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Ler por aí

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28
Mar22

A Noiva Judia, de Nuno Nepomuceno

Patrícia

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Num livro que é, claramente, o fim de um ciclo, o Nuno escreveu os leitores. Este é uma espécie de presente para quem acompanhou a série do princípio ao fim e viu agora desvendados os segredos, os porquês e o que aconteceu no "e depois viveram felizes para sempre", mas sem o felizes que isto é um thriller e sangue, mortes macabras e temas polémicos é o que não falta. 

Com um ritmo rápido, e dicas suficientes para que nos recordemos e quem é quem nesta saga, o autor dá um nó nesta história e faz o Afonso passar maus bocados. Como habitualmente os temas da ordem dos dia estão presentes nestas páginas tal como uma série de referências, mais ou menos subtis, ao mundo literário. 

Duas mortes dão o mote para mais uma história. Quem os matou, porquê? Será Diana capaz de deixar no passado quem quer ficar no passado? Podemos também falar de redenção, de acções e consequências, de amizade, de perda (e da Sofia, Nuno, temos que falar da Sofia!).

Este é um livro inevitável para quem tem acompanhado a saga de Afonso Catalão.

29
Jan22

Evershore, de Brandon Sanderson e Janci Patterson

Patrícia

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Posso dizer que me diverti mais com esta novela que com o livro 3 da saga? oh well, digo-o de qualquer forma. 

Evershore é a terceira novela escrita a meias (?) com a escritora Janci Patterson e conta-nos mais uma aventura na preparação para o grande confronto com a superioridade, desta vez na perspectiva de Jorgen. 

Desta vez Jorgen e a sua equipa tentam resgatar Gran-Gran e Cobb que ficaram presos em Evershore, o planeta dos Kitsen. Quem lê a série pode imaginar que os fofos e divertidos Kitsen vão proporcionar-nos boas gargalhadas ao longo do livro mas é o crescimento de Jorgen que faz deste um livro especial.

Com Spin presa no Nowhere e depois do que aconteceu em ReDawn, Jorgen não está no seu melhor estado, como é facilmente perceptível. E esse luto, esse sofrimento, essa necessidade de ultrapassar os últimos acontecimentos torna-se central aqui. 

O lugar de destaque das emoções é um dos pontos fortes destes livros. Tendo em consideração que os adolescentes são o público-alvo deste livro então isso faz ainda mais sentido.

E a verdade é que é bastante divertido ouvir estas histórias. Têm um bom equilibro entre acção, worldbuilding, romance e amizade. E as "lesmas" continuam a ser adoráveis e super divertidas.

Raramente temos oportunidade de ter outras perspectivas para além da da protagonista e é refrescante ver personagens secundários crescer, tomar forma e tornarem-se tão ou mais queridos.

Depois destas novelas e como o santo diz: está o tabuleiro montado para o grande final. 

22
Jan22

O Alegre Canto da Perdiz, de Paulina Chiziane

Patrícia

O-Alegre-Canto-da-Perdiz.jpg

Fiquei fascinada nas primeiras páginas. Esse assombro pela forma como alguém pode escrever desta forma não me deixou durante toda a leitura. Paulina Chiziane transforma as palavras em imagens, embeleza-as mesmo quando o que conta é feito. Acho que ela tem razão e contadora de histórias assenta-lhe melhor que escritora. Ela é mais que "apenas" uma escritora (como se fosse pouco, ser escritor). Este foi o primeiro livro da escritora que li e envergonho-me um pouco por admitir que até ela ganhar o prémio Camões não a conhecia. Esta é, também, a importância dos prémios, dar visibilidade a quem a merece. Este é um livro que ganhava ainda maior poesia em formato áudio. 

Neste livro contam-se histórias de mulheres, de racismo, de colonialismo, de morte. Em cada página perguntamo-nos como é possível convencer alguém que é menos, que é menor, por ser mulher ou por causa da cor da pele. Como é possível tratar gente como coisa que se compra e se vende, que não tem valor ou tem o valor de mercado. Em cada página olhamos para as consequências do passado, que continuam a escrever o presente. Este é um livro cheio de África, de mulheres africanas a quem lhes foi roubada a vida dos braços, filhos, irmãos, pais, e que se tornaram raizes do mundo. 

"Os mais velhos suspiram por ela:  Delfina, como era bela! Delfina, a rainha! Que desafiou brancos, desafiou o sistema, entrou na guerra, ganhou e perdeu, e pela vida se perdeu. Por isso a sua vida foi transformada em canto, em conto, em poema. Ela é parábola e ditado. Provérbio. Esta é a Delfina"

"Foi a partir desse momento que começou a olhar em volta. E viu que os negros eram muito negros. Que os brancos eram muito brancos. Diante dos pretos chamavam-lhe branca. E não queriam brincar com ela. Afastavam-na, falavam mal da mãe e diziam nomes feios. Diante dos brancos chamavam-lhe preta. Também corriam com ela, falavam mal da mãe e chamavam.lhe nomes feios"

"Mãe, porque me fez assim tão escura?"

 

21
Jan22

Cytonic, de Brandon Sanderson

Patrícia

cytonic-1.jpg

 

Cytonic é o terceiro volume da série Skyward, uma série juvenil de ficção cientifica. Depois do primeiro volume em Detritus e do segundo em Starsight, este terceiro volume passa-se numa série de fragmentos no Nowhere. Como livro de aventuras da Spin é divertido e ternurento, como habitualmente. Como parte da série "skyward" é, perdoem-me a expressão, um livro de "encher-chouriços". Sim, há aqui algumas explicações para o que são os Delvers e a apresentação de uma série de raças de aliens bastante engraçadas mas o contributo para a série é muito, muito, pequeno. Não era de todo o que esperava deste terceiro livro. Achei-o muito ao nível das novelas que entretanto saíram. Previsível quanto baste.

Mas não estou a ser justa se não olhar para este livro do ponto de vista do público-alvo. Este livro foi escrito para miúdos, não para adultos. E é como miúda (cof, cof, cof) que tenho que o julgar.

Apesar de ser apenas um instante na vida desta história este livro é um manual sobre sentimentos.

Porque sentimos o que sentimos? Porque são os nossos sentimentos contraditórios? O que devemos fazer com eles? Como reconhecemos o que sentimos quando tantas vezes não sabemos sequer dar-lhe um nome? Como podemos ultrapassar esses sentimentos, que nos engolem, e agir? Como escolher entre a cabeça e o coração? 

Imagino-me adolescente, cheia de coisas a que mal sabia dar nome quanto mais gerir, e sentir-me completamente representada nas páginas deste livro. E isso é maravilhoso. Não foi escrito para mim mas é fácil lê-lo e sentir ternura. E rir. O M-bot continua a ser o meu personagem preferido desta história e acabou por ser ele o grande protagonista. 

Gostava imenso de ver esta série traduzida para português só para a poder oferecer a todos os adolescentes que conheço. Acho-a com potencial para criar leitores e para se tornar um daqueles livros que nos mudam para sempre. 

 

 

09
Jan22

O Coração é um Caçador Solitário, de Carson McCullers

Patrícia

carson mccullers.png

 

Há livros que têm cores e este é todo em tons de cinza e castanho.

Uma fascinante teia de histórias, com um surdo como o ponto de convergência. À sua volta gravitam uma miúda cheia de música, um barman com um estranho sentido de estética, um comunista bêbado e um médico desiludido. Cada um destes personagens faz de Singer o seu melhor ouvinte e dele constrói uma imagem à medida da sua imaginação e vontade. A solidão de Singer rivaliza com a de cada um deles e deixa-nos a nós, leitores, com o coração apertado.

Um magnífico livro sobre solidão, amor e amizade, temas que são abordados de uma forma dolorosamente realista e desesperançosa.

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