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Ler por aí

Ler por aí

21
Fev12

Sombras queimadas, de Kamila Shamsie

Patrícia

Assim que a I. me ofereceu este livro fiquei cheia de curiosidade para o começar a ler. Nunca tinha lido nenhum livro sobre a bomba nuclear de Nagasáqui e achei que já era hora de colmatar essa falha. Mas a verdade é que este livro não é sobre a bomba atómica.
A personagem principal desta história é Hiroko, uma japonesa que perde o noivo Konrad aquando do lançamento da bomba atómica em Nagasáqui. Hiroko não sai incólume desta tragédia e transporta consigo as inevitáveis marcas físicas e psicológicas.
Um dos saltos temporais desta narrativa leva-nos até à India (Deli) de 1947. É aqui que a vida pós-bomba de Hiroko começa realmente.
É a primeira vez que leio um livro de Kamila Shamsie e fiquei agradavelmente surpreendida pela qualidade da escrita (linda) e pelo tom poético do livro. Foi um dos pontos mais positivos desta leitura. Apesar de pensar que ia ler um livro sobre as consequências do lançamento da bomba atómica em Nagasáqui acabei por ler um livro que conta uma história completamente diferente. É certo que as consequências da bomba estão presentes ao longo de todas as páginas do livro mas parece-me que são mais as consequências da diferença, da mistura de culturas, do racismo, da intolerância religiosa que marcam de forma irreparável a vida desta mulher. Do Japão aos Estados Unidos, passando pela India, Paquistão e Afeganistão conhecemos as pessoas que rodeiam Hiroko. O marido Sajjad, que projeta no filho os seus próprios sonhos. Ilse, a amiga, quase cunhada, que não consegue desprender-se totalmente dos ideais com os quais foi educada mas que pela força da amizade os supera e se supera. Henry, que vive uma vida dupla. Raza, que nunca se vai perdoar por ter sido tolo e inocente. Kim, que  é a minha personagem favorita. Porque ela é aquilo que somos (quase) todos mas que apregoamos não ser. Leal, mas apenas à sua maneira. Corajosa. Fraca. Parcial. Kim é o retrato do ocidente, o pior de todos. E é a minha personagem favorita porque cada vez que me lembrar dele lembrar-me-ei do que os fins não justificam os meios, de que as boas intenções não são o suficiente, de que cada ação tem uma consequência.
Confesso que fiquei um bocadinho abananada com este livro. Mas que gostei muito de o ler.

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