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Ler por aí

Ler por aí

07
Mar13

Realidade e ficção

Patrícia
Gosto imenso de ler romances históricos. Gosto de livrossobre a atualidade. Gosto de aprender enquanto leio. Até aqui nada de novo,acredito que gostar de aprender seja algo transversal aos leitores.
O problema é saber separar o trigo do joio em relação aosdados reais e aos dados ficcionados. A maioria das histórias mistura realidadecom ficção. A bem da coerência da história alguns dados reais são indispensáveis,a bem da trama narrativa muitos dados ficcionados são necessários. E um livrobem escrito (e às vezes mesmo um livro mal escrito) faz a ficção parecerrealidade.
Isto parece óbvio, e é, por isso fico sempre tãosurpreendida quando oiço ou leio coisas que me levam a crer que há livros deficção que são lidos como se de realidade se tratasse. 
Lembro-me sempre de quando estava a ler a saga “O primeiroHomem de Roma” da Colleen McCullough (muito boa, por acaso) e haver uma notasobre como era comummente aceite que a Cleópatra era tão bonita como aElizabeth Taylor quando os registos existentes davam indicações completamentediferentes (e a noção de beleza era “ligeiramente” diferente). E não, a belezanão é fundamental historicamente mas este exemplo ajuda a dar a perceção de queum filme ou um livro pode fazer a diferença.
Um outro exemplo é o do “Evangelho do Enforcado” onde oDavid Soares apresenta uma série de teorias (baseadas em teorias dehistoriadores) diferentes da História que aprendemos nos bancos da escola (efiquei traumatizadíssima com os dados sobre o Infante D. Henrique).
Neste caso nãodescarto certos dados que o escritor nos apresentou (por exemplo sobre asepidemias europeias e até mesmo sobre o infante – para grande tristeza minha)mas não os vejo como uma realidade incontestável (ah, tudo o que nos ensinaram na escola estáerrado) nem me parece que o autor pretenda passar essa mensagem (se bem melembro está bem explicito que há no livro várias teorias alternativas).
Num registo um bocadinho diferente estão os autores queescrevem na primeira pessoa - lembro-me por exemplo do Richard Zimler que éperito em fazer-nos acreditar em certos dados sobre ele que não são, de todo, reais. Ou em fazer-nos acreditar que certos personagens existiram (leiam entrevistas do escritor, oiçam-no e vão perceber isso e também vão perceber que ele é super interessante).
Em todos os casos que referi atrás acho que a realidade e aficção estão magistralmente misturadas mas há casos em que me faz um bocadinhode confusão ler “todos os dados científicos ou económicos são reais” e depoisapresentam conclusões que, por muito que sejam baseadas em premissasrazoavelmente reais, não são de todo válidas ou comprováveis cientificamente. Mas como aquele é um livro de ficção não hánenhum problema.

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