Ler por aí
 
22 de Abril de 2018

O par mais improvável deste livro é a Lift e a Nightblood, quer dizer a Lift e o Szeth. Bem, acordemos num trio improvável.

A gaiata continua a ser das minhas personagens favoritas. E continua a protagonizar alguns dos momentos mais divertidos do livro. E mais ternurentos.

A Lift é, até agora, a personagem mais pura deste livro. Apesar de ser uma ladra e de ter, provavelmente, um passado “complicado”. E à sua boa e retorcida maneira até a NightBlood reconhece isso. Acho que há ali futuro (um futuro assustador mas ainda assim um futuro).

Deste o início que, como leitora, compreendia as razões do Szeth, e por isso fiquei feliz quando ele se juntou aos SkyBreakers. De facto, não havia outra ordem de Knight Radiants para ele.

O processo pelo qual este personagem passou (chamemos-lhe crise de fé), tendo sido forçado a perceber que a oath stone era e sempre tinha sido apenas uma pedra é algo com o qual todos nós nos podemos rever. Quando somos forçados, nem que seja por nós mesmos, a questionar uma crença, a perder uma ilusão sentimo-nos, por mais ou menos tempo, vazios. Mesmo que seja um alívio e a conquista da liberdade. Por tudo isso ver o Szeth transferir a sua lealdade para com o Dalinar e dedicar-se, com a mesma dedicação com que o tentou matar, a protegê-lo não foi sequer uma grande surpresa. Todos nós sabíamos que, mais tarde ou mais cedo, o Szeth ia aterrar ao lado certo. Vê-lo com a Nightblood e a Lift, isso sim, foi uma surpresa.

Estes três personagens foram, no entanto, pouco explorados neste livro. E sim, eu li o Edgedancer e sei que a história de Lift e do seu pet voidbringer é contada aí. E também li o Warbraker onde conheci a Nightblood e a Azure Vivenna. Mas todos contamos com um livro a contar toda a história de Szeth Son-Son-Vallano, o assassino. Diz que será o quinto (a ver vamos).

 

Claro que um dos meus diálogos preferidos é aquele entre a Lift e Dalinar, quando ele enfrenta um exército com, apenas, um livro na mão (e que, esmiuçado, dá pano para mangas):

 

“Were you . . . thinkin’ you’d fight them all on your own?” Lift said. “With a book?”

“There is someone else for me to fight here.”

“. . . With a book?”

“Yes.”

She shook her head. “Sure, all right. Why not? What do you want me to do?”

The girl didn’t match the conventional ideal of a Knight Radiant. Not even five feet tall, thin and wiry, she looked more urchin than soldier.

She was also all he had.

“Do you have a weapon?” he asked.

“Nope. Can’t read.”

publicado por Patrícia às 15:48 link do post
12 de Abril de 2018

(haverá, neste post, spoiler aos livros Way of King, Words of Radiance e Oathbringer)

(continuaçao)

E falar no triângulo amoroso do momento implica falar do terceiro vértice, o Kaladin. 

200px-Kaladin_and_Syl.jpg

 

Uma das primeiras e mais marcantes cenas do Oathbringer é o regresso do Kal à casa dos pais. Apesar de ser um windrunner e do céu ser o seu lugar, o Kal não tem Stormlight suficiente para lá chegar antes da Everstorm. O encontro com os pais é super emocionante e finalmente ele pode partilhar com os pais o fardo da morte de Tien. Mas, em Hearthstone, o momento alto é o encontro com  com Roshone e o seu "That's was for my friend Moash". Pronto, este é o momento alto para os fãs do Kal. Mas o maravilhoso é a capacidade de superação, a força de carácter demonstrada, a seriedade e o compromisso para com os votos que fez.

 I will protect those who can't protect themselves

 

Na verdade todos sabemos que o Kaladin já praticava o segundo ideal muito antes de o dizer. O terceiro, o proteger mesmo aqueles que odeia é que foi desafiante. E ao longo deste livro isso fica muito, muito claro.

Uma das coisas mais fascinantes é que o autor, ao longo de todos estes livros, pega em algo que conhecemos ou julgamos conhecer, sobre o quais temos uma ideia formada e à custa de sofrimento e angustia, desconstrói tudo e obriga-nos a reavaliar as nossas posições.

A noção de Honra é-nos enraizada desde sempre. EmRoshar a Honra morreu. Restam apenas pequenos pedaços dispersos pelo mundo pelo que talvez a verdadeira imagem da Honra não seja ainda conhecida. Talvez não seja, nem de perto nem de longe, aquilo que esperamos. Mas uma coisa sabemos: a quebra de um juramento, de uma promessa - seja ela qual for - é suficiente para a matar (o que me leva a perguntar: que promessa foi necessária ser quebrada peloOdium e pelosListenners para matar o Almighty?).

O Nahel bond com uma Honorspren, tal como o que o Kal tem com a Syl, não suporta sequer a indecisão, a dúvida. Na verdade também não interessa o que é certo. Apenas importa o cumprimento da promessa feita. O espírito da promessa é muito menos importante que a letra da promessa.
Chega a ser angustiante ver a permanente dúvida sobre o que é certo. E como diz o Kal, aparentemente o certo é o que a Syl acha certo. Tenho a sensação que, algures no tempo, o Kal e a Syl vão ter ideias bem diferentes sobre o que é certo e errado e aí veremos quem cede e a que custo.

O momento, durante o cerco a Kolinar, em que o Kal se apercebe de que todos ali são inocentes, todos são seus amigos e que estão todos a morrer às mãos uns dos outros, é brutal. Acho que morri um bocadinho naquele momento. E, confesso, não morri de pena do Elhokar mas #FuckMoash pelo que aquele momento fez ao Kaladin.

A luta de Kaladin para dizer o quarto ideal e a coragem do autor de não o transformar no salvador da pátria em todos os livros foi um dos pontos positivos deste livro. Não acho que o Kal vá ser o primeiro a dizê-lo (aliás, acho que já há quem o tenha dito) nem acho que seja absolutamente necessário que o faça.

A bridge 4 continua a dar-nos alguns dos melhores momentos do livro e a deixar arcos com enorme potencial. Foi muito emotivo seguir a história do Teft  e o terceiro ideal dito por ele é de partir o coração(I will protect those I hate. Even if the one I hate most is myself), quero muito saber como raio o Rock conseguiu disparar aquele arco, acompanhar as meninas da equipa e continuar a rir-me com o The Lopen.

 

Life before death, strength before weakness, journey before pancakes

 

(e por falar em panquecas... temos que falar da Lift)

(Continua...)

publicado por Patrícia às 18:33 link do post
10 de Abril de 2018

 

(haverá, neste post, spoiler aos livros Way of King, Words of Radiance e Oathbringer - esses spoiles estão previamente identificados)

oathbringer.jpg

 

The most important step a man can take. It's not the first one, is it?

it's the next one. Always the next step

 

Cada vez é mais dificil escrever sobre os livros desta série.

Na verdade tenho inveja de todos aqueles que ainda não leram este e os outros. Tenho inveja simplesmente porque ainda os podem ler pela primeira vez. E isso eu já não posso fazer.

Claro que ainda vou reler (provavelmente mais do que uma vez) este livro. E em cada releitura vou descobrir mais algumas peças do mundo que o Brandon Sanderson está a criar. Mas não vou tornar a ler sem saber o final, sem conhecer a proxima página.

Tenho inveja porque não vou voltar a sentir o choque de perceber que existe um épico escondido dentro de boa parte dos livros do Sanderson. Claro que ainda tenho muito, muito mesmo, para aprender sobre Cosmere. Mas a magia de perceber o que É Cosmere, já não vai acontecer.

Mas o meu conselho é: Gostam de fantasia? Então têm que ler Brandon Sanderson, têm que ler livros no universo de Cosmere. 

 

jouney before destination

 

Este não foi um livro de leitura compulsiva. Ainda bem. O caminho é tão importante como o destino. Queria, desde que comecei a ler este livro, saber o final. Tive que me controlar para não ir ler (muitos) spoilers. Ainda assim, esforcei-me para não devorar páginas, para aproveitar ao máximo cada hora passada a ouvir esta história. Li algumas partes, ouvi outras e, tantas vezes, li o ebook ao mesmo tempo que ouvi o audiobook. O ritmo de leitura foi lento e assim aproveitei para pensar, para processar as informações, para reflectir sobre tudo o o autor, de forma mais ou menos bruta, nos atirava à cara.

(SPOILERS)

A Shallan tornou-se uma das minhas personagens favoritas, como já vos tinha dito antes. Depois veio a conversa com o Wit (adoro, adoro o Wit) e a história (uma e outra vez) The Girl who Stood up e fiquei virada do avesso. Versão Brandon Sanderson de "You Know Nothing, Jon Snow" (coisa que foi, aliás, uma constante em todo o livro) num capítulo que é um tratado sobre aceitação, redenção, consequência, superação, dor, perda. Não me canso de ler e reler este capitulo. É absolutamente perfeito. Eu, confesso, sofri com a Shallan todo o tempo todo. Não faço a mínima ideia do que o autor vai fazer com este personagem nos próximos dois livros. Para já fiquei feliz com a resolução do triângulo amoroso (odeio triângulos amorosos - não há paciência!), ela escolheu, sem sombra de dúvida, o homem certo.

O que me leva a falar do Adolin. Depois do choque de ver o Adolin a assassinar o Sadeas, estava à espera que este livro fosse a queda em desgraça deste personagem. As minhas previsões eram que o Adolin, depois de ceder à vingança, cedesse à inveja (quem não escolheria o Kaladin Stormblessed, certo?) e se tornasse o instrumento perfeito - o campeão - do Odium. Errr, pois, afinal não foi exactamente isso que aconteceu. Não vou dizer-vos que adoro o Adolin (demasiado bonzinho para o meu gosto - ninguém é tão pouco ciumento assim, ok?) mas estou muito, muito interessada na sua relação com a Maya.

 

(Continua...)

 

publicado por Patrícia às 22:53 link do post
20 de Março de 2018

O seguinte texto contém spoilers para os livros Way of Kings, Words of Radiance e Oathbringer mas tenho mesmo que falar um bocadinho sobre isto.

 

 

 

No WoK os capítulos da Shallan eram os que menos me interessavam.  O livro Words of Radiance é, teoricamente, o livro da Shallan, onde conhecemos o seu passado, onde a sua relação com o Pattern é desenvolvida. Mas nem aí a Shallan me convenceu a 100%. Adoro o Pattern desde o primeiro minuto mas Shallan nem por isso. Claro que a Shallan lullaby ainda me dá arrepios (a minha versão favorita é o vídeo aí em cima) e naquela altura o meu interesse pela miúda subiu vertiginosamente (não sei o que isso diz de mim). A Shallan é responsável por alguns dos momentos mais divertidos destes livros (a conversa dela com o Adolin no restaurante ainda me dá vontade de rir) e é precisamente assim que o Oathbringer começa.

“No mating” será sempre uma expressão que me vai fazer dar uma gargalhada (já vos disse que adoro o Pattern?).

Confesso que não estava preparada para ficar ansiosa pelos capítulos da Shallan e para ela se tornar (destacada) a minha personagem favorita dos Stormlight Archives.

A profundidade que o autor deu a esta personagem é impressionante. Eu sofro com a Shallan. O meu coração fica apertado pelo sofrimento dela. A miúda vive com um pé (ou os dois) na loucura.

Não sei o suficiente sobre o transtorno dissociativo de personalidade para saber se está bem representado na personagem mas estou a aprender imenso.

A Veil e Radiant estão ambas conscientes da Shallan e esta de ambas mas estarão elas conscientes uma da outra?

Será a Shallan a personalidade dominante? Se sim, porque é que ela não se lembrava da infância? Para já (início da parte 2 do Oathbringer) inclino-me para a teoria de que a scholar Shallan que conhecemos do WoK ser a personalidade que a Shallan criança criou para sobreviver aos eventos que conhecemos no WoR. Ora isso leva-me a questionar quem é realmente a Shallan.

 

publicado por Patrícia às 12:18 link do post
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