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Ler por aí

Ler por aí

21
Mar21

A inquilina de Wildfell Hall, de Anne Brontë

Patrícia

a inquilina de Wildfell hall.jpg

Muitas vezes temos ouvido e lido que é importante analisar um texto à luz do seu tempo e não de acordo com os actuais valores sociais. Ora, esta frase, correcta e tão importante tem um quê de arrogância e de hipocrisia  que não me apetece neste momento esmiuçar. Mas o que dizer quando um livro publicado em 1848  retrata de forma tão real a actualidade e poderia passar, não fosse este ser um clássico bastante conhecido e aclamado, por um romance meio distópico carregadinho de crítica social? Não deixo de ter alguma vontade de rir (aquele rir meio desesperado) por acreditar piamente que Anne Brontë seria hoje considerada um misto entre beata e feminista histérica. 

Não me vou alongar muito a respeito da história (mas não aconselho a que quem não leu o livro continue a ler este texto) somente que se trata de um romance epistolar que conta a história de uma mulher, a sua luta pelo direito a ter uma palavra a dizer no seu destino, na sua vida e na educação do seu filho. 

É assustador como tanto tempo nos separa do momento em que foi escrito mas estão nestas páginas os piores medos e receios de tantas mulheres (e homens). A violência psicológica, a dependência patológica, a noção de posse por um lado e por outra o romantismo de "comigo ele muda, eu posso ser a diferença na vida dele, a influência que transforma o bad boy em moço decente". A violência física, aquela "se ela a isso me obriga, a culpa não é minha". A sociedade e os seus duplos critérios (aliás, no início do livro ficamos sem dúvidas sobre o tom do que se vai seguir) - e em caso de dúvida, ela é sempre a culpada. Não falta sequer o salvador, que sabe perfeitamente do que ela precisa, afinal só ele a pode salvar e proteger. Ela pode não o saber, afinal é mulher, mas ele bem o sabe e tem-lhe tanto amor e respeito que é sem dúvida aquele de quem ela precisa. Curiosamente e bem, também aqui fica bem patente que a violência não é apenas num sentido e que os homens também podem ser maltratados. 

Não posso deixar de realçar a relavância deste romance nos dias de hoje e a forma como Anne Brontë se tornou, com este livro, a minha favorita das irmãs Brontë.

 

14
Mar21

Apneia, de Tânia Ganho

Patrícia

Apneia.jpg

Sei que não vou ter palavras para vos transmitir o quão impactante e importante este livro é.

Li-o em pouco mais de 24 horas, de forma compulsiva. Não me lembro de quando foi a última vez que me aconteceu ter necessidade e oportunidade para roubar tantas horas ao sono. Não vos vou conseguir dizer que gostei deste livro porque não há, nestas páginas, nada para gostar. É tanto sofrimento, tristeza, raiva, violência que se torna impossível mesmo respirar. Mas é um livro do caraças. Importante.

Não retrata algo com o que me identifique (e ainda bem porque, sinceramente, eu não aguentava aquilo) nem é um livro do qual me apeteça falar, discutir, partilhar. Mas é um livro que me marcou profundamente e esse é o maior elogio que lhe posso fazer. E agora tenho que ler todos os livros que a Tânia Ganho escreveu.

 

13
Mar21

Cidade infecta, de Teresa Veiga

Patrícia

cidade infecta.jpg

 

Eis um livro que comprei por impulso após ter ouvido imensos elogios à escritora. 

Foi um livro fácil de ler, muito bem escrito, mas não cumpriu as expectativas que tinha. Pelo que depois fui lendo e ouvindo por aí é opinião unânime que não é dos melhores da escritora e que o melhor é ler os seus contos antes de formar uma opinião definitiva. Apesar de não ser uma enorme apreciadora de contos, admito que talvez esta história tivesse funcionado melhor num conto.

Anabela e Rogério, Raquel e Pedro, dois casais que vamos acompanhando ao longo destas páginas. É estranho porque a primeira coisa que me vem à cabeça quando me lembro deste livro é que todas estas personagens são banais mas a verdade é que acho extremamente difícil sentir empatia com qualquer uma delas. Talvez porque seja difícil encontrar um adjectivo simpático para os descrever. Não há personagem nestas páginas que não seja mesquinho, oportunista, maldoso. Achei-o um (triste) retrato da realidade. E isso é o que ao mesmo tempo me faz gostar e não gostar deste livro.

 

12
Mar21

O Cardeal, de Nuno Nepomuceno

Patrícia

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Começar o ano de leituras com um livro do Nuno já se tornou uma tradição. É verdade que li este  livro em Fevereiro mas foi o primeiro que comecei em 2021 (sim, levei quase 2 meses a ler o Rhythm of War). 

Este é o quinto livro da série Afonso Catalão. Um óptimo livro (mas o Pecados Santos continua a ser o meu preferido) que li num instante. Capítulos curtos, leitura rápida como se quer num thriller. Tem, como não podia deixar de ser nesta série, uma grande componente religiosa. Mas cada vez mais o autor explora outros caminhos e isso foi algo que me interessou bastante. 

É perfeitamente possível lê-lo sem ter lido os anteriores mas a verdade é que nestas páginas há demasiados spoilers para os livros anteriores o que, para quem gosta de começar a ler cada livro sem saber nada da história, pode não funcionar muito bem. Por outro lado, a forma como o autor recupera alguns pormenores importantes dos livros passados, pode ser visto como uma espécie de provocação para quem não os leu. Quem tem "memória de peixe de aquário" e não gosta de séries porque "já não me lembro dos outros" pode começar esta leitura sem medo.

Logo de início somos confrontados com a morte de uma criança e de uma idosa. O principal suspeito já é um nosso conhecido, o Adam, e cedo na história percebemos que Afonso pretende descobrir se ele é, ou não, o culpado. Não pensem que os crimes do Nuno ficam por aqui, até porque, como já é habitual, neste livro são exploradas duas histórias distintas, a que se passa em Cambridge e a que se passa no Vaticano. E mais não digo porque não pretendo estragar-vos a leitura. Mas podem esperar crimes macabros, intrigas vaticanistas e uma investigação (também por parte dos nossos já conhecidos Diana e Afonso).

Prefiro chamar-vos a atenção para alguns pontos deste livro que me interessaram particularmente e que têm sido muito referidos nas muitas opiniões a este livro. Interessei-me mais pela história passada em Cambridge que pela passada no Vaticano (talvez porque os temas explorados nessa vertente da história já o tenha sido nos livros anteriores ou por a minha "relação" com igreja/vaticano não ser lá essas coisas).  

O Afonso é o fio condutor de toda série de livros e através dele temos acompanhado o percurso e a doença do Imã Yusef. Gosto que o Nuno não se esqueça de lhe fazer referências e que não seja mais uma personagem a desaparecer assim que a relevância do seu papel diminui. Essa preocupação demonstra o cuidado do autor na construção (e na coerência) dos personagens.

Também vos queria chamar a atenção para o destaque que o Nuno dá à função de cuidador. Independentemente do papel que este tema tem (ou não) para a história não queria deixar passar sem uma referência.

Houve várias perguntas que ainda ficaram sem resposta e por isso atrevo-me a dizer que a série Afonso Catalão ainda está para durar. Além de que preciso que o Nuno dê algumas vitórias à Diana.

Para quem ainda  não sabe há alguns contos que ajudam a perceber algumas coisas nos livros e há um podcast, o Assassino, que é também um complemento importante a este e aos outros livros. 

 

 

 

 

 

 

 

09
Mar21

Rhythm of War, de Brandon Sanderson (sem spoilers)

Patrícia

RW.JPG

 

Ler uma série como os Stormlight Archives é  um investimento apenas compreensível para quem já o fez. São anos a ler, reler (sim, reli o Oathbringer antes de pegar neste Rhythm of War), comprometidos com os personagens. Um livro não é só um livro quando faz parte de uma série deste género. E por isso, regressar a Roshar e reencontrar personagens como o Kaladin ou a Shallan é sempre especial.

Considero este um livro ligeiramente diferente mas tão à Sanderson. Compreendo porque alguns leitores se sentiram ligeiramente desiludidos ou consideraram que foi um livro previsível mas deixem-me apenas dizer que se querem ler George RR Martin... vão ler George RR Martin. Sanderson é outra coisa e se chegaram até ao 4º volume dos SA isso já não devia ser uma surpresa para vocês. Sim, há muita coisa previsível neste livro mas...qual era a lógica dos personagens subitamente deixarem de se comportar de acordo com a sua personalidade? O worldbuilding e a forma como o autor constrói as personagens faz com que essa previsibilidade seja um dos pontos altos da sua escrita. 

Não é o meu livro favorito desta série mas mas é um grande livro. É um livro lento (e tendo em consideração que tem mais de 1200 página isso quer dizer muito), mais focado no crescimento de alguns personagens e no desenvolvimento do mundo que  na acção propriamente dita. E como estes são exactamente os pontos fortes do Sanderson, este livro não podia não ser maravilhoso.

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