07
Set12
A escriba, de Antonio Garrido
Patrícia
Comecei este livro com bastante curiosidade e expectativas relativamente altas. E fiquei absolutamente desiludida. Mauzinho. Custou-me a acabar e fi-lo apenas por pura força de vontade.
A história podia ser engraçada se o autor soubesse guardar segredos e não denunciar cada pensamento e sentimento dos personagens. Quase como se o leitor fosse demasiado burro para perceber pelos actos e palavras quem é aquele personagem.
Este livro conta-nos a história de Theresa, filha de um escriba e também ela com pretensões a sê-lo. Theresa acaba por fugir da cidade onde vive acusada de um crime que não cometeu e, após algumas aventuras (mas sempre com a sorte do seu lado), torna-se escriba ao serviço de Alcuino, homem do clero, inteligente e homem de confiança de Carlos Magno. Gorgia, o pai de Theresa tem um papel central na história e a sua personagem é, apesar de ser muito pouco aproveitada na história, a que mais me agradou.
Não gostei da escrita de Antonio Garrido. Simples apesar dos inúmeros termos em latim e que ora despeja factos históricos ora descreve ao pormenor cenas completamente desnecessárias. Há partes em que só falta escrever "Theresa levou a mão ao nariz e descobriu uma borbulha o que a deixou muito triste"....
Theresa é talvez, a "heroína" mais burrinha da história - o que surpreende considerando que é ela que descobre tudo e é a única mulher do mundo a ler e escrever grego e latim - que cai em todas as esparrelas, faz asneiras impensáveis mas ainda assim safa-se e tem-se em alta conta.
Acho que o melhor que posso dizer deste livro é que passei 95% do tempo com vontade de dar um par de estalos à Theresa e um livro que nos consegue transmitir algo tão forte tem necessariamente algo de bom.
Sinceramente, não aconselho.