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Ler por aí

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30
Dez10

O terceiro Reich, de Roberto Bolaño

Patrícia


Udo Berger, que sempre quis ser um grande escritor, mas que tem de se conformar em ser o campeão de "jogos & estratégia de guerra em Stuttgart", decide ir ao Hotel del Mar, na Costa Brava catalã, com a sua nova namorada, Ingeborg (nome de uma das personagens de 2666). O objectivo é treinar-se para participar num novo jogo de estratégia, justamente Terceiro Reich, e preparar-se para ganhar um torneio internacional. Eles compartilham as suas férias com um outro casal alemão, Charlie e Hanna, até que o primeiro destes desaparece misteriosamente depois de se cruzar com dois sinistros personagens que também levantam suspeitas junto das autoridades locais: «O Lobo» e «O Cordeiro». Entretanto, Udo Berger é perseguido por um detective estranho e sombrio e, atormentado por essa perseguição sem sentido, acaba por entrar em delírio com a "paisagem surreal da Costa Brava". Tudo isto acontece quando entra num jogo de vida ou morte com um personagem enigmático e de rosto desfigurado, El Quemado. Uma autêntica sinfonia de literatura, política, divertimento surreal, absurdo. Gozo puro.


Uma autêntica sinfonia de literatura, política, divertimento surreal, absurdo. Gozo puro.

Bem, devo ser um bocadinho burra porque não percebi a parte da política nem do divertimento surreal ou do gozo puro. Para dizer a verdade nem a parte do absurdo.
também confesso que não tinha fumado coisas estranhas enquanto li este livro. Talvez se o tivesse feito toda a parte do surreal me tivesse sido apresentado de outra forma.
O livro não é mau. Mas quando um livro nos é apresentado como algo muito bom as expectativas são altas. Neste caso saíram goradas. 
A história é algo entre o simples e o estranho: Udo vai passar férias com a namorada para Espanha, para o mesmo hotel que frequentava enquanto criança. Para ele aquele tempo não será de férias propriamente ditas: ele vai preparar-se para um jogo e escrever uma série de artigos sobre esse mesmo jogo: o terceiro reich. No fundo aquilo pareceu-me ser uma espécie de "risco" temático uma vez que pretende "apenas" a conquista do mundo a partir do cenário da 2ª guerra mundial.
Udo e Ingeborg conhecem um outro casal alemão (Hanna e Charlie) e é a partir desta amizade que tudo acontece. Charlie torna-se amigo de dois espanhóis algo estranhos conhecidos na história como Lobo e Cordeiro. Udo por sua vez é atraído pelo "Queimado" que aluga gaivotas na praia. Para completar o cenário só falta apresentar a dona do hotel e o seu marido moribundo.
Quando Charlie desaparece e é dado como morto, Udo é o único que fica em Espanha à espera que o seu corpo apareça e ao mesmo tempo envolve-se numa partida do Terceiro Reich com o Queimado.
A partir daqui (sensivelmente a meio do livro) a história é-nos contada de uma forma algo absurda.
Se tivesse que qualificar o resto do livro diria que a história cresceu juntamente com a loucura do protagonista. O problema é que no fim fica apenas um "é só isto?" "a sério que esta coisa acaba assim?". Parece-me que fui levada a esperar muito, a esperar algo realmente diferente e senti-me completamente defraudada. É quase como se o génio do autor o tivesse  abandonado antes do fim.
Não sei, talvez ainda dê uma hipótese a "2666" mas temo que para mim fique a impressão deste Terceiro Reich e esta não foi das melhores.