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Ler por aí

Ler por aí

19
Set18

Direitos dos leitores (parte 12): Esquecer o que se leu

Patrícia

Quem nunca, não é?

Quem nunca se viu na circunstância de já ter lido aquele livro e não se lembrar nem do principio, nem do meio, nem do fim?

Eu confesso, acontece-me muitas vezes. Claro que me acontece especialmente com livros que só li uma vez e há muito tempo ou com livros que não me marcaram especialmente.

Sempre ouvi dizer (qualquer coisa como) que o que realmente aprendemos é aquilo que sabemos depois de nos esquecermos do acessório.

Acho que com os livros é mais ou menos o mesmo: os importantes são aqueles que ficam. E na verdade não precisamos lembrarmo-nos da história com todos os pormenores... mas se nos lembrarmos do que sentimos quando os lemos ou de uma ou outra passagem mais especial é suficiente. Pelo menos para mim é. 

Já vos aconteceu começar a ler um livro para rapidamente descobrir que já o tinham lido? Não é muito comum (tendo a lembrar-me do título ou do autor) mas já me aconteceu. 

Esta é uma das razões pelas quais vou mantendo este blog: guardar um registo que, em apenas alguns minutos, me leve de regresso ao momento em que li o livro. 

 

Ler mais livros

Não gostar do livro que toda a gente gostou

Mudar de opinião acerca de um livro

"Viver" os seus livros

Ler em todo o lado

Ler em vários formatos e línguas

Não ler

Ler na diagonal ou saltar parágrafos/páginas

Ler...audiobooks

Ler vários livros ao mesmo tempo

Ler sem ser incomodada

05
Set18

Direitos dos leitores (parte 11): Ler sem ser incomodada

Patrícia

Hoje vou falar-vos de um dos Direitos do Leitor que eu (e acredito que vocês) mais reclamo. Um daqueles direitos que nos é sistematicamente negado e/ou atropelado.

Tenho a certeza que já adivinharam: o direito de ler sem ser incomodado.

Estar a ler não é "estar sem fazer nada"!

Quando estou a ler num café, numa esplanada, numa praia, num parque não estou disponível para conversas, nem para que outros se sentem na minha mesa, à minha beira, a fazer conversa. Eu não levei o livro pelo "medo" de ficar sozinha ou sem nada para fazer. A grande probabilidade é que tenha ido propositadamente para aquele cantinho para ter alguns minutos/horas de sossego a ler o meu livro. Eu não estou desesperada pela companhia dos outros - aliás, o mais provável é que tenha ido para ali para me livrar da companhia dos outros.

Não me levem a mal. Há uma probabilidade grande de eu gostar de vocês, de serem muito importantes na minha vida mas, pelos amor de deus, deixem-me estar no meu canto quando estou a ler. 

"Olá, estás a fazer alguma coisa?" é apenas uma pergunta estúpida se eu tenho um livro na mão porque a resposta é óbvia: "sim, estou a ler".

"Olá, estás sozinha?" talvez não seja tão estúpida quanto a pergunta anterior... ou melhor, sim, é tão estúpida como a pergunta anterior porque se me viram é porque não são cegos e podem ver que não está ninguém ao meu lado. Ah e correm o risco de eu, com um olhar um bocado vidrado, responder: sim, estou com os meus amigos imaginados, os personagens deste livro.

"Olá, o que estás a ler?" - Se estiver a ler no Kobo, esta talvez seja uma pergunta inteligente... se estiverem dispostos a continuar a falar de livros. Se não, desamparem a loja, sff. Mas continuo a gostar de vocês. Um bocadinho menos, naquele momento, mas depois a coisa volta ao normal. Se estiver a ler um livro, a pergunta é estúpida, desenrasquem-se, façam o pino se for preciso e espreitem a capa do livro. 

"esse livro que estás a ler é fabuloso, podemos falar sobre ele?" - neste caso há uma enorme probabilidade de eu vos pagar um café.

 

("Ah, ah, ah, tens piada, tu. Mas não preferes conversar sobre (inserir assunto) um bocadinho? podes ler depois" - aqui há uma enorme probabilidade de eu não gostar de vocês nunca mais)

 

(pronto, estou a exagerar um bocadinho, eu gosto de algumas pessoas e gosto muito de conversar)

 

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Ler vários livros ao mesmo tempo

26
Ago18

Curtas 2018 #2 : Direitos dos leitores (parte 10)

Patrícia

Há quem seja fiel e há quem "tenha coração suficiente" para ler vários livros ao mesmo tempo. 

Eu sou, por princípio, leitora de um livro de cada vez. Bem gostava de praticar a "polileitura"  mas raramente o consigo. A única excepção são mesmo os audiobooks mas, para dizer a verdade, nem isso corre muito bem. A ideia era ouvir os audiobooks no carro e nas outras oportunidades de leitura, pegar num livro. A verdade é que ponho os auscultadores e pego no ebook (tenho sempre  o ebook do audiobook que vou ouvindo). Por isso quando estou a ler noutro formato tendo a ouvir mais podcast e menos audiobooks.

Mas há imensa gente que lê vários livros ao mesmo tempo, lendo consoante o humor e a vontade. As vantagens são imensas, claro. Há sempre alturas no dia em que não nos apetece ler aquele género de livro, há livros que não podemos carregar connosco (por serem pesados, emprestados ou especiais) e até há livros que só conseguimos "digerir" em doses homeopáticas. E a quantidade de páginas lidas por dia aumenta consideravelmente. 

Não é direito que eu reclame para mim, este de ler vários livros ao mesmo tempo, mas é mais um dos direitos dos leitores.

 

 

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23
Ago18

Curtas 2018 # 1 Direitos dos leitores (parte 9)

Patrícia

Ouvir um livro pode ser uma experiência bastante interessante. Há quem diga que ouvir um livro não é o mesmo que ler um livro. E eu concordo. Não é definitivamente a mesma coisa. 

Arrisco-me a dizer que haverá alguma diferença na forma como o cérebro processa as duas informações mas isso não faz com que quem ouve um livro seja menos leitor que quem o lê.

E na verdade, há vantagens em ouvir um livro.

Para além de nos permitir ler em vários situações (eu oiço audiobooks enquanto conduzo, durante o almoço ou durante caminhadas, por exemplo) também transforma a experiência de ler, tornando-a especial.

 

Na verdade, ouvir histórias é regressar ao passado. Antes, muitos antes, de se inventar a escrita já a literatura oral era uma realidade... e sem ela, a escrita nunca teria sido necessária ou imaginada. Porquê esta resistência aos audiobooks?

Um poema, por exemplo, só ganha em ser declamado. A própria declamação é uma arte nada menor.

A verdade é que ler, declamar, contar histórias não é para qualquer um. Por isso é tão importante a voz, o talento destes contadores de histórias.

 

O audiobook que estou a ouvir neste momento, Bands of Mourning (de Brandon Sanderson), ganha imenso no formato audiobook. Há diálogos hilariantes neste livro, há um personagem cujo talento para imitar vozes é brutal e a leitura tradicional não lhe faria justiça. A verdade é que dou por mim a rir à gargalhada a ouvir isto e sei que sem o talento do narrador do audiobook (Michael Kramer) não iria achar a mesma piada. Brandon Sanderson escreveu mas foi o Michael Kramer que lhes deu vida. 

 

Ler também é ouvir.

 

Direitos dos leitores:

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Ler na diagonal ou saltar parágrafos/páginas

01
Mai17

Curtas 2017 #27 Direitos dos leitores (parte 8)

Patrícia

Foi em conversa com um amigo dos livros que me lembrei de mais um "direito do leitor". Ainda por cima é um daqueles que deixa tanta gente escandalizada. Falo de "ler na diagonal ou saltar parágrafos/páginas".

Quem nunca o fez que atire a primeira pedra (mas devagarinho, ok?) seja pela ânsia de saber o final seja porque o livro é tão chato mas tão chato que é a única forma de o acabar de ler.

Costumava ler na diagonal sabendo que assim que chegasse à última página voltava à primeira para ler com calma. Também já o fiz (e já saltei capítulos inteiros) porque queria saber o final mas não me apetecia ler o livro. Saltar capítulos ou páginas só acontece em desespero de causa. Quando a escolha é entre isso e entre fechar o livro sem saber o final. 

Na verdade, ler na diagonal também já é muito raro. Leio cada vez mais devagar e com menos pressa de chegar ao fim. 

Mas ainda assim é, sem dúvida, um dos direitos do leitor.

10
Mar17

Curtas 2017 #15 Direitos dos leitores (parte 7)

Patrícia

E na última parte desta brincadeira que foram os Direitos dos Leitores vou ter que falar daquele que é o mais importante, fundamental e inalienável direito do leitor.

Falo, claro, do direito de ... "Não ler".

(Se por algum leitor deste blog está no ensino obrigatório, esqueça, este direito não pode ser invocado nas leituras obrigatórias. Não me usem como desculpa para não ler um livro. Vocês têm mesmo que ler isso. Não gostam? azareco, é obrigatório. Considerem-no como um prelúdio da idade adulta: ainda irão, pela vida fora fazer muita coisa que não queriam fazer e a maioria será bem mais desagradável que passar umas horas refastelado no sofá a ler um romance tão maravilhoso quanto "Os Maias")

Não ler um livro específico, não ler determinado autor, não ler um género literário, não ler durante uma semana, não ler durante um mês, não ler durante um ano.

É, para a maioria de nós, contranatura? sim, é. Mas Não Ler é um direito. Não ser Leitor é um direito.

10
Mar17

Curtas 2017 #14 Direitos dos leitores (parte 6)

Patrícia

Acreditem em mim, um leitor de livros electrónicos é tão leitor quando um leitor de livros físicos e tão leitor quando um leitor de audiobooks. 

(Já estremeceram? já me rogaram pragas? confessem já estavam com saudades de me ver defender outros formatos de leitura)

Um livro é, acima de tudo o conteúdo. As palavras que se transformam em histórias, em mensagens. O acto de ler é maravilhoso mas o fim da leitura é apreender o que está escrito (não é a mesma coisa ler a bula dos medicamentos ou os ingredientes das bolachas que ler um poema, pois não?) e isso pode fazer-se de várias formas.

Ler um livro físico, ler em português ou noutra língua qualquer, Ler em formato electrónico, ouvir as palavras, ler com a ponta dos dedos, tudo, tudo isso é permitido. Tudo isso faz parte de ser leitor. 

Não há leitores menores, não há leitores de géneros menores. Há leitores.

08
Mar17

Curtas 2017 #13 Direitos dos leitores (parte 5)

Patrícia

Quem diz que uma fila qualquer não é um óptimo lugar para ler? Ou o consultório médido? O os 10 minutos reservados para o pequeno almoço?

Eu diria que as únicas alturas onde não é, de todo, permito ler são aqueles momentos passados com família ou amigos (e ainda assim quem nunca espreitou o ebook no telemóvel durante uma festa de família que atire a primeira pedra).

Quase todas as alturas e lugares são bons para ler. 

Se há quem goste de ler ao mesmo tempo que almoça, qual é o problema? Se há quem goste de ler quando vai à casa de banho, qual é o problema? 

Ler em casa, no café, no restaurante, nos transportes públicos, na casa de banho, nas filas do supermercado, das finanças, da segurança social, enquanto se espera pelo amigo que está atrasado para o café, quando se chega ao trabalho antes da hora... De manhã, à tarde ou à noite. Leiam quando vos apetece e vos parece adequado. Também isto é um direito do leitor.

07
Mar17

Curtas 2017 #12 - Direitos dos leitores (parte 4)

Patrícia

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Eu, Monstra me confesso, claro.

 

Um dos direitos dos leitores é, sem qualquer género de dúvida, "viver" os seus livros. Dobrar páginas para marcar a leitura, para marcar uma passagem ou para esconder uma frase.

Sublinhar, a lápis, a caneta ou a marcador.

Escrever, deixar comentários, dialogar com escritor, personagem ou narrador.

Pôr post-its como está tão na moda.

Deixar fotos ou vestígios da época em livro foi lido, como vi num vídeo de uma booktuber e que achei uma ideia maravilhosa.

Dobrar a capa, colar autocolantes, tirar a sobrecapa ou fazer uma nova.

Um livro é objecto para ser amado e, para mim, não há nada mais triste que um livro passar pela vida incólume, sem vestígio de ter sido lido.

 

Não era brutal abrirmos um livro e termos na primeira página indicação de quando e por quem aquele livro foi lido?

 

04
Mar17

Curtas 2017 #10 - Direitos dos leitores (parte 3)

Patrícia

Mudar de opinião acerca de um livro é mais do que um direito. Mudar de opinião é natural, saudável e, diria até, fundamental.

A nossa idade, maturidade e experiência são fundamentais para a apreciação de um livro. 

Não falo apenas dos livros que adoramos em criança ou na adolescência. Falo, acima de tudo, dos livros que lemos numa determinada altura da nossa vida adulta e que, uns meses ou anos depois, relemos e nos apercebemos de que a nossa opinião anterior já não faz qualquer sentido.

Há livros que me recuso a reler porque os adorei e tenho pavor de os "estragar". São livros que me marcaram e que eu considerei, num determinado momento, maravilhosos mas que sei que me vão desiludir se os ler com os "olhos" de hoje. Sinceramente prefiro não o fazer. A "ideia" que tenho do livro, o sentimento bom que ficou, é suficiente. Chega-me saber que aquele livro foi o certo na altura certa".

 

Há também o contrário: livros que não gostei muito e que hoje (ou no futuro) serei capaz de ler de forma diferente. (Sei hoje que) Na altura li-os de uma forma superficial, que não tinha capacidade para apreciar todas as suas camadas.