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Ler por aí

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16
Set13

Revolução Paraíso, de Paulo M. Morais

Patrícia
O cravo vermelho desta maravilhosa capa transporta-nos de imediato para o 25 de Abril de 1974, a revolução pacífica que tanto nos orgulha.
E é precisamente pouco depois dessa altura que se inicia este livro. 
Dois amigos, César e Adamantino, estão na Lisboa de 74 para fazer um jornal humanista. Aos dois (que me fizeram por diversas vezes lembrar os velhos jarretas dos marretas) junta-se a Deodete (que completa a santíssima trindade), Adão, Viriato, Manuel Ginja e Pandora. Estes são os nomes que fazem "A revista de Portugal". O dinheiro de Adamantino, a revisão e o perfeccionismo de César, a lealdade de Deodete, o amor à impressão de letras de Adão, a genica de Pandora dão o mote a uma estória que se entrelaça com a História.
Entre o 25 de Abril de 74 e o 25 de novembro de 75, Portugal caminhou numa corda bamba, num caminho que nos trouxe até onde estamos hoje (e diga-se  o que se quiser, estamos muito melhor do que estávamos antes do 25 de Abril e até do 25 de Novembro). É essa história que Paulo M. Morais nos conta neste livro. De uma forma extremamente detalhada relembramos acontecimentos, reconhecemos personagens que fizeram a nossa história recente. 
Este é um romance histórico, com ênfase no Histórico. Quem está à espera de um romance, esqueça.
E essa é para mim o que mais falha neste livro: a total falta de equilíbrio entre a realidade e a ficção. A estória existe apenas para contar a História. E a forma que o autor escolheu para nos aproximar dos protagonistas reais da revolução e da política é muito interessante. Infelizmente ainda me afastou mais da vida dos moradores do Ramalhão.
Este é um livro para os Portugueses. Não é um livro para quem não sabe nada do contexto histórico do PREC, do pré-25 de Abril nem do pós- 25 de Novembro. Mas para nós é fantástico. Gosto bastante de história e gostei imenso de ler um livro passado num dos mais interessantes períodos da nossa História recente. Faz-nos falta lembrar esse período. Imortalizá-lo nas páginas de um livro é sempre uma óptima ideia. Estou desejosa de dá-lo a ler a quem viveu este período para ver a reacção, para saber o que está a mais e o que está a menos.
Resumindo: se querem ler sobre História de Portugal este é o livro certo. Se querem ler um romance histórico levezinho esqueçam, não estão preparados para ler este "Revolução Paraíso".

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