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Ler por aí

Ler por aí

03
Jan19

Ecologia, de Joana Bértholo

Patrícia

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Diz Ursula K. Le Guin (introdução, A mão esquerda das trevas, ed Relógio D'agua) que "A ficção ciêntifica não prediz, descreve." e que "O que os autores de ficção tentam fazer é dizer-nos como são e como nós somos - o que está a acontecer - como está o tempo hoje, agora, neste preciso momento, a chuva, o sol, olhem! Não nos dizem o que veremos e ouviremos. Podem apenas dizer-nos o que eles próprios viram e ouviram, na sua passagem pelo mundo, um terço da qual foi despendida a dormir e a sonhar e o outro terço a dizer mentiras" .

Uma distopia é sempre muito mais sobre a actualidade do que sobre o futuro. Aliás, corrigo, qualquer distopia é sempre sobre o presente, sobre as escolhas que fazemos hoje, sobre a forma como o escritor (e de certa forma o leitor) vê o mundo. Eu, enquanto leitora de fantasia considero que estes géneros - fantasia, ficção ciêntifica, distopias - são aqueles que mais comunicam e envolvem os leitores - a sua interpretação, a forma como o leitor escolhe ler estes livros é fundamental. 

Joana Bértholo, neste ecologia, apresenta-nos uma ideia (brilhante) em 3 fases: um mundo onde tudo se paga, tudo se privativa, tudo se paga... até as palavras. Sim, alguém teve a ideia de privatizar as palavras. E alguém conseguiu pôr essa ideia em prática. E uma ideia mudou o mundo. revolucionou tudo. Abriu portas, fechou portas. Ao longo desta história acompanhamos vários personagens neste percurso de privatização de tudo. Lúcia e Pablo, um casal como tantos que conhecemos, um casal a tentar manter um casamento e um filha, a Candela. Carolina e Tápio. Jeff, Darla, a Mulher-Eco, Nelson, Pedro. Cada um deles, da sua forma, a tentar viver e adaptar-se às mudanças no mundo como todos nós fazemos.

Nós temos o privilégio de viver tempos interessantes. Somos das gerações que vimos o mundo mudar. Somos as gerações que, para o bem e para o mal, mudaram o mundo. A evolução das espécies baseia-se na sobrevivência do mais apto. Hoje isso é (quase) tão verdade como no passado distante... o que mudou foi a definição de mais apto.

Sim, eu sei que estou a divagar e que pouco ou nada vos contei acerca da história mas vou deixar as coisas assim, para não estragar a leitura a quem a quiser ler.

Apenas mais duas notas.

A premissa deste livro, a ideia base, a história, é genial. A escrita é fabulosa, acho mesmo que a Joana Bértholo escreve muito bem. Mas acho que por vezes escreveu demais. O ritmo deste livro não é o que acho mais adequado para as distopias. Este tipo de livro ganha mais com uma escrita mais escorreita, ganha mais sendo de leitura compulsiva, rápida e a deixar as conclusões para o leitor. No meu ponto de vista, há demasiada reflexão - que gostava de ter sido eu a fazer. Não precisava ser conduzida pela mão da escritora. Menos 100 páginas e este seria o livro que ia, durante anos, aconselhar a toda a gente. Assim, sei que a maioria das pessoas que conheço não terão pachorra para o ler. Às vezes "menos é mais".

Uma das coisas que adorei neste livro foi a forma como o livro interage connosco. Encontrar os segredos escondidos nos QR codes espalhados nestas páginas foi bastante interessante (também quebrou um pouco o ritmo mas valeu a pena).

 

 

23
Dez18

Natal 2018 - Sugestões livrescas #23

Patrícia

É, obviamente, imprescindível falar de uma das nossas maiores vozes. Não é fácil de ler? Não, não é. Eu que o diga, que fui "obrigada" a estudar uma das suas mais famosas obras no 12ºano e fiquei um bocadinho traumatizada. Mas a qualidade e o interesse dos seus livros é indiscutível e eu quero muito ler mais dela. 

Falo, obviamente, da grande Agustina Bessa Luís e a minha sugestão é aquele que eu tenho em casa para ler (a ver se ganho coragem): A ronda da noite

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21
Dez18

Natal 2018 - Sugestões livrescas #21

Patrícia

Hoje a minha sugestão é um "dois em um": sugiro uma grande, grande escritora portuguesa e ao mesmo tempo sugiro um livro infantil, um clássico que todos nós lemos e os mais pequenos certamente irão gostar. E antes que me digam que "todos já conhecem"... os clássicos são sempre uma boa opção mas muitas vezes são preteridos porque todos acham que outros já os leram ou conhecem. 

Falo, claro, da maravilhosa Sophia de Mello Breyner Andresen e do seu eterno "A Fada Oriana"

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20
Dez18

Natal 2018 - Sugestões livrescas #20

Patrícia

Não é possível falar de mulheres escritoras em Portugal sem a incluir. Acho que não erro ao dizer que é a escritora portuguesa mais premiada e que foi considerada uma das 10 grandes vozes da literatura estrangeira (pela revista francesa LeMagazine Littéraire). E é também uma das escritora mais genuinamente simpáticas cá deste país à beira mar plantado. 

And the last but not the least... é algarvia.

Falo, obviamente, da Lídia Jorge. O meu livro preferido dela continua a ser o "O vento assobiando nas Gruas" (adoro este título) mas a sugestão de hoje é seu mais recente trabalho, Estuário.

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17
Dez18

Natal 2018 - Sugestões livrescas #17

Patrícia

Mais um livro que quero muito. Sou leitora das crónicas, fã dos títulos e ouvinte atenta mas ainda não li nenhum livro desta escritora. Bastante conhecida pelos livros de viagem, são os romances que me despertam a atenção. Depois de a ouvir no podcast Palavras de Autor, do Expresso, decidi que este seria um dos próximos livros que iria ler.

A sugestão de hoje é "A nossa alegria chegou", de Alexandra Lucas Coelho:

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14
Dez18

Natal 2018 - Sugestões livrescas #14

Patrícia

E porque todos os dias são meus, a sugestão de hoje é um pequeno livro, um livro daqueles que se lêem bem de uma assentada. A Ana Saragoça, mulher de sete ofícios, escreve muito bem e tem um delicioso livro chamado "Quando fores mãe vais ver" que é um excelente presente de Natal quer para mães, quer para filhas. As gargalhadas estão garantidas.

A sugestão de hoje:

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