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Ler por aí

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23
Ago09

"Confundir a cidade com o mar", de Richard Zimler

Patrícia

Uma mulher cuja vida é alterada para sempre por um espelho singular que ela descobre num antiquário de Buenos Aires – e que faz nascer na sua filha gravemente doente uma misteriosa esperança… Um professor de Historia de Arte de Nova Iorque que através de um quadro oferecido à sua família pelo pintor Fernand Léger percebe a origem da conspiração urdida pelos seus irmãos de impedir que receba a parte da herança que lhe pertence… Um jovem brasileiro cujos companheiros desaparecem durante o período da ditadura e que decide – anos mais tarde e correndo enormes riscos – confrontar o traidor que os entregou à policia… Um homem traumatizado pela morte do seu irmão e que vem a descobrir que os seus fantasmas podem aparecer onde menos espera…

Os contos surpreendentes e comoventes que fazem parte de “CONFUNDIR A CIDADE COM O MAR”, revelam uma maturidade e imaginação invulgares, ilustrando a capacidade de Zimler em conduzir-nos pelos territórios obscuros da alma e em criar personagens singulares e inesquecíveis. Estes lutam para quebrar os impasses da vida, redimir magoas do passado ou libertarem-se das ilusões sexuais, políticas e espirituais que os afastaram de si próprios. Vivem brilhantes momentos de revelação mas também sofrem decepções incapacitantes, e é através das suas subtis traições e os seus pequenos gestos heróicos que Zimler explora a influencia sobre nos de cidades sofisticadas como San Francisco e das comunidades mais fechadas do sul dos EUA ou da diáspora lusófona (incluindo a comunidade portuguesa de Nova Iorque).

Três dos contos neste colectânea – Pontos de Viragem, Sorte de Escurumba e Ladroes das Memórias – foram premiados em Inglaterra ou nos EUA. Todos foram publicados em revistas anglo-saxónicas mas foram aqui reunidos pela primeira vez. Pela qualidade global dos seus contos, o “National Endowment for the Arts” do governno norte-americano galardeou Zimler com a sua mais prestigiosa bolsa, um “Fellowship in Fiction”.


Do Richard Zimler tinha lido apenas o "Meia-noite ou o príncipio do mundo" e, confesso, que não estava preparada para estes contos. Foram sem dúvida uma surpresa. Comprei este livro há já algum tempo, principalmente por ter gostado imenso do "Meia-noite...". Os títulos dos livros deste autor são sempre fantásticos. Aguçam-me a curiosidade e fazem-me sempre ter as espectativas mais altas.

Gostei bastante destes contos. São 16 no total e apesar de serem bastante diferentes, têm alguns pontos em comum. Não são contos felizes, na sua maioria. É um pouco como lemos no primeiro conto, Pontos de Viragem:

"deparei com o comentário de um autor que dizia que todos os seus contos eram sobre um inocente incapaz de agir perante uma situação trumática"

Racismo, homossexualidade, homofobia, morte, traumas, suicídio são apenas alguns dos temas que a par com o amor, a esperança, os reencontros com o passado fazem deste um livro que merece ser lido.

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