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Ler por aí

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09
Abr14

A segunda morte de Anna Kerénina, de Ana Cristina Silva

Patrícia
Um livro dividido em dois. Não sei o levou a escritora auni-los mas essa ligação ténue não foi para mim suficiente. Mais que um livro,foram dois contos que li.
A primeira parte conta-nos a história de Rodrigo, um oficialPortuguês na primeira grande guerra. As cartas que Rodrigo escreve a Eduardo eque este deixa no seu túmulo revelam um homem que poucos conheceram, revelam averdade da mentira que este homem viveu. Por outro lado são um testemunho dapresença Portuguesa na 1º Guerra Mundial, coisa que tantas vezes temostendência a esquecer.
Das duas partes deste livro esta foi a de que gostei menos.Não gostei especialmente de Rodrigo e o pouco que conheço do início do séculoXX fez-me ter muitas dúvidas relativamente à possibilidade de alguém “pensar” daquela forma. Parece-me umdiscurso demasiado atual pontuado por algumas indicações do quão fechada epreconceituosa era a sociedade na época.
A escritora uniu as histórias de Rodrigo e de Violanteatravés de um “pormenor” comum a ambos (convenhamos que serem mãe e filho nestecaso é apenas um pormenor de somenos importância) e umas cartas encontradas numtúmulo. Ora esta foi a parte que mais me incomodou neste livro: um jazigo defamília é aberto inúmeras vezes, é visitado amiúde (naquela época muito mais doque hoje) além de que é referido que o jazigo ainda tem espaço para mais 3cadáveres, tornando difícil que o caixão esteja de alguma forma num espaçofechado pelo que  não me parece que aprobabilidade de tais cartas serem encontradas seja pequena. Ora considerando oconteúdo das cartas tudo isto se torna inverosímil e este subterfúgio encontradopela escritora para unir as cartas torna-se ridículo.
A segunda parte do livro conta-nos a história de Violante,uma atriz fabulosa, uma mulher apaixonada, impetuosa e vibrante. Confesso queadorei Violante. Leria muito mais páginas acerca deste mulher. Gostei do toquefinal que a escritora deu a esta parte. Li estas páginas quase de umaassentada, achei que o ritmo desta parte foi muito diferente do da primeiraparte e muito mais do meu agrado. Contar-vos mais alguma iria estragar aleitura, por isso não o faço.
No geral gostei do livro, mais um que li graças à Roda dosLivros (deixo-vos aqui o link para outras opiniões sobre esta mesma história). Obrigada, Márcia .