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Ler por aí

Ler por aí

19
Fev20

A Morte do Papa, de Nuno Nepomuceno

Patrícia

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Um capítulo, no início, conquistou-me logo e pôs a fasquia bem alta para este livro. É o da discussão de Mateus I, em jovem, no seminário. Não muito habitual nos livros policiais, dá um mote interessante e levanta várias questões, nas quais vale a pena reflectir, principalmente numa altura em que a igreja católica passa por uma crise da qual será muito difícil recuperar.

O Nuno Nepomuceno dá-nos, através da história de Mateus I, a sua explicação para a surpreendente morte de João Paulo I, no 33º (ou não) dia do seu papado. Ao mesmo tempo conduz-nos numa labiríntica busca pela verdade acerca do misterioso desaparecimento de uma menina, a Gabriella, através da investigação de um jornalista da rádio do Vaticano. Ao mesmo tempo, Diana, envolve Afonso em actividades ilícitas...

Gostei bastante deste novo livro do Nuno que li num instante e que, apesar de ter sido lido há já algumas semanas, continua bem presente. 

Uma das coisas que tenho que ressalvar é que, apesar desta história ser a quarta da série "Afonso Catalão", o Nuno não faz dele o seu protagonista (já não o fez no livro anterior), nem cai no (para mim) erro de o transformar num super herói sempre pronto para "salvar o dia" ou para mais uma mulher. Sim, o Afonso continua a ser uma personagem importante, com um passado que lhe permite os conhecimentos necessários para se safar de algumas situações, mas ele não é, de todo, o protagonista deste livro. Além disso, Afonso parece ser aqui, um elemento de continuidade e de aproximação aos outros livros do escritor.  Eu, que me irrito solenemente com os protagonistas "sabichões" e "com passado em branco", gosto desta característica do Afonso Catalão, que muito contribui para dar às personagens destes livros  profundidade e vários tons. Não posso deixar de referir também a tristeza e a dor que senti nas descrições das visitas do Afonso ao Imã Yusef. (Obrigada Nuno, por teres incluído estes bocadinhos).

Depois podem descobrir alguns pormenores que o Nuno optou por deixar de fora do seu livro nos vários contos. Dois deles (O Assassino na noite e O beijo do escorpião) foram disponibilizados pelo na página web dedicada ao livro e os restantes (Dor, Ira e Raiva) foram oferecidos a que comprou o livro em pré-venda. Actualmente, os 5 contos, fazem parte da colecção "Histórias do bem e do mal" que pode ser adquirido.

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11
Jan20

A Morte do Papa, de Nuno Nepomuceno

Patrícia

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O Nuno tem um novo livro. Um Thriller religioso chamado "A morte do papa". É já dia 17 que todos vamos poder ler.

Para nos ir aguçando a curiosidade o autor preparou-nos uma série de surpresas. Para já um mini-livro, que está disponível nas livrarias Fnac  e que tem o (acho) primeiro capítulo do livro. 

Para além disso, criou um site  http://amortedopapa.com/ onde podemos descarregar gratuitamente dois contos:

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Além disso, quem comprar em pré-venda o livro "A morte do Papa" recebe mais 3 contos extra.

Eu já tenho os meus 2 contos, depois venho cá contar-vos o que achei.

 

 

 

 

 

29
Jan19

A última ceia, de Nuno Nepomuceno

Patrícia

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A frase de Pablo Picasso "Os maus artistas copiam. Os bons roubam" ganha toda uma outra dimensão assim que percebemos a ousadia do autor que decidiu roubar um quadro. 

Eu sei que isto não é uma trilogia (pelo menos é o que o Nuno diz) mas a minha expectativa era que este livro se debruçasse na terceira "religião do livro" , o Cristianismo, uma vez que do Islamismo o autor tinha tratado no "A célula adormecida" e  do Judaísmo no "Pecados Santos". Ora, como iria o Nuno fazer isso era algo que me deixava na expectativa uma vez que o que não falta por aí são thrillers baseados em teorias, dos mais diversos géneros, relativas às personagens mais marcantes do Cristianismo. E o Nuno resolveu... roubar um quadro. Claro que não podia ser um quadro qualquer, ele tinha que escolher logo o "A última ceia".

Como leitora, impressionou-me a pesquisa que, uma vez mais, se torna visível a cada página. E a forma como toda essa informação nos é transmitida, sem nos maçar, nem nos aborrecer. Não conhecendo muito de arte (nem da comum quanto mais da sacra) agradeci o que aprendi e que essa ignorância não me impedisse de apreciar o decorrer da história.

Este é um livro diferente dos anteriores. Não é tanto o "quem" mas sim o "como" e o "porquê" que nos levam a ler página após página. 

A sinopse prometia-nos um romance. E um assalto. E uma história que não nos deixasse pôr este livro de lado. Claro que, quando começamos a ler um livro destes, estamos conscientes que vamos ser enganados. E depois do que o Nuno fez no "Pecados Santos", eu já não confio nas personagens criadas por ele (desculpa Nuno mas é verdade) pelo que estou de pé atrás a cada momento. 

O autor não roubou apenas um quadro (ou três, sequer). Como podemos ver pelas notas finais (que são, como o Nuno me disse, "como o nome indica, para ler no fim e não no início") também roubou vários acontecimentos à realidade. E isso fez-me olhar para determinados acontecimentos com outros olhos (a verdade é que não há ficção literária que bata a realidade). 

Eu sei que não vos falei da história, não é? Mas a verdade é que não vos quero estragar o prazer da leitura deste livro.

Uma nota final para um reencontro. O Afonso Catalão, apesar de não ser protagonista desta história, tem um papel aqui. E o Afonso é o meu personagem favorito de todos os livros do Nuno. Foi bom, muito bom, ver como ele (e a Diana) reagiram aos acontecimentos do livro "Pecados Santos". Uma das coisas que me irrita sobremaneira neste género de livros é que, na maioria das vezes, os acontecimentos passados, sejam ou não traumáticos, ficam no passado assim que são "resolvidos". Felizmente isso não acontece aqui. O Afonso está nestas páginas com todas as dores que trouxe do passado. E isso deu-lhe, uma vez mais, uma dimensão real.

Acho que fica apenas por dizer, se é que não o perceberam já, que gostei muito deste livro.

14
Jan19

Encontro marcado!

Patrícia

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Temos encontro marcado no próximo dia 23 de Janeiro, às 18h30 (ou um bocadinho antes para 2 dedos de conversa), na FNAC do Colombo para assistir à apresentação do último livro do Nuno.

Por tudo o que já ouvi sobre o livro estou bastante curiosa e quero muito conhecer esta história, saber em que ponto estão o Afonso e a Diana depois de tudo o que lhes aconteceu em Pecados Santos e como se conseguiu o Nuno superar uma vez mais.

 

 

12
Fev18

Pecados Santos, de Nuno Nepomuceno

Patrícia

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 Nuno, 

Já tive oportunidade de te dizer: isto não se faz. Não se constrói um personagem, não se lhe dá vida, cor, voz e depois deixa que isto lhe aconteça. Ao longo das páginas dos livros de um escritor vamos criando expectativas, sabemos com o que contamos e sabemos que os heróis têm determinadas características e sobrevivem, tal como sabemos que determinado escritor é mais ou menos sádico com os seus personagens. E tu não és assim, ok? Tu não matas indiscriminadamente desta forma. Arre...

 

O professor Catalão bem tenta fugir das confusões do presente e dos acontecimentos traumáticos do passado mas, como acontece regularmente nas histórias que valem a pena ser contadas, nem sempre isso é possível.

Uma mulher do passado de Afonso pede-lhe ajuda para inocentar o filho que está preso em Londres como suspeito pela morte do rabino Samuel. Diana, em Lisboa, investiga uma morte e tenta provar a sua ligação com a morte em Londres. Bem, na verdade quem está encarregue da investigação é Alexandre, o já nosso conhecido inspector da judiciária e Alice, uma fascinante psicóloga criminal que é chamada para dar uma ajuda. 

Um thriller religioso. Mais um livro do Nuno Nepomuceno, que já nos habituou ao seu estilo e às suas personagens. Afonso Catalão, que não é bem um herói, que não o pretende ser, continua a dar-nos lições sobre as religiões do livro. No A célula adormecida, o Islamismo estava no centro da trama. Aqui, neste Pecados Santos, é o Judaísmo a religião central. 

Vocês já sabem que gosto sempre dos livros do Nuno e este não é excepção. Aliás, a verdade é que tenho gostado cada vez mais dos livros dele. O tema ajuda, gosto especialmente de thrillers religiosos e interesso-me mais pelo judaísmo que pelo islamismo. Este é um livro que se lê muito rápido, queremos saber sempre o que vai acontecer, porque vai acontecer. Gostei especialmente de duas coisas neste livro. Gostei de ver um certo acontecimento visto pelos olhos de duas personagens diferentes e gostei do final. Posso ainda não ter perdoado o autor por esse mesmo final... mas gostei bastante. 

06
Dez16

Apresentação de "A célula adormecida", de Nuno Nepomuceno

Patrícia

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Amigos reunidos para celebrar o sucesso do 4º livro do Nuno. Acho que acima de tudo foi isso. O orgulho e a amizade (mais ou menos ruídosa) eram os sentimentos que sentiam por ali.

Os discursos habituais tiveram, como sempre, a marca do Nuno. A humildade e simpatia que o caracterizam cada vez mais acompanhados por uma confiança que só lhe fica bem.

Tenho que destacar as palavras do Sheikh Munir, cuja presença foi, do meu ponto de vista, o maior dos elogios a este livro e a este autor. Foi muito especial estar ali, a ouvir aquele homem, que transmite confiança, simplicidade e paz em cada palavra.

Nuno, uma vez mais, desejo o maior dos sucessos ao "A célula adormecida", que não fique pela segunda edição. E claro, vou ficar à espera do próximo livro.  

 

Deixo apenas uma foto, tirada com o telemóvel antes da apresentação começar... Daqui a uns dias logo vos mostro as fotos a sério tiradas pelo Gil Cardoso.

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13
Nov16

A célula adormecida, de Nuno Nepomuceno

Patrícia

 

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Caríssimo Nuno, desculpa lá, mas tinhas mesmo, mesmo que fazer isso? Estou farta de te dizer que te acho "demasiado boa pessoa" mas depois de ler este livro, vou repensar essa opinião. Já te insultei em pensamento (não se faz, Nuno, não se faz) e até já to disse (mais ou menos pessoalmente) mas agora fica aqui o meu protesto, oficial. 

 

Depois da Trilogia Freelancer, em que nos apresentou um herói a que chamei carinhosamente "pseudo-totó", o escritor trouxe-nos um protagonista (dificilmente se lhe poderá chamar herói) muito mais complexo que, apesar de ainda manter um lado dócil e amoroso (acho que essa é uma característica do Nuno Nepomuceno e é a parte dele que empresta sempre aos seus personagens), vive atormentado pelo passado e pelas suas próprias decisões. Assim é Afonso Catalão, um homem que só no finalzinho deste livro se dá verdadeiramente a conhecer. Diana, uma jornalista com quem, definitivamente não me quereria cruzar nas estradas de Lisboa (detesto chico-espertos ao volante), é uma personagem apenas um pouco menos interessante que Afonso, mas a verdade é que passei mais de metade do livro com vontade de esbofetear esta palerma.

Depois há personagens com quem criei empatia imediata.  Por vezes, personagens com quem o autor não é nada simpático...

Dois acontecimentos dão o pontapé de saída para esta história. Na noite das eleições legislativas, futuro primeiro-ministro de Portugal é encontrado morto. Constança, a viúva, insiste que se trata de homicídio e não de um suicídio como parece à primeira vista. No parque Eduardo VII a bandeira Portuguesa é substituída pela do Daesh ao mesmo tempo que um ataque suicida acontece em pleno Marquês de Pombal.

Se e como os acontecimentos estão relacionados é aquilo que os leitores do "A célula adormecida" irão descobrir.

Um dos grandes dramas deste tipo de livro é a necessidade de "impingir" ao leitor uma enorme quantidade de informação, sem que isso pareça falso, deslocado ou simplesmente pedante. Consegui não revirar os olhos nestas partes (coisa que costumo fazer neste tipo de livro que me dá muita informação que já conheço e onde é uma seca procurar a parte que não sei) e admito que achei bastante interessante toda a informação sobre a religião muçulmana. Uma chamada de atenção para as ultimas páginas do livro onde o autor nos fala do que é verídico e do que é romanceado ou adaptado por questões literárias (é sempre das partes que mais gosto).

Gostei de ler este livro, de perceber a evolução do Nuno, quer no tipo de personagens, quer na transmissão de informação em massa e destaco, acima de tudo, a seriedade e o respeito com que (sei que) o Nuno trata de todos estes assuntos, sensíveis e tão atuais.