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Ler por aí

Ler por aí

14
Set16

Os Vampiros, de Filipe Melo e Juan Cavia

Patrícia

Os vampiros.jpg

 

 

Apaixonei-me por este livro à primeira vista. Naquele dia decidi que queria ler este livro, tê-lo na minha estante. Chegou hoje e já o li. Quer dizer, fiz a primeira leitura, assim à pressa com vontade de perceber o que era isto, como é ler um romance gráfico. Ansiava tanto pela história como pelo formato ou pelo objecto em sim.

 

Deixem-me confirmar aquilo que já devem saber: nunca tinha lido um romance gráfico e a única BD que alguma vez me atraiu foi a do Quino. Mafalda rules, sempre. Tirando a Mafalda li alguma coisa (pouca) do tio patinhas e afins, do Tintim e do Asterix. Mais nada. Andava com vontade de aventurar neste género e perceber se poderei alguma vez ser leitora de BD. Digo-vos já que a resposta é um muito claro NÃO.

Vamos por partes. 

Este livro como objecto é muito bom. A capa é linda. Simples, poderosa, atrativa. Diz-me claramente: "não venhas ao engano, não sou um livro fácil, não esperes beleza, sorrisos ou luz." A capa, o papel, são perfeitos para este tipo de livro. Mas é uma edição Tinta da China, estranho seria não ser perfeita.

Sobre o formato é, para mim, muito difícil opinar. Como disse antes, percebo zero de BD. A minha sensibilidade visual é assim para o inexistente. A primeira coisa que me salta à vista são as cores. Acho que são eficazes para transmitir o medo, a angústia ou até a culpa. Senti, no entanto, falta das cores vibrantes de África. Pouco, muito pouco nestas imagens me situou na Guiné. Podia ser noutra guerra qualquer, noutro sítio qualquer. Esta história vive muito de sentimentos, de expressões e a verdade é que lá para o final (e não se esqueçam de que falo apenas da primeira leitura) conseguia reconhecer cada um dos personagens. Gosto muito das imagens deste livro (chama-se "arte", certo?).

Já quanto à história fiquei com um certo pé atrás. Este é um livro de 228 páginas e é demasiado parco em palavras para mim. Nada contra quem adora e provavelmente não seria tão eficaz de outra forma mas eu senti a falta das letras, das palavras. E se a verdade é que as imagens contam a sua própria história a verdade é que o discurso dos personagens não me convenceu. Faltam expressões, falta calão (só palavrões não chegam), faltam expressões idiomáticas. Não consigo identificar um único personagem pela forma de falar, um ou outro pelo conteúdo do discurso mas nem isso é fácil. Talvez eu não tenha razão e esse tipo de coisa não tenha cabimento neste tipo de livro mas... senti a falta das palavras. 

A balança entre imagem e palavra não me pareceu muito equilibrada. Apesar disso acho que os autores conseguiram passar a mensagem que pretendiam. Apesar da história ser bastante previsível e da "moral da história" não ser propriamente uma grande novidade, a verdade é que esta mistura de história de guerra e de filme de terror é interessante. 

Este livro, que vai fazer óptima figura na minha estante, não me afastou completamente do género mas também não me fez ter vontade de continuar  a ler romances gráficos.

 

 

31
Ago16

Quero. Muito.

Patrícia