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Ler por aí

Ler por aí

31
Jul18

Por este mundo acima, de Patrícia Reis

Patrícia

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E quando o mundo muda de repente e a vida, tal como a conhecemos, deixa de existir, o que fazemos? Numa sociedade distópica ou pós-apocalíptica ou pós "acidente", é sobre o ser humano que a Patrícia Reis escreve. Pelo menos foi assim que eu li este livro.

É através de Eduardo que olhamos a cidade. Ele sobreviveu. Foi dos poucos. Os amigos, tanto quanto sabe, não sobreviveram. Como continuar assim? Como sobreviver sem família, sem amigos - família escolhida - sem trabalho, numa cidade desfeita, vazia de gente? Antes de encontrar o futuro, Eduardo procura o passado nas histórias dos amigos. E ainda descobre O livro. Aquele que, enquanto editor, gostava de editar. 

Li várias opiniões acerca deste livro. Acho que cada leitor o lê de forma ligeiramente diferente. Mesmo sendo um livro extremamente triste, que me deixou de alma apertada várias vezes ao longo da leitura, relembro esta como uma história de amizade, de esperança. Uma história de recomeço.

E gostei muito. Mesmo muito. Leiam. 

 

 

12
Mai17

O Silêncio de Deus, de Patrícia Reis

Patrícia

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Às vezes a solidão aos 30 é igual à solidão dos 60 ou dos 70. Às vezes há amizades que não parecem fazer muito sentido mas a verdadeira e mais interessante relação entre duas pessoas é quando ela acontece sem que haja preparação, escolha ou preconceito envolvido. Quando simplesmente acontece.

A sinopse deste livro diz

    Um livro sobre os livros e o exercício da escrita.

    Um escritor descobre que está a morrer.
    Uma jornalista tenta desvendá-lo.
    Ambos procuram a redenção.
    Encenam uma fuga à realidade.
    Três cidades: Lisboa, Jerusalém, Amesterdão.
    E ainda uma prostituta, um barman, um médico homeopata.
    A possibilidade da salvação e a procura da humanidade.
    As falhas de cada um. O passado como identidade. Um fado.
    Vários livros. Dor e consternação.
    No fim, sem medo, uma ideia melhor.

 

E, de facto, a solidão está presente em todas as personagens, em todas as páginas. E a procura de um sentido para a vida, no sentido mais restrito e particular do termo. O que faz de uma vida uma boa vida? Uma vida digna se ser vivida? Todos temos, em maior ou menor grau, o medo de chegar ao final do caminho, olhar para trás e não encontrar nada que realmente tenha valido a pena. Nada em que tenhamos deixado a nossa marca. E da mesma forma já olhámos para o vazio do futuro com medo, sem esperança.

Sara e Manuel, os dois protagonistas desta história são, à primeira vista muito diferentes, mas em ambos encontramos a mesma solidão, a mesma falta de esperança. E digo-vos já que me apeteceu, muitas vezes, abanar ambos. Mais a Sara, que o Manuel. Apesar de tudo compreendo-o melhor a ele que a ela. 

Este é um livro sobre sentimentos, decisões, momentos, escolhas. Sobre arrependimento. Sobre a possibilidade de nos reinventarmos.

Gostei muito e, ainda antes de terminar esta leitura, comprei o "Por este mundo acima"  que será, uma das minhas próximas leituras.

27
Out16

Contracorpo, de Patrícia Reis

Patrícia

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Às vezes questionamo-nos como é possível que um livro descreva tão bem coisas que sentimos e nunca conseguimos transmitir.

Às vezes perguntamo-nos como é possível que aquele escritor escreva sobre nós.

Às vezes transformamos em nosso um livro e torna-se difícil, ou mesmo impossível, opinar sobre ele.

Este é um daqueles livros em que isso me aconteceu e por isso ando há semanas a “engonhar”, a processá-lo na minha cabeça, assim meio esquecido, meio presente.

Quando acabo de ler um livro e tento pôr em palavras a minha opinião, a primeira coisa em que penso é no tema do livro, na mensagem que o escritor/a quis passar e se (eu acho que) o conseguiu fazer. Ora, de início, achei que obviamente este era um livro sobre o luto. Maria perde o marido, Pedro perde o pai e ambos têm que aprender a viver sobre isso. Depois torna-se óbvio que o livro fala sobre a maternidade, sobre a relação de uma mãe com o seu filho adolescente. Depois percebi que este livro é uma viagem de autoconhecimento, para ambos, mãe e filho.

Mas para mim, e provavelmente só para mim, este livro é sobre a transformação. Maria começa por ser a viúva, a mãe e precisa, sob pena de se perder definitivamente, de se transformar, acima de tudo, na mulher.

E o Pedro precisa de se encontrar, de se responsabilizar. Apesar de à sua volta todos julgarem todas as suas atitudes à luz daquela morte (a morte de um pai marca, muda e condiciona tudo), o Pedro tem consciência de que as suas atitudes são suas e que também ele se tem que libertar das desculpas, dos condicionamentos, assumir as suas responsabilidades e acima de tudo tomar decisões, fazer escolhas. Escolhas, é isso. Escolhas.

05
Ago16

A Gramática do Medo, de Maria Manuel Viana e Patrícia Reis

Patrícia

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"esta semana trocamos, fazes de mim e eu de ti"

Sara Santiago e Mariana Sampedro. Mariana e Sara. Duas mulheres que são o avesso uma da outra, a metade uma da outra. Iguais e diferentes. Tão diferentes quanto duas pessoas podem ser sendo iguais. 

Um livro a que preciso voltar. Páginas que preciso reler. É demasiado fácil dizer que é um livro sobre o medo, isso é óbvio pelo título. É demasiado redutor dizer que é um livro sobre a amizade ou sobre o amor, apesar de ser isso tudo. É óbvio que é um livro que enaltece as palavras, a literatura, que joga com a realidade e ficção (e como se diz às páginas tantas "cabe ao leito e espectador a terrível tarefa de discernir ficção e história"). 

Acho que é o tipo de livro que terá um significado diferente para cada leitor. Para mim é um livro sobre o auto-conhecimento. A procura e luta para nos (re)conhecermos. O quão nos castigamos por vezes e como nos iludimos. Sobre as várias partes de nós. A necessidade de morrer e voltar a nascer. A vida como circunferência e não como linha recta.

 

 Arrisquem. Leiam este livro. Falem sobre ele. Discutam as vossas interpretações do que aqui se conta. Há tanto para falar. Quando (antes da página 50) comecei a desenvolver uma teoria sobre o final, achei que me ia desiludir se "acertasse" mas a verdade é que, apesar de achar que acertei em cheio, não me desiludi nem um bocadinho, adorei todo este puzzle. E se já tinha decidido que queria ler tudo o que a Maria Manuel Viana escreveu, agora tenho que ler também tudo o que a Patrícia Reis escreveu. A  expectativa de ter tantos livros bons para ler é maravilhosa. 

Em Português e no Feminino escreve-se muito bem*.

 

"...agora sou eu quem te pede para de encontrares, se me encontrares, como eu preciso, posso salvar-nos e seremos um, entendes?"

* não por aqui, claro. Fico sempre com a sensação de que quanto mais gosto de um livro menos consigo transmitir isso. Por isso deixem-me resumir: Este livro é brutal (em vários sentidos). Leiam.

26
Jul16

O proibido é o mais apetecido. Qdo a censura tem o efeito contrário

Patrícia

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O Facebook, esse sítio onde o bom gosto e moral imperam, considerou que esta imagem atenta contra a moralidade e... censurou-a. Não vou fingir perceber o porquê disso ter acontecido mas, só porque me apetece, vou aproveitar a ocasião para fazer um bocadinho de publicidade ao livro que será o próximo a ser lido. 

Bem, na verdade, já o comecei a ler. Comprei-o ontem (em ebook, ficou a 9.99€) e não resisti e já li umas páginas. Não sei se já vos disse mas, deste que li o Teoria dos Limites decidi ler todos os livros da Maria Manuel Viana (ando com alguma dificuldade em encontrar à venda o "A paixão de Ana B", se alguém o tiver e se quiser desfazer do seu exemplar, avise-me, pf). Ler também algo da Patrícia Reis (escritora super recomendada pela Roda dos Livros) é um excelente bónus.