumas fichas nela e no papel que ainda vai desempenhar.

E gosto muito do Verity. Ele e a Kettricken ainda vão provocar bons momentos de leitura. Da Molly e do Shrewd será inevitável falarmos nos próximos livros mas para já nem um nem outro me deixaram grande impressão.

O Galen desiludiu-me como vilão. Demasiado a preto e branco. A história do Chivalry com ele lá lhe deu alguma cor mas foi só de passagem. O Regal é, para já, apenas irritante e ainda terá que crescer muito para se tornar realmente o antagonista desta história (mas é ele a minha primeira aposta para o lugar) a não ser que apareça alguém verdadeiramente marcante nos Red-Ship (esta parte bem que podia ter sido um bocadinho mais desenvolvida mas lá chegaremos, não é?)

Já perceberam para quem vai o meu amor e entusiasmo nesta história, não é?

Pois, isto valeu pelo Fool e pelo Chade. Quem ou que género de criatura é o Fool? E o que vou sofrer quando o Chade morrer? Gosto tanto dele mas o mentor morre sempre... (ca nervos). 

Outro ponto forte do livro é o(s) sistema(s) de magia. Wit e Skill. Quero muito saber mais sobre ambas e se tivesse que escolher uma para mim, nem hesitava. Wit, obviamente. Ainda não recuperei do destino que Nosy e Smithy tiveram. Não se faz.