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Ler por aí

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19
Abr24

Defiant, de Brandon Sanderson

Patrícia

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Chega ao fim a aventura que foi ler as aventuras de Spensa, call sign Spin,  nesta saga de livros YA. Diverti-me bastante ao longo do processo. Estou claramente fora do grupo-alvo para esta leitura e o meu esforço é sempre julgá-lo como tal. Sei que a Patrícia de 14-18 anos teria adorado esta saga. A primeira coisa que tenho para dizer é que é uma saga muito divertida e empolgante. As aventuras da Spin e deste grupo são empolgantes. Mas, tal como se quer de um YA, esta saga é bem mais do que isso e aborda uma série de temas, uns de uma série bastante óbvia, outros de forma mais subtil mas sempre de forma directa. São livros para adolescentes e isso nota-se, não deixando por isso de poderem ser lidos por malta de outras idades. Desde o primeiro livro que M-Bot é a minha personagem favorita, dava por mim a rir cada vez que ele dava aparecia. Uma nave IA com um obsessão por cogumelos e um sentido de humor bastante peculiar mas a Kimmalyn (bless your stars) e a Doomslug têm um lugar especial no meu coração.  

A literatura, a leitura tem um papel fundamental na construção de adultos bem formados, de bem com vida e livros que celebrem a diferença são fundamentais. E é precisamente a diferença e a importância da igualdade de direitos que está escarrapachado em cada página deste livro. Amizade, luto, perda, pertença, está tudo presente por aqui. E claro, nada como a fantasia/ficção cientifica para nos fazer reflectir sobre o actual estado do mundo que é, para não ser demasiado exagerada, uma merda.

Gostava imenso de ver estes livros traduzidos por cá, ia fazer questão de os oferecer a todos os adolescentes que conheço.

22
Jan23

O mundo divide-se em...

Patrícia

O mundo divide-se entre quem define uma meta anual de leitura e quem acha que quem o faz não é bem leitor, está apenas a querer aparecer. Ou em quem já leu meia dúzia de livros em 2023 e em quem acha que quem diz ter lido meia dúzia de livros em 15 ou 20 dias está a inventar ou só lê treta. Entre quem lê em ebook e em quem acha que ler em ebook não é bem ler. Em que ouve audiobooks e em quem acha que livros em áudio não são bem livros. Em quem se está a borrifar para a opinião dos outros e em quem tem sempre opinião sobre os outros. Na verdade o mundo não é assim tão a preto e branco, na verdade tem cerca de 50 tons (ai, credo, não faço ideia do que estás a falar, não leio essas porcarias) ou antes uma infinidade deles o que, honestamente, me anda a conseguir tirar do sério. Ando tão fartinha de opiniões que nem vos digo, nem vos conto. Mas aproveitando para debitar as minhas próprias opiniões (e assim demonstrar a minha própria incoerência), cá vai disto...

As leituras vinham já do ano passado mas nem por isso perderam a validade. Ouvir livros não apenas me agrada por ser algo de que gosto como me transformou numa condutora bastante mais calma. Na verdade, na maioria das vezes não me incomodo de ir a passo de caracol e de deixar passar os aceleras se estiver a curtir aquela história. Poderia até dizer que ler em áudio me permite economizar combustível se não fosse, às vezes, pelo caminho mais longo e não desse 3 voltas ao quarteirão só para garantir acabar aquele capítulo. 

Acabei de ouvir o The Lost Metal, do Brandon Sanderson, que fecha a trilogia (se incluirmos o the alloy of law, se calhar devia falar em tetralogia) Mistborn, Era 2. Não posso dizer que não tenha sido interessante e que não tenha acabado de uma forma coerente e que "cumpre" mas tenho algumas reservas em relação a este último livro. Em primeiro lugar, e admito que isto pode ser um bocadinho de ressabiamento de quem se acha um pouco "nerd", há demasiado Cosmere neste livro. Nunca pensei escrever isto, confesso, mas há. Cosmere é aquele universo que nos obriga a ler com as antenas levantadas, que partilhamos com outros nerds, e que os leitores normais não sonham que existe (e não faz mal). Aqui toda a gente sabe quase tudo e mesmo quem não se interessa por Cosmere levou com uma lição em vários actos - e pouco ou nada deve ter percebido. É certo que não se chega a Mistborn- era 2 sem conhecer Cosmere mas ainda assim, too much. E ainda não sei bem o que acho do regresso daquele que sabemos quem é mas não podemos dizer porque é demasiado spoiler para isto. Mas gostei do final, vou ter saudades daquela malta toda. Steris, Marasi, Wax e Wayne, estarão sempre no meu coração. 

O outro livro que me acompanhou nestes primeiros dias de 2023 (e nos últimos de 2022) foi o A Aldeia das Almas desaparecidas, o novo romance de Richard Zimler. Este escritor é daqueles que cumpre a definição de Contador de histórias. Acho que pode escrever a lista telefónica e vai conseguir fazer disso uma história bem contada. E é isso que RZ faz aqui: conta-nos uma história bem contada. Faz-nos gostar e sentir empatia com aquelas personagens, faz-nos sofrer e esperar em cada página pela próxima aventura. E acaba o livro na altura em que parecia estar a começar. Não sei quanto tempo vamos ter que esperar pelo segundo volume da saga A Floresta do Avesso mas o ponto em que o escritor deixa a história de Isaaque é certeiro e faz-nos dizer "A sério, Richard? é aqui que deixas esta história? A sério?". Ao longo destas muitas páginas conhecemos a história de Isaaque Zarco (exactamente, Zarco) deste o seu nascimento às mãos da Avó Flor (que carinhosamente lhe chama hijo de puta desde o primeiro momento). Isaaque vive em Castelo Rodrigo sem saber muito bem o que é um cristão-novo e porque é que isso é uma questão. Mas é, e em muitas dessas páginas é essa a história que vamos ouvir. Mas são as pessoas de quem mais gostamos que mais nos podem magoar, moldar e mudar o rumo da nossa vida. E mais não digo, ide ler o livro.

Entretanto comecei outros livros mas deixo isso para um próximo post. 

boas leituras

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08
Out22

Diário de leituras #2 e outras minudências

Patrícia

E por falar com rapidez ou quantidade de leitura, tenho que admitir que estas semanas foram miserável nos dois parâmetros. Ao contrário do que pensava só em 2 dias consegui ler à hora de almoço (eu sou daquelas pessoas que gosta de almoçar sozinha com um livro) e tenho saído do trabalho tão cansada que apenas tive energia para as "obrigações". 

Se pensar que estive de férias até me parece estranho estar tão cansada mas, na verdade, é porque estive de férias que estou tão cansada. Este ano tirei férias a sério, daquelas em que descansar é uma prioridade, e isso não acontecia há mais ou menos 6 anos e agora o meu corpo reaprender a relaxar e livrar-se de algum cansaço acumulado e não quer outra coisa. O trabalho tem sido muito e barulhento e complicado (coisa que não vai melhorar) e, apesar de gostar muito do que faço, ando um bocado enervada. Tenho uma lista interminável de coisas para fazer (e curiosamente a maioria são coisas que me vão dar imenso gozo e que quero muito tentar) mas não consigo pegar em nada. Na verdade ando a fazer todo o meu trabalho aos bocadinhos porque sou constantemente interrompida para ir fazer outras coisas ou para ajudar alguém a resolver um problema. Uma das razões pelas quais sou tão fã do teletrabalho é que, em casa, conseguia efectivamente despachar o que tinha para fazer, nem que fosse antes ou depois do horário de trabalho (e como não perdia tempo em viagens inúteis isso não me tirava tempo da vida privada). Agora tenho tentado não trazer trabalho para casa - não me pagam para isso e iria efectivamente ter que deixar para trás algo de pessoal e não estou disposta a fazê-lo - mas a verdade é que não estou a dar conta do recado e isso bule-me com os nervos.

Mas voltando às leituras, um ponto alto da minha semana foi a noite em que simplesmente nem ligámos a TV e fiquei a ler em silêncio. O problema é que só consigo fazer isso quando o cansaço ainda não atingiu determinado nível.

E, perguntam-me vocês, o que andas a ler, Patrícia Maria?

O livro do pó, de Philip Pullman, uma prequela da série Os mundos paralelos. Comprei dois volumes (o terceiro ainda não saiu) desta série na feira do livro do ano passado e achei que estava mais que na hora de lhes pegar, afinal tenho a trilogia inicial bem presente após ter visto a série e relido o Telescópio de âmbar. Para já acho-o ligeiramente mais infantil que Os mundos paralelos mas igualmente bem escrito. 

Em audio ouvi, finalmente, Dwanshard. Esta a guardar esta novela de Cosmere para uma daquelas alturas em que precisasse mesmo regressar a Cosmere e foi desta. Soubesse eu que os protagonistas eram Rysn, Chiri-Chiri e The Lopen e acho que não tinha resistido tanto tempo. Já sabia que esta novela pequenina (na escala Sanderson, claro) ia ser um bombom para os leitores de Cosmere, ia trazer novidades e revelações fundamentais para completar este puzzle que é uma absoluta loucura do Sanderson e que nós leitores não apenas aprovamos como encorajamos. Há uma probablidade não irrelevante de morrermos antes disto estar acabado mas, bem, journey before destination, não é?

Entretanto li também Balada para Sophie, de Filipe Melo e Juan Cavia e é, de facto, maravilhosa. A história é um doce e o livro-objecto é daqueles de pôr em exibição na estante (e um presente muito especial).

Não sou uma grande apreciadora de novelas gráficas, leio-as demasiado depressa, não consigo concentrar-me nas imagens mas confesso que alguns "quadrinhos" desta história ficaram na minha cabeça. Acredito que, se algum dia, dali sair um filme vai ser qualquer coisa de extraordinário - tem, pelo menos, o potencial para tal.

Hoje é dia de livros. A roda dos livros começou finalmente a reunir em formato físico e, como não pude participar da última vez, hoje é o dia dos meu regresso. Vai ser fantástico, já sei.

                   O-Livro-do-Po-Livro-1-La-Belle-Sauvage.jpegbalada para sophie.jpeg

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29
Jan22

Evershore, de Brandon Sanderson e Janci Patterson

Patrícia

evershore.jpg

Posso dizer que me diverti mais com esta novela que com o livro 3 da saga? oh well, digo-o de qualquer forma. 

Evershore é a terceira novela escrita a meias (?) com a escritora Janci Patterson e conta-nos mais uma aventura na preparação para o grande confronto com a superioridade, desta vez na perspectiva de Jorgen. 

Desta vez Jorgen e a sua equipa tentam resgatar Gran-Gran e Cobb que ficaram presos em Evershore, o planeta dos Kitsen. Quem lê a série pode imaginar que os fofos e divertidos Kitsen vão proporcionar-nos boas gargalhadas ao longo do livro mas é o crescimento de Jorgen que faz deste um livro especial.

Com Spin presa no Nowhere e depois do que aconteceu em ReDawn, Jorgen não está no seu melhor estado, como é facilmente perceptível. E esse luto, esse sofrimento, essa necessidade de ultrapassar os últimos acontecimentos torna-se central aqui. 

O lugar de destaque das emoções é um dos pontos fortes destes livros. Tendo em consideração que os adolescentes são o público-alvo deste livro então isso faz ainda mais sentido.

E a verdade é que é bastante divertido ouvir estas histórias. Têm um bom equilibro entre acção, worldbuilding, romance e amizade. E as "lesmas" continuam a ser adoráveis e super divertidas.

Raramente temos oportunidade de ter outras perspectivas para além da da protagonista e é refrescante ver personagens secundários crescer, tomar forma e tornarem-se tão ou mais queridos.

Depois destas novelas e como o santo diz: está o tabuleiro montado para o grande final. 

21
Jan22

Cytonic, de Brandon Sanderson

Patrícia

cytonic-1.jpg

 

Cytonic é o terceiro volume da série Skyward, uma série juvenil de ficção cientifica. Depois do primeiro volume em Detritus e do segundo em Starsight, este terceiro volume passa-se numa série de fragmentos no Nowhere. Como livro de aventuras da Spin é divertido e ternurento, como habitualmente. Como parte da série "skyward" é, perdoem-me a expressão, um livro de "encher-chouriços". Sim, há aqui algumas explicações para o que são os Delvers e a apresentação de uma série de raças de aliens bastante engraçadas mas o contributo para a série é muito, muito, pequeno. Não era de todo o que esperava deste terceiro livro. Achei-o muito ao nível das novelas que entretanto saíram. Previsível quanto baste.

Mas não estou a ser justa se não olhar para este livro do ponto de vista do público-alvo. Este livro foi escrito para miúdos, não para adultos. E é como miúda (cof, cof, cof) que tenho que o julgar.

Apesar de ser apenas um instante na vida desta história este livro é um manual sobre sentimentos.

Porque sentimos o que sentimos? Porque são os nossos sentimentos contraditórios? O que devemos fazer com eles? Como reconhecemos o que sentimos quando tantas vezes não sabemos sequer dar-lhe um nome? Como podemos ultrapassar esses sentimentos, que nos engolem, e agir? Como escolher entre a cabeça e o coração? 

Imagino-me adolescente, cheia de coisas a que mal sabia dar nome quanto mais gerir, e sentir-me completamente representada nas páginas deste livro. E isso é maravilhoso. Não foi escrito para mim mas é fácil lê-lo e sentir ternura. E rir. O M-bot continua a ser o meu personagem preferido desta história e acabou por ser ele o grande protagonista. 

Gostava imenso de ver esta série traduzida para português só para a poder oferecer a todos os adolescentes que conheço. Acho-a com potencial para criar leitores e para se tornar um daqueles livros que nos mudam para sempre. 

 

 

22
Ago21

The Reckoners, de Brandon Sanderson

Patrícia

Captura de ecrã 2021-08-22, às 17.24.05.png

The Reckoners é uma série YA do Brandon Sanderson e, apesar de eu evitar ler YA, tinha que a ler. Optei por ouvi-la (hei-de escrever mais um pouco sobre audiobooks num dos próximos post) e os dois últimos livros fizeram-me companhia nos último meses (o primeiro tinha lido/ouvido já há algum tempo).

Steelheart é uma história de vingança, com um worldbuilding à Sanderson e que se lê muito bem. Quando Calamity aparece nos céus e algumas pessoas começam a revelar super-poderes (Epics) e o pior de si, espalhando violência, morte e medo, há quem, como o pai de David, acredite que, um dia, os Épicos heróicos chegarão e salvarão o mundo. David cresce com sede de vingança e sonha matar o épico que matou o seu pai. A melhor forma de o fazer é conseguir juntar-se aos Reckoners, o único grupo que lhes faz frente e convencê-los a atacar Stealheart, o épico que reina em New Cargo e a transformou em aço. 

Firefight é o melhor dos 3 livros. David continua a ser péssimo em metáforas e desta vez acompanha o Prof e a Tia até Babylon Restored onde se juntam a uma célula de Reckoners que tenta depor Regalia. Na verdade, o objectivo de David é reencontrar Megan e ter, finalmente, algumas respostas. Com a dose certa de novidade e reencontro, temos um cenário fantástico (Babylon restored é brutal), confrontos com épicos novos quase em cada capítulo, vilões dignos desse nome, romance qb e algumas gargalhadas. 

Em Calamity, o grande final, deixou um pouco a desejar. Depois de engonhar (termo técnico, ok?) a maior parte do livro, tudo acontece (quase) sem explicação nas últimas páginas do livro. Não foi, de todo, um final como eu espero dos livros do Sanderson.

Ainda assim a série é das melhores YA qe já li e tenho pena que não estejam traduzidas e editadas por cá. 

09
Mar21

Rhythm of War, de Brandon Sanderson (sem spoilers)

Patrícia

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Ler uma série como os Stormlight Archives é  um investimento apenas compreensível para quem já o fez. São anos a ler, reler (sim, reli o Oathbringer antes de pegar neste Rhythm of War), comprometidos com os personagens. Um livro não é só um livro quando faz parte de uma série deste género. E por isso, regressar a Roshar e reencontrar personagens como o Kaladin ou a Shallan é sempre especial.

Considero este um livro ligeiramente diferente mas tão à Sanderson. Compreendo porque alguns leitores se sentiram ligeiramente desiludidos ou consideraram que foi um livro previsível mas deixem-me apenas dizer que se querem ler George RR Martin... vão ler George RR Martin. Sanderson é outra coisa e se chegaram até ao 4º volume dos SA isso já não devia ser uma surpresa para vocês. Sim, há muita coisa previsível neste livro mas...qual era a lógica dos personagens subitamente deixarem de se comportar de acordo com a sua personalidade? O worldbuilding e a forma como o autor constrói as personagens faz com que essa previsibilidade seja um dos pontos altos da sua escrita. 

Não é o meu livro favorito desta série mas mas é um grande livro. É um livro lento (e tendo em consideração que tem mais de 1200 página isso quer dizer muito), mais focado no crescimento de alguns personagens e no desenvolvimento do mundo que  na acção propriamente dita. E como estes são exactamente os pontos fortes do Sanderson, este livro não podia não ser maravilhoso.

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04
Jan20

Starsight, de Brandon Sanderson

Patrícia

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No primeiro dia do ano consegui ter umas horas para acabar de ouvir Starsight, o audiobook do momento.

Depois de ter ficado agradavelmente surpreendida com o primeiro volume da saga Skyward, uma saga juvenil de ficção cientifica, não resisti a ouvir este novo volume e, uma vez mais, gostei imenso.

Adoro o M-Bot. As conversas desta nave espacial com a Spin são absolutamente maravilhosas e ainda ganham pela interpretação feita pela narradora do audiobook. 

No primeiro volume reflectimos (entre outros temas) sobre a coragem e cobardia, o medo da morte e os problemas éticos da Inteligência artificial. O tema central deste segundo volume é a vida, a liberdade e a diferença.

O que significa exactamente estar vivo? É o livre arbítrio algo fundamental para se "estar vivo"? 

A diferença sempre foi um problema para a humanidade. Guerras, genocídios, "O" holocausto, sempre foram as consequências de não olharmos para os outros como iguais apesar de diferentes.  Temos muitos nomes para isso: racismo, machismo, xenofobia mas tudo se resume ao preconceito e à incapacidade de olharmos para a diferença como normal e para os outros, aqueles que são fundamentalmente diferentes de nós, como alguém com os mesmos direitos e deveres (e que merecem oportunidades similares). Neste livro, Spensa, consegue infiltrar-se na comunidade do inimigo e acaba por ter uma enorme surpresa...

Por coincidência, no dia em que comecei a escrever este texto li uma reportagem no expresso e este excerto (podem seguir o link para o texto completo) que diz exactamente aquilo que passo a vida dizer a quem não percebe porque é que eu gosto tanto de fantasia e ficção científica.

É comum dizer-se que a melhor ficção científica não se ocupa verdadeiramente do futuro mas de questões humanas e sociais do presente. Isso é seguramente verdade no caso de autores como Ursula K. Le Guin ou, entre a nova geração, China Miéville. É também verdade no caso de Fundação, que tem um lugar cimeiro indiscutível no cânone deste género literário e que aqui deixo como sugestão de leitura para 2020.

 

04
Set19

Há livros e livros, há YA e YA

Patrícia

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Li, há pouco tempo, o Skyward, do Brandon Sanderson , um YA de ficção cientifica e, por ter gostado tanto, resolvi ignorar a auto-censura que faço aos YA em geral e aos YA de fantasia em particular e dar uma hipótese à escritora Cassandra Clare a ao seu Cidade dos Ossos. 

O do Sanderson li porque... bem, é Sanderson. Acho que aquele homem conseguia fazer da lista telefónica uma cena interessante e o da série Caçadores de Sombras li porque veio bem recomendado. Vou a meio deste Cidade dos Ossos e estou a ter muita dificuldade em continuar, confesso. 

É, para mim, perfeitamente claro porque é que gostei tanto do Skyward e porque é que o Cidade dos Ossos não me consegue sequer manter interessada.

Lembram-se de vos ter falado da teoria dos três níveis numa história? Pois, eu vivo (vá, leio) para momentos nível 3. 

Para quem não percebeu muito bem essa teoria, este talvez seja o exemplo certo.

Skyward é uma história bastante competente no nível 1(vário momentos Top Gun, com a sua escola de voo), como FC encaixa-se tipicamente num nível 2 (a Ficção cientifica por natureza é uma crítica e uma análise à sociedade actual) mas tem momentos nível 3 fenomenais.

Boa parte do livro reflecte sobre a noção de coragem e cobardia. O que é, o que define um cobarde? Quem, na sociedade, define estes conceitos? A presença de M-Bot, uma nave cheia de personalidade e humor muito especial leva-nos às questões éticas que rodeiam a inteligência artificial. O luto é assunto central e o medo e a reacção humana à morte é abordada quando M-Bot tenta compreender porque é que os Humanos têm medo de morrer. Sem esquecer que este livro é um YA, estes temas estão lá, são incontornáveis e fazem com que o livro cumpra uma das principais funções da literatura: acrescentar algo, transformar o leitor.

O Cidade dos Ossos cumpre a função de entretenimento -nível 1,  e isso não é de ignorar ou menosprezar mas não cumpre, pelo menos até meio do livro, nenhum dos outros níveis. Há uma duas tentativas mal conseguidas de ter um momento nível 3 mas mais nada. 

1540-1.jpg

 

Para já ainda não me quero prenunciar sobre o mundo dos Caçadores de Sombras nem a magia existente por lá (sem grandes novidades para já mas talvez ainda seja cedo para o dizer taxativamente) mas posso também dizer que a tradução não ajuda (para verem o nível há lá uma parte em que - to score - no sentido "safou-se com a moça" é traduzido por "fazer um golo" ).

 

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