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Ler por aí

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29
Jan22

Evershore, de Brandon Sanderson e Janci Patterson

Patrícia

evershore.jpg

Posso dizer que me diverti mais com esta novela que com o livro 3 da saga? oh well, digo-o de qualquer forma. 

Evershore é a terceira novela escrita a meias (?) com a escritora Janci Patterson e conta-nos mais uma aventura na preparação para o grande confronto com a superioridade, desta vez na perspectiva de Jorgen. 

Desta vez Jorgen e a sua equipa tentam resgatar Gran-Gran e Cobb que ficaram presos em Evershore, o planeta dos Kitsen. Quem lê a série pode imaginar que os fofos e divertidos Kitsen vão proporcionar-nos boas gargalhadas ao longo do livro mas é o crescimento de Jorgen que faz deste um livro especial.

Com Spin presa no Nowhere e depois do que aconteceu em ReDawn, Jorgen não está no seu melhor estado, como é facilmente perceptível. E esse luto, esse sofrimento, essa necessidade de ultrapassar os últimos acontecimentos torna-se central aqui. 

O lugar de destaque das emoções é um dos pontos fortes destes livros. Tendo em consideração que os adolescentes são o público-alvo deste livro então isso faz ainda mais sentido.

E a verdade é que é bastante divertido ouvir estas histórias. Têm um bom equilibro entre acção, worldbuilding, romance e amizade. E as "lesmas" continuam a ser adoráveis e super divertidas.

Raramente temos oportunidade de ter outras perspectivas para além da da protagonista e é refrescante ver personagens secundários crescer, tomar forma e tornarem-se tão ou mais queridos.

Depois destas novelas e como o santo diz: está o tabuleiro montado para o grande final. 

21
Jan22

Cytonic, de Brandon Sanderson

Patrícia

cytonic-1.jpg

 

Cytonic é o terceiro volume da série Skyward, uma série juvenil de ficção cientifica. Depois do primeiro volume em Detritus e do segundo em Starsight, este terceiro volume passa-se numa série de fragmentos no Nowhere. Como livro de aventuras da Spin é divertido e ternurento, como habitualmente. Como parte da série "skyward" é, perdoem-me a expressão, um livro de "encher-chouriços". Sim, há aqui algumas explicações para o que são os Delvers e a apresentação de uma série de raças de aliens bastante engraçadas mas o contributo para a série é muito, muito, pequeno. Não era de todo o que esperava deste terceiro livro. Achei-o muito ao nível das novelas que entretanto saíram. Previsível quanto baste.

Mas não estou a ser justa se não olhar para este livro do ponto de vista do público-alvo. Este livro foi escrito para miúdos, não para adultos. E é como miúda (cof, cof, cof) que tenho que o julgar.

Apesar de ser apenas um instante na vida desta história este livro é um manual sobre sentimentos.

Porque sentimos o que sentimos? Porque são os nossos sentimentos contraditórios? O que devemos fazer com eles? Como reconhecemos o que sentimos quando tantas vezes não sabemos sequer dar-lhe um nome? Como podemos ultrapassar esses sentimentos, que nos engolem, e agir? Como escolher entre a cabeça e o coração? 

Imagino-me adolescente, cheia de coisas a que mal sabia dar nome quanto mais gerir, e sentir-me completamente representada nas páginas deste livro. E isso é maravilhoso. Não foi escrito para mim mas é fácil lê-lo e sentir ternura. E rir. O M-bot continua a ser o meu personagem preferido desta história e acabou por ser ele o grande protagonista. 

Gostava imenso de ver esta série traduzida para português só para a poder oferecer a todos os adolescentes que conheço. Acho-a com potencial para criar leitores e para se tornar um daqueles livros que nos mudam para sempre. 

 

 

07
Abr19

Royal Assassin, de Robin Hobb

Patrícia

royal assassin.jpg

 

Depois de um início pouco auspicioso, porém com fé em quem me dizia que isto ia melhorar, aventurei-me no segundo volume da história de Fitz. E, confesso, este segundo volume conquistou-me. 

No início deste livro, Fitz está a recuperar da tentativa de assassinato e do sacrifício de Nosy. Está quebrado e é cedo que percebo que poucos escrevem a solidão e o medo de ter perdido tudo como a Robin Hobb. Não é propriamente a lealdade a Shrewd que o leva de volta a Buckkeep mas sim Molly e uma visão. Rapidamente se vê enredado nas intrigas da corte, continuando o seu trabalho como kingsman ao mesmo tempo que tem que ser o sempre foi para Patience, Burrich e Molly. 

Robin Hobb não nos deixa esquecer (e isso é de salientar) que, mesmo sendo tudo isto, Fitz é um miúdo. 

Acho que foi essa capacidade de escrever o que é ser humano que me conquistou. As personagens deste livro estão longe de ser perfeitas. Longe de ser boas ou más. Com excepção do Regal que, de facto, não se mostrou ainda minimamente humano (os maus desta fita ainda não me convenceram, apesar de já terem atingido o estatuto de vilões a sério), todos os outros são muito bem construídos. É difícil não sentir empatia com quem, apesar de ter tão boas intenções, comete tantos erros como aquele grupo.

Neste segundo volume deliciei-me com a magia Wit. Estabelecer um laço com um lobo? Adoro o Nighteyes e acima de tudo gosto deste meio termo a que a autora chegou: ela não deu ao lobo características humanas nem uma consciência humana - e isso é muito difícil de fazer tendo em consideração que o transformou numa personagem importante. Mas disto falaremos melhor quando escrever a opinião do terceiro livro.

O que não me convenceu (ainda) neste volume - e sei que é mais culpa deste meu feitio que da autora - é o romance entre a Molly e o Fitz. Chamem-me "coração de pedra"  mas não senti grande tristeza quando ela resolveu ir embora (e sim, eu percebi quem é esse ser que ela ama mais que tudo - não haverá quem não o perceba). A verdade é que a Molly merece muito mais que o Fitz. Merece mais que ser uma terceira escolha. Merece mais que passar uma vida inteira à espera que ele se digne a escolhê-la.  E merecia, acima de tudo, ser alvo da confiança dele. A moça subiu imenso na minha consideração quando se fartou e tomou as decisões que ele não tomou.

O Fool continua a ser a minha personagem preferida. E era sempre que ele aparecia que eu me emocionava. A dor, a dedicação, o sacrifício e sofrimento de quem vive para outro, para mitigar o sofrimento dos outros. Tanto nesta personagem pode servir para reflectirmos sobre a vida e morte. E, como "de sábios e de loucos, todos temos um pouco", é impossível não ter a convicção que ele é o mais sábio de todos.

Kettricken e Verity cresceram e tornaram-se nas personagens que espera. Ela é das mais interessantes personagens do livro, ele ainda não atingiu nem perto do seu potencial. Mas este é um romance que me agradou.

Como já disse antes, Regal tornou-se o vilão incontestado mas, para ser um grande vilão, precisava de não ter uma outra dimensão. Claro que isso é especialmente difícil porque estamos a ver sempre através dos olhos de Fitz. O problema dos livros na primeira pessoa é precisamente esse. Ainda assim, as cenas de tortura que ele protagonizou deixaram-me estarrecida. A forma como a escritora as escreveu, privilegiando as emoções às dores físicas, conseguindo transmitir toda a dor, abandono, desespero e desesperança que o Fitz sentiu foi magistral e elevou bastante as minhas expectativas para a terceira parte desta história (que não é trilogia nenhuma, é uma história dividida em três - ou mais, dependendo das edições - exactamente como o Senhor dos Anéis).

 

14
Mar19

The Assassin's Apprentice, de Robin Hobb

Patrícia

Assassin's apprentice.jpg

Fitz fitz fice fitz. Fatz sfitz

FitzChivalry Farseer, bastardo de Chivalry, o príncipe herdeiro dos Six Duchies é entregue à família do pai aos 5 anos. Sem lugar na corte, acaba por crescer, sem nunca conhecer o pai (que acaba por abdicar do trono), aos cuidados de Burrich, o responsável pelos animais em Buckkeep. Um bastardo tem que encontrar o seu lugar. Mas não deixa de ser uma falha no plano, uma carta fora do baralho, que cria todo um leque de novas possibilidades.

"Do you think I keep you alive because I am so entranced with you? No. It is because you create so many possibilities. While you live you give us more choices. The more choices, the more chances to steer for calmer water. So it is not for your benefit, but for the Six Duchies that I preserve your life. And your duty is the same. To live so that you may continue to present possibilities.”

Este primeiro livro da série, conta-nos o crescimento de Fitz, o bastardo, como King's Man, como aprendiz de assassino, como ajudante de tratador de animais, como adolescente.

Não posso dizer que tenha sido o melhor livro de fantasia que li na vida. Não me foi difícil entrar na história mas foi complicado convencer-me a continuar - confesso que, de início, não me interessei muito pelo que andava Fitz a fazer mas sabendo a paixão que a Célia e a Carla tem por esta saga tinha mesmo que chegar ao fim. E senti muito a falta de um verdadeiro anti-herói, de um verdadeiro antagonista.

Tendo ouvido o audiobook, narrado por Paul Boehmer, fiquei bastante surpreendida quando, numa busca para perceber como raio se escreviam o nome dos personagens (tenho sempre este problema), percebi que este livro é de 1995. Nem imaginam como gostaria de ter lido este livro nessa altura - não só teria gostado muito mais como o teria lido inúmeras vezes (que é como os livros de fantasia devem ser livros) e nenhum dos seus segredos me teria passado ao lado.

Mas, não tendo sido o melhor dos livros de fantasia que já li, é um bom livro e tem um enorme potencial. 

(a partir de agora poderá haver alguns spoilers... nada que estrague a leitura mas sigam por vossa conta e risco)

 

Fitz, o nosso protagonista, conta-nos a sua história na primeira pessoa, o que significa que ao longo de todo o livro vemos os acontecimentos pelos olhos de miúdo. Às vezes vemos um bocadinho mais que ele (aquela mania de ser um King's man... vá, convenhamos que todos a percebemos quando o Verity contou ao Fitz o que Chiv tinha feito ao Galen quando eram miúdos) outras deixamo-nos enganar, sorrimos e sofremos com ele. Mas ainda não me "apaixonei" por esta personagem. Falta qualquer coisa nem vos sei explicar bem o quê. A personalidade dele ainda não está bem formada, as escolhas ainda não são bem dele e só no fim, mesmo no final deste livro, comecei a interessar-me pelas suas escolhas.

Mas gostei imenso de algumas das personagens deste Assassin's Apprentice.

Burrich ainda nos irá surpreender. É, desde o início, óbvio que também possui o talento para a ligação provocada pelo Wit e tem sido um bocadinho irritante por causa disso mas é daqueles que ainda vai aprender. E é, de facto, o pai do Fitz. Não o progenitor mas o pai.

Adoro a Lady Patience. Adoro. Deposito algumas fichas nela e no papel que ainda vai desempenhar.

E gosto muito do Verity. Ele e a Kettricken ainda vão provocar bons momentos de leitura. Da Molly e do Shrewd será inevitável falarmos nos próximos livros mas para já nem um nem outro me deixaram grande impressão.

O Galen desiludiu-me como vilão. Demasiado a preto e branco. A história do Chivalry com ele lá lhe deu alguma cor mas foi só de passagem. O Regal é, para já, apenas irritante e ainda terá que crescer muito para se tornar realmente o antagonista desta história (mas é ele a minha primeira aposta para o lugar) a não ser que apareça alguém verdadeiramente marcante nos Red-Ship (esta parte bem que podia ter sido um bocadinho mais desenvolvida mas lá chegaremos, não é?)

Já perceberam para quem vai o meu amor e entusiasmo nesta história, não é?

Pois, isto valeu pelo Fool e pelo Chade. Quem ou que género de criatura é o Fool? E o que vou sofrer quando o Chade morrer? Gosto tanto dele mas o mentor morre sempre... (ca nervos). 

Outro ponto forte do livro é o(s) sistema(s) de magia. Wit e Skill. Quero muito saber mais sobre ambas e se tivesse que escolher uma para mim, nem hesitava. Wit, obviamente. Ainda não recuperei do destino que Nosy e Smithy tiveram. Não se faz.

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