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Ler por aí

Ler por aí

15
Jul18

Arcanum Unbounded: The Cosmere Collection: Mistborn Secret History, de Brandon Sanderson

Patrícia

(Spoilers para a Trilogia Mistborn e para este Mistborn Secret History)

 

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Confesso-vos que estava com algum receio de ler este Mistborn Secret History. 

Por um lado, achava que a trilogia inicial Mistborn (Era1) se bastava - e basta - e não me apetecia voltar àquela história e descobrir que afinal o que eu achava ter acontecido não era bem assim (e todos sabemos como na fantasia em geral e o Sanderson em particular nos trocam as voltas). Por outro, fui apanhada por alguns "estragadores" e tinha medo. Muito medo. 

(ainda não leram Mistborn? ide embora. Já. A sério, não deixem que eu vos estrague a série)

(ainda não leram Mistborn Secret History? Vão embora, agora. Se continuarem é por vossa conta e risco)

 

Tinha medo porque regressos não é algo de que goste. Quando um personagem morre, é bom que fique morto e enterrado, que soluções milagrosas de última hora é coisa de que não gosto nem um pouco. Por isso quando ouvi dizer que o Kelsier ainda tinha um papel... bem, fiquei preocupada.

Mas eu deveria confiar no Sanderson e saber que ele sabia  o que estava a fazer. E de facto, o próprio Sazed passa o Hero of Ages a perguntar-se no que há depois da morte... 

E sim, o Kelsier morreu. E, tanto quanto sei, continua morto, podem estar descansados. Mas sendo o Kelsier como é... bem, quem se surpreende por ele não fazer o que é suposto fazer? 

“You,” the man said to Kelsier, “are very bad at doing as you’re supposed to.”

Como disse acima, a trilogia basta-se a si mesma... mas quem quer mergulhar mais fundo em Cosmere tem que ler este Arcanum Unbounded no geral e este Mistborn Scret History em particular. Este livro está escrito para os leitores de Cosmere. E que bom é. 

Tenho a certeza que, nesta primeira leitura, não apanhei metade das pistas, ainda assim em cada página reconhecia situações, explicações. Isto é uma enciclopédia sobre Cosmere. 

Foi muito bom rever o Kelsier e os grandes acontecementos que transformaram o império final. Foi interessante perceber a mão atrás de acontecimentos que, pensando bem, não tinham grande lógica. Foi óptimo preencher lacunas na história que nem sabia que existiam. 

Os momentos com Vin e aquela frase “You have a lot to learn about love, don’t you?” foram perfeitos (e fizeram-me perdoar o Sanderson por ter trazido o Kelsier de volta).

Once, you taught me an important lesson about friendship. I need to return that lesson. A last gift. You need to know, you need to ask. How much of what you’ve done was about love, and how much was about proving something?

Oh e as saudades que eu tinha do Wit? 

How about this?” the Drifter said. “We’ll have an insult battle. Winner gets to ask one question, and the other has to answer truthfully. I’ll start. What’s wet, ugly, and has scars on its arms?

Destroying the Pits, O scarred one. That was the only perpendicularity on this planet with any reasonable ease of access. This one is very dangerous, growing more so by the minute, and difficult to find. By doing as you did, you basically ended traffic through Scadrial. Upended an entire mercantile ecosystem, which I’ll admit was fun to watch.”

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08
Jul18

Arcanum Unbounded: The Cosmere Collection: The Eleventh Metal, de Brandon Sanderson

Patrícia

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(spoilers para a série Mistborn)

 

Quem leu o Império Final sabe que o Kelsier espera que o 11º Metal ajudasse o bando a depor o Lord Ruler. Deve também lembrar-se que lhe perguntaram várias vezes onde tinha ouvido as histórias que o levavam a ter essa esperança.

 

Com este "The Eleventh Metal" o Brandon Sanderson, dá-nos um rebuçado e conta-nos precisamente essa história. 

Para além de sabermos onde encontrou o Kersier um metal que lhe desse tamanha esperança (e todos sabemos como isso acabou, não é?) acompanhamo-lo numa parte do seu treino enquanto Mistborn. 

Após se ter tornado Mistborn nos Pits of Hathsin e ainda quebrado pela traição de Mare e por todos os acontecimentos nos Pits, Kelsier está no início da sua jornada para se tornar naquele que conhecemos no primeiro livro da trilogia inicial. 

 

“No,” Gemmel muttered. “No, I like him. He almost never complains. The other three complained all the time. This one is strong. No. Not strong enough. No. Not yet. He’ll learn.” Behind Gemmel was a pair of lumps on the wall top. Dead guards, leaking trails of blood along the stones. The blood was black in the night. The mists seemed … afraid of Gemmel, somehow. They didn’t spin about him as they did other Allomancers.”

 

“He looked at Kelsier, imperious. And Kelsier found himself smiling. Really smiling, for the first time since the Pits. Since the betrayal.”

 

Excerpt From: Brandon Sanderson. “Arcanum Unbounded: The Cosmere Collection.”

 

A colectânea Arcanum Unbounded é um presente precioso para os leitores de Sanderson que se interessam por Cosmere.

 

“Once I wrote The Bands of Mourning, it became clear to me that I’d need to get an explanation to readers out sooner rather than later. This set me to working on the story more diligently. In the end, I’m very pleased with how it turned out. It is a little disjointed, as I worried. However, the chance to finally talk about some of the behind-the-scenes stories going on in the Cosmere was very rewarding, both for myself and for fans.”

Excerpt From: Brandon Sanderson. “Arcanum Unbounded: The Cosmere Collection.” 

Através de vários contos ou novelas o autor fala-nos de Cosmere, conta-nos a história que está atrás da história, responde-nos a perguntas que não sabíamos que tínhamos. 

Acho que este livro só interessa àqueles que pretendem mergulhar mais fundo nas obras do BS. Não é necessário conhecer nada sobre Cosmere para gostar da trilogia Mistborn (ou de qualquer outro dos seus livros)... é simplesmente muito mais interessante ler Mistborn sabendo mais algumas coisas sobre Cosmere. E este Arcanum Umbounded é uma enciclopédia sobre Cosmere.... e eu estou a adorar!

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15
Mai18

Elantris, de Brandon Sanderson

Patrícia

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Tal como vos disse aqui, este é o primeiro livro do Brandon Sanderson. E que bom é.

 

Elantris é um livro de fantasia (esperem, não fujam já). Elantris não é só um livro de fantasia. É um livro de intriga política e religiosa. É um livro que tem uma história brutal, um mundo bem conseguido e personagens interessantes. É um livro que nos faz reflectir, questionar o mundo em que vivemos.

O mundo criado por Brandon Sanderson (Sel) está muito bem construido. O sistema de magia, baseado na linguagem é coerente, interessante e com um potencial enorme (talvez pouco aproveitado mas como há algumas novelas passadas em Sel e a promessa de outras histórias em Elantris, tenho para mim que ainda vou aprender bastante sobre Aons). A ligação a Cosmere não é óbvia mas este é o primeiro livro do universo. A presença do Hoid é rápida mas não acrescenta nada. Foi talvez o que mais me desiludiu no livro.

A intriga política tem uma forte presença neste livro. Sarene, que foi uma das responsáveis pela diplomacia do seu reino, não esconde deste o início que gosta do jogo político. Os seus motivos são puros (isso nunca está em causa) mas é óbvio que a política lhe está no sangue, que é uma líder nata e é através dos seus olhos que mergulhamos no sistema político e ditatorial de Kae, onde o capitalismo é rei e senhor, onde a posição social é apenas ditada pela riqueza. Pelos olhos de Raoden vemos como se constrói, organiza e põe a funcionar uma sociedade onde o valor de todos é igual e cada qual dá o melhor de si. E vemos como ambas colidem, como são antagónicas e como, por vezes, se complementam. 

Também em relação à religião temos várias vertentes, para todos os gostos. Tal como no nosso mundo, religião, fé e política misturam-se. E, tal como no nosso mundo, quando isso acontece... bem todos nós sabemos o que acontece, não é?

A literatura permite-nos reflectir sobre deus e crises de fé de uma maneira fantástica e o autor é exímio a levantar questões.

O desenvolvimento das personagens são um dos pontos fortes do Sanderson. Elantris, sendo um primeiro livro, não é excepção. Apesar de alguns elementos da "jornada do herói" serem óbvios neste livro (e na verdade não há como, na fantasia, fugir muito a esta estrutura básica)  - e aqui inserem-se os "maus da fita", vilão e anti-herói) é nos heróis que o livro ganha a batalha. Há quem considere exactamente o contrário e considere o Raoden e a Sarene como personagens planas, uma vez que não há um crescimento notável ao longo do livro. Verdade, Raoden e Sarene são coerentes e consistentes ao longo de todo o livro... porque me parece que para o autor era mais importante o que aqueles personagens conseguiam fazer, a mudança que conseguiam trazer ao mundo do que a sua própria transformação. E isso é o mais espectacular de tudo. Isso e o romance não ser, de todo, uma parte fundamental do livro. 

Se vale a pena ler? Claro.

Ainda voltarei a Elantris...

 

14
Mai18

Elantris - uma introdução

Patrícia

Elantris é um primeiro livro. O que é irritante tendo em consideração o quão bom é. Para além de ser um primeiro livro, é um livro cuja história começa e acaba no mesmo volume. Quer dizer, mais ou menos. Quem já conhece o Brandon Sanderson sabe que com ele nunca é bem assim. Sim, a história de Elantris basta-se a si mesma mas é também o início da grande aventura que é Cosmere.
Apesar de eu já ter lido alguns livros do universo Cosmere (Mistborn Era 1, Warbreaker, Edgedancer e Stormlight archives) a verdade é que nunca tinha lido o início de tudo. O desafio, até que seja publicado o quarto volume da saga de Stormlight Archive, é ler (ou reler) os livros e tentar construir o grande puzzle que é Cosmere.
Ler Brandon Sanderson é sempre uma experiência interessante. Este é o autor que mais interage com os seus leitores e que nos faz sentir parte do processo. Há até uma secção no seu site com anotações, capítulo a capítulo, que nos permite ler o livro como o autor gostaria que o lêssemos. Para quem lê o livro pela primeira vez - ou até para quem está a começar a ler o escritor - talvez isto seja até demasiada informação. Ler é acima de tudo uma experiência individual e deixarmos que alguém - nem que seja o próprio escritor - conduzir-nos nessa leitura pode ser demasiado e desnecessário. Ou pode ser interessante. A minha sugestão é que a primeira leitura não seja acompanhada.
Ler um livro de fantasia implica sempre um mergulho no desconhecido. É necessário tempo para que nos adaptemos a outra realidade, a outros mundo e a outras regras. É necessário que tenhamos a abertura de mente suficiente para permitir transformar um mundo ligeiramente diferente dos nosso em algo familiar.
Claro que o BS ajuda bastante. Apesar de ter fabulosos sistemas de magia (se bem que todos, nos livros do universo de Cosmere, se baseiam num princípio chamado Investiture - conceito de que falaremos vezes sem conta e que um dia talvez percebamos melhor) os seus livros são maravilhosos por várias razões para além da magia. Acho que o autor nos mostra que não há temas tabu para a fantasia, que a discussão de problemas fundamentais pode ser feita nas páginas de um livro deste género e que a intriga política é um tema a não resiste. Mas confesso que a mim é a interacção entre os personagens que mais me interessa, é a construção multi-dimensional de cada personagem que me atrai.
Elantris, casa de semi-deus escolhidos pelo Shaor (transformation), cidade caída em desgraça há 10 anos onde o acesso ao Dor se perdeu, Em vez de semi-deuses, os escolhidos pelo Shaor transformam-se numa espécie de zombies (não consigo deixar de revirar os olhos mas é, de facto, a melhor descrição para o resultado da transformação). Ora o primeiro dos personagens que vamos seguir ao longo desta leitura é precisamente um dos escolhidos pelo Shaor, o Raoden, príncipe herdeiro de Arelon que é atirado, sem apelo nem agravo, para Elantris que se tornou, nos últimos anos, numa cidade-prisão.
Azar dos azares, Raoden vai para Elantris (em segredo, pois oficialmente está morto e enterrado) antes de conhecer pessoalmente a noiva, Sarene. Apesar de ser acima de tudo um acordo político, tudo leva a crer que aqueles dois iriam dar certo pois ambos são, acima de tudo, inteligentes. Aliar a essa inteligência, bondade e humor, parece ser o caminho para fazer destes 2. personagens interessantes - e deixar o suposto romance de lado, para segundo plano (Brandon, confio em ti para não transformares o amor destes dois no centro da história, ok?).
O anti-herói desta história - basta-nos umas páginas para perceber que não vai ser o vilão, certo? - o Hrathen, vem para tentar salvar os habitantes do reino, convertendo-os à sua religião (onde é que já vimos isto, certo). Aposto em crises de fé, especialmente depois de ser brutalmente manipulado pelo verdadeiro vilão.
Ao longo da leitura hei-de vir contar-vos as minhas teorias, falar dos personagens, dos momentos e das frases que me têm marcado ou simplesmente chamado a atenção. Se estiverem a ler o livro e quiserem falar, trocar dois dedos de conversa, se me quiserem contar as vossas teorias, usem e abusem da caixa de comentários.
Boas leituras
Journey before destination - enjoy the journey

22
Abr18

Oathbringer, de Brandon Sanderson (Parte 3)

Patrícia

O par mais improvável deste livro é a Lift e a Nightblood, quer dizer a Lift e o Szeth. Bem, acordemos num trio improvável.

A gaiata continua a ser das minhas personagens favoritas. E continua a protagonizar alguns dos momentos mais divertidos do livro. E mais ternurentos.

A Lift é, até agora, a personagem mais pura deste livro. Apesar de ser uma ladra e de ter, provavelmente, um passado “complicado”. E à sua boa e retorcida maneira até a NightBlood reconhece isso. Acho que há ali futuro (um futuro assustador mas ainda assim um futuro).

Deste o início que, como leitora, compreendia as razões do Szeth, e por isso fiquei feliz quando ele se juntou aos SkyBreakers. De facto, não havia outra ordem de Knight Radiants para ele.

O processo pelo qual este personagem passou (chamemos-lhe crise de fé), tendo sido forçado a perceber que a oath stone era e sempre tinha sido apenas uma pedra é algo com o qual todos nós nos podemos rever. Quando somos forçados, nem que seja por nós mesmos, a questionar uma crença, a perder uma ilusão sentimo-nos, por mais ou menos tempo, vazios. Mesmo que seja um alívio e a conquista da liberdade. Por tudo isso ver o Szeth transferir a sua lealdade para com o Dalinar e dedicar-se, com a mesma dedicação com que o tentou matar, a protegê-lo não foi sequer uma grande surpresa. Todos nós sabíamos que, mais tarde ou mais cedo, o Szeth ia aterrar ao lado certo. Vê-lo com a Nightblood e a Lift, isso sim, foi uma surpresa.

Estes três personagens foram, no entanto, pouco explorados neste livro. E sim, eu li o Edgedancer e sei que a história de Lift e do seu pet voidbringer é contada aí. E também li o Warbraker onde conheci a Nightblood e a Azure Vivenna. Mas todos contamos com um livro a contar toda a história de Szeth Son-Son-Vallano, o assassino. Diz que será o quinto (a ver vamos).

 

Claro que um dos meus diálogos preferidos é aquele entre a Lift e Dalinar, quando ele enfrenta um exército com, apenas, um livro na mão (e que, esmiuçado, dá pano para mangas):

 

“Were you . . . thinkin’ you’d fight them all on your own?” Lift said. “With a book?”

“There is someone else for me to fight here.”

“. . . With a book?”

“Yes.”

She shook her head. “Sure, all right. Why not? What do you want me to do?”

The girl didn’t match the conventional ideal of a Knight Radiant. Not even five feet tall, thin and wiry, she looked more urchin than soldier.

She was also all he had.

“Do you have a weapon?” he asked.

“Nope. Can’t read.”

18
Abr18

Elantris quote #1

Patrícia

So, using his pride like a shield against despair, dejection, an - most important - self-pity, Roaden raised his head to stare damnation in the eyes.

 

***tradução livre/lição a memorizar: A força necessária para enfrentar as situações mais complicadas da vida tem que vir de dentro. Usar o orgulho como escudo perante o desespero e a vontade de auto-vitimização. 

12
Abr18

Oathbringer, de Brandon Sanderson (Parte 2)

Patrícia

(haverá, neste post, spoiler aos livros Way of King, Words of Radiance e Oathbringer)

(continuaçao)

E falar no triângulo amoroso do momento implica falar do terceiro vértice, o Kaladin. 

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Uma das primeiras e mais marcantes cenas do Oathbringer é o regresso do Kal à casa dos pais. Apesar de ser um windrunner e do céu ser o seu lugar, o Kal não tem Stormlight suficiente para lá chegar antes da Everstorm. O encontro com os pais é super emocionante e finalmente ele pode partilhar com os pais o fardo da morte de Tien. Mas, em Hearthstone, o momento alto é o encontro com  com Roshone e o seu "That's was for my friend Moash". Pronto, este é o momento alto para os fãs do Kal. Mas o maravilhoso é a capacidade de superação, a força de carácter demonstrada, a seriedade e o compromisso para com os votos que fez.

 I will protect those who can't protect themselves

 

Na verdade todos sabemos que o Kaladin já praticava o segundo ideal muito antes de o dizer. O terceiro, o proteger mesmo aqueles que odeia é que foi desafiante. E ao longo deste livro isso fica muito, muito claro.

Uma das coisas mais fascinantes é que o autor, ao longo de todos estes livros, pega em algo que conhecemos ou julgamos conhecer, sobre o quais temos uma ideia formada e à custa de sofrimento e angustia, desconstrói tudo e obriga-nos a reavaliar as nossas posições.

A noção de Honra é-nos enraizada desde sempre. EmRoshar a Honra morreu. Restam apenas pequenos pedaços dispersos pelo mundo pelo que talvez a verdadeira imagem da Honra não seja ainda conhecida. Talvez não seja, nem de perto nem de longe, aquilo que esperamos. Mas uma coisa sabemos: a quebra de um juramento, de uma promessa - seja ela qual for - é suficiente para a matar (o que me leva a perguntar: que promessa foi necessária ser quebrada peloOdium e pelosListenners para matar o Almighty?).

O Nahel bond com uma Honorspren, tal como o que o Kal tem com a Syl, não suporta sequer a indecisão, a dúvida. Na verdade também não interessa o que é certo. Apenas importa o cumprimento da promessa feita. O espírito da promessa é muito menos importante que a letra da promessa.
Chega a ser angustiante ver a permanente dúvida sobre o que é certo. E como diz o Kal, aparentemente o certo é o que a Syl acha certo. Tenho a sensação que, algures no tempo, o Kal e a Syl vão ter ideias bem diferentes sobre o que é certo e errado e aí veremos quem cede e a que custo.

O momento, durante o cerco a Kolinar, em que o Kal se apercebe de que todos ali são inocentes, todos são seus amigos e que estão todos a morrer às mãos uns dos outros, é brutal. Acho que morri um bocadinho naquele momento. E, confesso, não morri de pena do Elhokar mas #FuckMoash pelo que aquele momento fez ao Kaladin.

A luta de Kaladin para dizer o quarto ideal e a coragem do autor de não o transformar no salvador da pátria em todos os livros foi um dos pontos positivos deste livro. Não acho que o Kal vá ser o primeiro a dizê-lo (aliás, acho que já há quem o tenha dito) nem acho que seja absolutamente necessário que o faça.

A bridge 4 continua a dar-nos alguns dos melhores momentos do livro e a deixar arcos com enorme potencial. Foi muito emotivo seguir a história do Teft  e o terceiro ideal dito por ele é de partir o coração(I will protect those I hate. Even if the one I hate most is myself), quero muito saber como raio o Rock conseguiu disparar aquele arco, acompanhar as meninas da equipa e continuar a rir-me com o The Lopen.

 

Life before death, strength before weakness, journey before pancakes

 

(e por falar em panquecas... temos que falar da Lift)

(Continua...)

14
Fev18

Sugestões à Quarta: The Legendarium

Patrícia

A sugestão desta semana é dirigida em especial aos fãs de fantasia.

O podcast The Legendarium é um dos meus favoritos por estes dias. Descobri-o quando andava à procura de material sobre Cosmere e os livros do Brandon Sanderson e fiquei fã. Vale também a pena ouvir os episódios sobre os livros da série do Robert Jordan (A roda do tempo) e Tolkien.

Na próxima sexta-feira hei-de escrever sobre o que eles chamam de "The Three Levels of Story".

Acima de tudo ouvir este podcast é perceber que o género do fantástico é muito mais do que o que habitualmente julgamos. Apesar de serem geralmente classificados como histórias do nível 1 têm imensos momentos de nível 2 ou 3.

 

 

29
Jan18

Warbreaker, de Brandon Sanderson

Patrícia

 

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 Mais um livro do universo Cosmere lido. Talvez um dos ideais para começar a ler Sanderson. Aparentemente mais simples e leve que outros livros do autor tem, como sempre, uma fantástica construção de mundo e de personagens. 

Um novo sistema de magia, BioChromatic Breath, num mundo onde pessoas comuns, após morrerem, regressam como deuses. Lightsong é um deus que, apesar de ter retornado - e aparentemente ter morrido de forma heróica - não acredita na sua própria divindade e passa o tempo a tentar convencer as pessoas de Hallandren disso. Lightsong é um personagem delicioso. Acho que é impossível não ficarmos um bocadinho apaixonadas por ele. 

Siri e Vivenna, duas irmãs, princesas de um reino inimigo que não podiam ser mais diferentes. Vivenna é educada para, quando fizer 22 anos, ser entregue em casamento ao Deus-Rei de Hallandren mas acaba por ser Siri, a irmã rebelde, a ser enviada - sem qualquer preparação - para ser a mãe do próximo deus-rei.

Vasher e Denth, mercenários que entram nesta história sem revelar de imediato as suas intenções. Mas também eles terão um papel decisivo. 

Como sempre o desenvolvimento dos personagens e o sistema de magia são os pontos fortes da história. E como sempre Sanderson consegue fazer algo completamente diferente e surpreender-nos. 
Este é um mundo de cor. De diferentes níveis de cores. Um mundo onde o BioChromatic Breath é moeda de poder. Imaginem que este BioChromatic Breath é algo que todos nós temos. Um por pessoa. E que é o que nos permite ver o mundo em cores brilhantes, que sem ele passamos para um mundo a preto e branco. E que este BioChromatic Breath é transmissível. Podemos sobreviver sem ele mas os que retornam, os deuses deste mundo, precisam de um por semana para sobreviver. E quem tem muitos atinge vários níveis de poder. 

Como vos disse, LightSong é maravilhoso. O melhor personagem deste livro. Quer dizer, LightSong é o melhor personagem deste livro se não considerarmos Nightblood e o seu estranho sentido de justiça. E foi por causa de Nightblood que ouvi este livro. 

Sim, depois de ter relido o The Way of Kings e o Words of Radiance em audiobook, aventurei-me num audiobook em inglês sem ter lido o livro antes. Ao longo de algumas semanas, Lightsong e companhia fizeram-me companhia enquanto ia para o trabalho. Tinha algum receio mas a verdade é que consegui mergulhar neste mundo com relativa facilidade. E adorei. 

Não é o melhor livro do Sanderson mas é bom, é muito bom. E é importante para quem, como eu, está a ler os The Stormlight Archives. Vou ter que ir reler as partes do WoR em que a NightBlood dá um ar de sua graça (e sei que vou reler essa parte de uma forma absolutamente diferente) e que não consigo deixar de ter algum medo só de pensar nela em Roshar (Oh god, não vai bonito).

A maravilhosa magem que aqui está, foi descaradamente roubada do site do autor onde, para além dos já habituais comentários e fabulosa galeria de imagens, podem encontrar as várias versões - incluindo a final - deste livro. Sim, leram bem. O Sanderson partilhou com todos os seus leitores as várias fases da construção deste livro. Sim, podem lê-lo de borla. Ide lá e boas leituras.

 

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