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Ler por aí

Ler por aí

08
Jun15

Desamparo, Inês Pedrosa

Patrícia
 
 
Quase me envergonho de admitir que só li este livro porque foi o escolhido para a última reunião do Grupo de Leitura da LEYA. Depois de uma experiência menos feliz com um dos livros da escritora (e sinceramente já nem me lembro porquê mas desconfio que a idade e a maturidade tiveram qualquer coisa a ver com isso) comecei a deixar os livros da Inês Pedrosa para depois.Mas aviso desde já que me reconciliei com a escritora e com a sua escrita. Coma escritora porque nas horas que partilhou connosco foi extremamente simpática e interessante. Com a escrita porque, no final, gostei imenso deste livro. Ouvi-la na feira do livro foi um privilégio. E deixou-me com vontade de ler mais dos seus livros.
Mas falando deste Desamparo... Comecei mais ou menos interessada e até gostei da história que nos é contada na primeira metade do livro. É quase impossível não nos encantarmos com Jacinta, com as suas perdas e as suas dores,com as alegrias e a esperança que nunca perde. De uma forma ou de outra, todos conhecemos Jacintas, mulheres imperfeitas que ainda assim não merecem o desamparo e a solidão. Todos conhecemos ereceamos o abandono da velhice, o medo da solidão. Mas foi a Clarisse, a mulher da segunda metade do livro que me conquistou. O que querem? Às vezes são os personagens secundários que nos interessam e nos conquistam. E a Clarisse fez-me ficar a ler até às tantas. Nem sempre concordei com ela e amiúde apeteceu-me abaná-la mas, ainda assim,...
 

 

Acho que nunca me tinha acontecido não conseguir ler o livro antes da reunião do grupo de leitura e do respectivo encontro com o escritor mas (há sempre uma primeira vez) isso aconteceu com este livro e foi óptimo. Ouvir a escritora falar do livro fez-me prestar atenção a pormenores, a episódios da história, que de outra forma ter-me-iam passado despercebidos. E, um dia,quando me voltar a cruzar com a Inês Pedrosa, dir-lhe-ei que “sim, também me ri”.
10
Dez11

Os Íntimos, de Inês Pedrosa

Patrícia



Foi o primeiro livro da escritora que li e não posso deixar de me sentir um pouco desiludida. Esperava mais e o problema das expectativas é que elas crescem e na maioria das vezes ficamos com um certo formigueiro na ponta dos dedos.
Afonso é o fio condutor desta história que dá voz a 5 amigos, homens, diferentes e com uma amizade “tipicamente” masculina. Ou pelo menos é isto que a autora parece pretender. Afonso, Filipe, Pedro, Guilherme e Augusto reúnem-se para um dos seus habituais jantares e ao longo do livro conhecemos os seus pensamentos e boa parte da sua história. E principalmente a história da sua amizade, a tal tipicamente masculina (o que quer que isso seja) com todos aqueles clichés habitualmente atribuídos aos homens (e às mulheres). E foi aqui que este livro me desiludiu. Não me pareceu uma história sobre a amizade masculina, que compreendo perfeitamente ser atrativa para as mulheres, mas sim um livro sobre o que as mulheres supõem ser uma amizade masculina. Não é que o livro seja mau, porque não é, simplesmente parece-me pretender ser aquilo que não é. E parece-me isto precisamente pelas inúmeras menções ao que “as mulheres são...” e/ou “os homens são...”.
Gostei da história propriamente dita, dos personagens e da forma como todos, mais ou menos, têm voz e contam a sua versão de um mesmo acontecimento. Gostei as intrusões femininas no livro, da carta da Ana Luísa, da história de Bárbara e principalmente do conto da doente do Afonso. Apesar de estar um pouco descontextualizado achei-o brutal (nos vários sentidos desta palavra) principalmente por contrastar tanto com o tom (falsamente) ligeiro do livro.