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Ler por aí

Ler por aí

12
Fev18

Pecados Santos, de Nuno Nepomuceno

Patrícia

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 Nuno, 

Já tive oportunidade de te dizer: isto não se faz. Não se constrói um personagem, não se lhe dá vida, cor, voz e depois deixa que isto lhe aconteça. Ao longo das páginas dos livros de um escritor vamos criando expectativas, sabemos com o que contamos e sabemos que os heróis têm determinadas características e sobrevivem, tal como sabemos que determinado escritor é mais ou menos sádico com os seus personagens. E tu não és assim, ok? Tu não matas indiscriminadamente desta forma. Arre...

 

O professor Catalão bem tenta fugir das confusões do presente e dos acontecimentos traumáticos do passado mas, como acontece regularmente nas histórias que valem a pena ser contadas, nem sempre isso é possível.

Uma mulher do passado de Afonso pede-lhe ajuda para inocentar o filho que está preso em Londres como suspeito pela morte do rabino Samuel. Diana, em Lisboa, investiga uma morte e tenta provar a sua ligação com a morte em Londres. Bem, na verdade quem está encarregue da investigação é Alexandre, o já nosso conhecido inspector da judiciária e Alice, uma fascinante psicóloga criminal que é chamada para dar uma ajuda. 

Um thriller religioso. Mais um livro do Nuno Nepomuceno, que já nos habituou ao seu estilo e às suas personagens. Afonso Catalão, que não é bem um herói, que não o pretende ser, continua a dar-nos lições sobre as religiões do livro. No A célula adormecida, o Islamismo estava no centro da trama. Aqui, neste Pecados Santos, é o Judaísmo a religião central. 

Vocês já sabem que gosto sempre dos livros do Nuno e este não é excepção. Aliás, a verdade é que tenho gostado cada vez mais dos livros dele. O tema ajuda, gosto especialmente de thrillers religiosos e interesso-me mais pelo judaísmo que pelo islamismo. Este é um livro que se lê muito rápido, queremos saber sempre o que vai acontecer, porque vai acontecer. Gostei especialmente de duas coisas neste livro. Gostei de ver um certo acontecimento visto pelos olhos de duas personagens diferentes e gostei do final. Posso ainda não ter perdoado o autor por esse mesmo final... mas gostei bastante. 

06
Dez16

Apresentação de "A célula adormecida", de Nuno Nepomuceno

Patrícia

A célula adormecida.jpg

 

Amigos reunidos para celebrar o sucesso do 4º livro do Nuno. Acho que acima de tudo foi isso. O orgulho e a amizade (mais ou menos ruídosa) eram os sentimentos que sentiam por ali.

Os discursos habituais tiveram, como sempre, a marca do Nuno. A humildade e simpatia que o caracterizam cada vez mais acompanhados por uma confiança que só lhe fica bem.

Tenho que destacar as palavras do Sheikh Munir, cuja presença foi, do meu ponto de vista, o maior dos elogios a este livro e a este autor. Foi muito especial estar ali, a ouvir aquele homem, que transmite confiança, simplicidade e paz em cada palavra.

Nuno, uma vez mais, desejo o maior dos sucessos ao "A célula adormecida", que não fique pela segunda edição. E claro, vou ficar à espera do próximo livro.  

 

Deixo apenas uma foto, tirada com o telemóvel antes da apresentação começar... Daqui a uns dias logo vos mostro as fotos a sério tiradas pelo Gil Cardoso.

Nuno Nepumoceno 1.jpg

 

 

 

 

 

13
Nov16

A célula adormecida, de Nuno Nepomuceno

Patrícia

 

A célula adormecida.jpg

Caríssimo Nuno, desculpa lá, mas tinhas mesmo, mesmo que fazer isso? Estou farta de te dizer que te acho "demasiado boa pessoa" mas depois de ler este livro, vou repensar essa opinião. Já te insultei em pensamento (não se faz, Nuno, não se faz) e até já to disse (mais ou menos pessoalmente) mas agora fica aqui o meu protesto, oficial. 

 

Depois da Trilogia Freelancer, em que nos apresentou um herói a que chamei carinhosamente "pseudo-totó", o escritor trouxe-nos um protagonista (dificilmente se lhe poderá chamar herói) muito mais complexo que, apesar de ainda manter um lado dócil e amoroso (acho que essa é uma característica do Nuno Nepomuceno e é a parte dele que empresta sempre aos seus personagens), vive atormentado pelo passado e pelas suas próprias decisões. Assim é Afonso Catalão, um homem que só no finalzinho deste livro se dá verdadeiramente a conhecer. Diana, uma jornalista com quem, definitivamente não me quereria cruzar nas estradas de Lisboa (detesto chico-espertos ao volante), é uma personagem apenas um pouco menos interessante que Afonso, mas a verdade é que passei mais de metade do livro com vontade de esbofetear esta palerma.

Depois há personagens com quem criei empatia imediata.  Por vezes, personagens com quem o autor não é nada simpático...

Dois acontecimentos dão o pontapé de saída para esta história. Na noite das eleições legislativas, futuro primeiro-ministro de Portugal é encontrado morto. Constança, a viúva, insiste que se trata de homicídio e não de um suicídio como parece à primeira vista. No parque Eduardo VII a bandeira Portuguesa é substituída pela do Daesh ao mesmo tempo que um ataque suicida acontece em pleno Marquês de Pombal.

Se e como os acontecimentos estão relacionados é aquilo que os leitores do "A célula adormecida" irão descobrir.

Um dos grandes dramas deste tipo de livro é a necessidade de "impingir" ao leitor uma enorme quantidade de informação, sem que isso pareça falso, deslocado ou simplesmente pedante. Consegui não revirar os olhos nestas partes (coisa que costumo fazer neste tipo de livro que me dá muita informação que já conheço e onde é uma seca procurar a parte que não sei) e admito que achei bastante interessante toda a informação sobre a religião muçulmana. Uma chamada de atenção para as ultimas páginas do livro onde o autor nos fala do que é verídico e do que é romanceado ou adaptado por questões literárias (é sempre das partes que mais gosto).

Gostei de ler este livro, de perceber a evolução do Nuno, quer no tipo de personagens, quer na transmissão de informação em massa e destaco, acima de tudo, a seriedade e o respeito com que (sei que) o Nuno trata de todos estes assuntos, sensíveis e tão atuais.

04
Jan16

Freelancer #3 : Hora Solene, de Nuno Nepomuceno

Patrícia

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 E assim chega ao fim a aventura de André Marques-Smith, o espião Português, ao serviço da Cadmo, uma agência semi-governamental de terras de sua Magestade. Pela mão de Nuno Nepomuceno, as vidas entrelaçam-se, separam-se e ficamos finalmente a conhecer o destino de todos os que nos acompanharam ao longo de tantas páginas. E chegou a hora de saber o que prepara a Ice Lady, de que lado está afinal o espião que já mudou de lado umas 3 vezes e de saber se André conseguirá chegar ao fim da missão mais importante da sua vida.

Como já nos habituou, o escritor leva-nos, nesta Hora Solene, a conhecer várias cidades por esse mundo fora, faz-nos sofrer com o Andre, sorrir com o Kimi e com o Tommy, tirar o chapéu à Anna, rir com o Armand e torcer pela Sara (espera ouvir falar mais da Sara neste terceiro volume).

Obviamente não vos vou contar a história, leiam os livros, divirtam-se. Eu diverti-me. Tal como me diverti a ler o primeiro volume. O meu coração não parou tantas vezes como parou no segundo mas estive todo o livro à espera de ver quem ia o Nuno matar. E ele matou. Não quem eu estava  pensar. Mas matou.

 

Podem conhecer um bocadinho mais do Nuno Nepomuceno aqui. Ou melhor ainda, podem comprar e ler os seus livros.

 

 

 

07
Dez15

A Hora Solene, de Nuno Nepomuceno

Patrícia

Depois de o "O Espião Português" e "A espia do Oriente" chega "A Hora Solene", o final da trilogia Freelancer do Nuno Nepomuceno.

Não costumo ir a muitas apresentações de livros mas quero deixar de ir à de amanhã onde a Sofia e a Vera vão apresentar o desfecho desta história. Apesar de o ter comprado assim que foi posto à venda ainda não o li porque temo nunca mais falar ao Nuno. Tento em conta o que ele tem feito ao André, que é um querido, e à bad China Girl (my favourite), teme-se o pior.... Pronto, a verdade é que só ainda não o li por causa desta minha mania de não ler mais do que livro ao mesmo tempo e porque sei que este é o tipo de livro que vou querer ler de um assentada. 

Acho que neste livro a Sara vai ser das protagonistas. E acho que alguém importante vai morrer. Será que estou certa?

Para já, desejo ao Nuno toda a sorte com este livro e deixo-vos o trailer do livro.

Encontramo-nos amanhã na apresentação?

 

07
Jul15

Desassossego da Liberdade

Patrícia


A Sofia tevea certeza que havia por aí quem fosse “…umlivro em branco que, afinal, se encontrava cheio de histórias” e vencendoobstáculos (leiam nas palavras dela), conseguiu trazer-nos este livro cheio deliberdade. Tanta gente diferente que se juntou para sonhar este livro queconseguiu proporcionar-me bons momentos.

Também paramim é difícil falar destes contos, conheço-lhes a voz e os sorrisos e opinarapenas pelas palavras torna-se redutor e impossível.

Não vos digoque gostei de igual forma de todos os contos mas gostei de muitos, quase todos.E alguns vou reler muitas vezes, vou deixar-me desassossegar vezes sem conta,num “somatório de pequenos instantes que,de tão pequenos, se parecem o mesmo”.

Claro quesinto um carinho muito especial, um orgulho imenso ao ler as páginas do “Tempovazio” da Márcia. É sempre bom ver sonhos tornados realidade, é sempre bom vero orgulho e a coragem estampados na face de uma amiga. E dá vontade dizer queum dia hei-de procurar entre os meus livros, revirar e desarrumar tudo. E vê-lo-eiaparecer. O teu livro. Com o teu nome da capa.

A todos, semexceção, os meus Parabéns. Sinceramente, gostei J
29
Mai15

O Espião Português + A Espia do Oriente, de Nuno Nepomuceno

Patrícia

André é um pseudo-totó que passa a vida a ter acidentes estranhos, a adoecer nos momentos menos próprios, a dar quedas da bicicleta e a ficar entalado em portões. Para além disso é o super-competente director do departamento de comunicação do Ministério dos Negócios Estrangeiros e o braço direito do Ministro. Tem um cão que lhe desobedece todos os dias (e só por isso tem a minha total solidariedade) e não sabe escolher as mulheres certas. Ah e é espião (o que explica a primeira frase deste post). É impossível não gostar do André (e do Kimi, claro). E a China Girl é uma Bad Girl que rapidamente nos conquista.  E nada nem ninguém é o que parece. 
O Espião Português e a Espia do Oriente são dois livros de uma trilogia escrita pelo Nuno Nepomuceno, um simpático escritor considerado uma promessa neste género tão pouco valorizado (e editado) em Portugal.
E devo dizer-vos que estes livros me surpreenderam e conquistaram. É tão bom, de vez em quando, ler algo mais leve, de leitura compulsiva e que nos deixa de bom humor.
Mas atenção, posso considerá-los uma "leitura leve" mas considero-os, acima de tudo, muito pensados e bem estruturados. Posso enganar-me mas acho que o Nuno sabe, desde a primeira página, o que vai acontecer a cada um dos personagens. Nota-se que nada é por acaso, que cada acção dos personagens tem uma razão de ser e que, mais tarde ou mais cedo, vamos saber porque é que aconteceu. E eu gostei imenso disso. Gosto de me deixar enredar numa história, de caminhar (ou correr) lado a lado com o André e com a China Girl.
E só tenho pena de não ter o terceiro volume para saber (já) como vai acabar esta história. É que ainda por cima o Nuno Nepumoceno não teve complacência com os leitores e deixou-nos um bocadinho lixados nas últimas páginas do segundo volume. 

Foi uma excelente estreia mas agora as expectativas estão mais altas e depois de se ter visto uma boa evolução do primeiro para o segundo volume, espero que o terceiro ainda seja melhor e que o Nuno se torne uma referência neste género literário... (depois daquele final, Nuno, não mereces menos que um bocadinho de "pressão" da parte dos leitores, certo? :) )

(Na foto, o modelo que faz companhia à espia é o ZéGato, o gato mais maravilhoso do mundo)