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Ler por aí

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25
Abr14

Homens, Espadas e Tomates de Rainer Daehnhardt

Catarina
Há já algum tempo que este livro estava na minha lista de leitura, já me tinham falado dele, já o tinha visto na feira do livro embora nunca na altura certa ao preço certo, entretanto vi que um amigo no Goodreads o tinha e cravei-o emprestado.
O livro está dividido em duas partes, a primeira – Os Homens -  muito mais interessante com histórias de coragem dos homens portugueses na altura dos descobrimentos  e a segunda – As Armas -  com uma listagem das armas da época, um bocado secante (a quem emprestou o livro: tinhas razão).
Devo referir que tanto a introdução e dedicatória do autor como o prefácio do Arquitecto e Ten. Coronel do Exército Português Armando Canelhas  davam pano para mangas ou melhor para camisas inteiras: pátria, monarquia democracia, Deus, União Europeia, perda de soberania, perda da moeda... tudo em meia dúzia de páginas. Para mim o mais estranho foi ver um autor com um nome tão “estrangeiro” falar com tanta alegria e admiração da coragem do povo português.
Sobre o livro em si, este é uma exaltação à coragem dos portugueses que batalharam e ganharam em muitas situações em que estavam em desvantagem. Os “tomates” do título não são por isso os tomates da salada mas os de ter coragem e ousadia. É verdade que há coragem mas também me parece haver muita estupidez natural como a de D. Diogo de Anaia Coutinho que conseguiu capturar um mouro nas barbas do inimigo e levá-lo para o castelo e quando lá chegou viu que o capacete, que lhe tinha sido emprestado por um companheiro, tinha ficado no meio dos mouros. Atirou novamente uma corda por cima das ameias, desceu, correu para o meio dos inimigos, encontrou o  capacete, voltou a correr, subiu a corda e devolveu o capacete. Como já disse parece-me mais descontracção e estupidez natural que outra coisa ...
Mas temos de dar mérito aos nosso antigos tugas que para além de valentes já nessa altura tinham excelentes ideias. Quem se lembraria de fazer, com balas de canhão, o que se faz com pedras achatadas atiradas rente à superfície da água? Ricochete com balas de canhão, que chegavam mais longe e abriam buracos nas embarcações turcas mesmo junto à linha de água e que se afundavam bem rápido, era batalha naval de alto nível .
Temos também as nossas próprias “Inês da minha Alma”, Eyria Pereira, “mulher portuguesa que, solteira, se fez ao caminho da Índia em busca de aventura” e D. Maria Ursula d’Abreu e Lencastro que, com 18 anos, se alistou no exército como Balthasar de Couto Cardoso e serviu na Índia tendo combatido com valentia inúmeras batalhas. A vida destas mulheres dava com certeza um bom livro.
Vou ainda mencionar Duarte de Almeida, conhecido como o “Decepado” que, na batalha de Toro, ao empunhar o estandarte real ficou sem as duas mãos e continuou a segurar o estandarte com os  braços e os dentes até se capturado pelo inimigo nem o Black Night dos Monty Python teria feito melhor.
Depois temos o contraste em que o autor, com grande tristeza e verdade, nos diz que não sabemos preservar a nossa história. As cotas de malha usadas em batalhas foram cortadas para fazer esfregões e as armaduras reaproveitadas para tachos, panelas e espelhos de fechaduras. Há uma  fotografia na pág. 87 que nos mostra uma tampa de panela feita a partir de uma armadura e na legenda diz: “... A chapa fria, que outrora ouvia o bater do coração dum português, acaba por ouvir hoje o saltitar das batatas dum cozido. Triste fim!”
Na segunda parte do livro, sobre as armas, fiquei a saber que D. Sebastião mandou abrir vários túmulos incluindo o de D.Afonso Henriques e o D. Afonso V para retirar as espadas e levá-las na sua campanha de África. O resto já se sabe é história, perdeu-se D. Sebastião e perderam-se as espadas, ficou o país sem rei e sem herdeiro ao trono à mercê dos espanhóis.
Achei este livro muito interessante, nota-se que o autor adora a história de Portugal e o país e, por isso, talvez não seja imparcial na sua avaliação dos factos, não tirando qualquer mérito ao livro e aos portugueses que nos seus tempos áureos eram uns grandes malucos capazes de grandes feitos.
 
 

 

 

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