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Ler por aí

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09
Nov20

Os testamentos, de Margaret Atwood

Patrícia

DSC08122.JPG

 

Na sequência do "A história de uma serva", uma distopia que deu que falar nos últimos anos, este Os testamentos leva-nos a Gileade, onde as mulheres têm poucos direitos, onde ler é uma actividade reservada aos homens (e a algumas - poucas - mulheres), onde as meninas são forçadas a casar assim que entram na puberdade e onde a corrupção é cada vez mais presente.

Um aparte para comentar a proibição da leitura. Este elemento não é novo nem na ficção nem na realidade. Uma e outra vez somos obrigados a olhar para esta actividade como um privilégio e ainda assim desvalorizamo-la tanto. Muitos sabem o que fazem - uma sociedade sem livros é uma sociedade acrítica, sem vontade, sem capacidade de luta. Mas continuamos a dar pouco, muito pouco, valor aos livros, ao conhecimento, à educação, à escola - sítio único onde a igualdade de oportunidades tem uma hipótese de vingar e ser uma realidade.

Voltando a Os testamentos (que eu preferia que se chama-se "Os testemunhos" mas como não sou tradutora, deixo isso apenas como uma opinião sem grande validade)

Ao longo das páginas deste livro conhecemos a história e o testemunho de três personagens: Lydia, uma Tia fundadora, a testemunha 369A e a 369B. Três mulheres diferentes, com percursos bastante distintos mas que, sem surpresa, se vão cruzar.

É bastante interessante acompanhar o percurso e o que o condiciona, as escolhas de cada uma. A noção de somos, não apenas o que a sociedade e os outros fazem de nós, mas também (e acima de tudo) produto das nossas escolhas está bem patente neste livro. 

Como sempre, este género de livro - que tantos descartam como "fantasias" - reflecte profundamente sobre a sociedade actual, as escolhas, anseios e preocupações que nos afectam hoje (aliás, 2020 tem transformado muitas distopias em "ficção muito perto da realidade").

Margaret Atwood continua a  revelar-se uma voz importante e incontornável

 

DSC08123 (2).JPG

 

 

 

 

 

 

04
Dez14

A história de uma serva, de Margaret Atwood

Patrícia
 
A violência tolhe aliberdade, a ignorância destrói a vontade e torna-se possível construir umasociedade baseada em valores distorcidos. As mulheres são, como tantas vezes naHistória, transformadas em seres sem vontade, fracos, amorfos. Dividas emcastas e com cores a representá-las são as Servas, mulheres férteis ereprodutoras numa sociedade seca e estéril, as protagonistas desta história.
Defred conta-nos a suahistória, a sua passagem de mulher moderna, mãe e trabalhadora, casada e feliza mulher sem nome, sem passado ou futuro, entregue a uma família para fazeraquilo de que o seu corpo já provou ser capaz: reproduzir-se. Reproduzir-se é apalavra certa, ser mãe é tão mais do isso e se algum dia engravidar, Defredsabe que não o poderá ser, que nunca poderá chamar seu a um bebé que lhe saiadas entranhas.
O drama da geração deDefred é a memória, é o saber, o lembrar-se ainda de que houve um tempo em queler era normal, em que ir à praia também, em que ter uma conta no banco ousimplesmente apaixonar-se era aceitável. Haverá gerações de mulheres que, pornão se lembrarem, por nunca terem sabido deixarão de considerar possível sermais do que a aquilo em qua as transformaram, a que as reduziram. Vencer pelaignorância.
E quantas vezes o vemos,o vimos e ainda o veremos? Em quantas partes do mundo ainda se vence pelaviolência, se ensina com ignorância, se reduz pelo medo?
Até que ponto serápossível cair-se no extremismo de uma religião, deturpar-se leis e pensamentos,interpretar-se de forma abjeta textos “sagrados” e datados de uma época que nãoé a nossa?
Ciclicamente na Históriado mundo tem havido gentes, géneros ou povos que se consideram superiores e quesendo militarmente superiores vergam à sua medida gentes e países.
Gostei muito deste livro quelevanta muitas questões, incluindo uma a que é tão difícil dar resposta: Seriapossível?

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