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Ler por aí

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27
Jan22

parem o mundo que eu quero sair

Patrícia

Vamos falar de coisas sérias.

Hoje é o dia Internacional em memória das vítimas do holocausto. A 27 de Janeiro de 1945 deu-se a libertação do Campo de Concentração e Extermínio Nazi de Auschwitz-Birkenau. 

Hoje li que mais um livro foi banido de uma escola dos Estados Unidos*. As razões? O livro contém palavrões e nudez. O livro? Maus, de Art Spiegelman**, uma novela gráfica. 

Um dos argumentos é que é possível ensinar história aos miúdos sem aquele tipo de palavreado e sem nudez. Deixem-me aqui referir que a novela gráfica retrata o que passaram os pais do escritor no holocausto, mostrando os judeus como ratos e os nazis como gatos. Nudez. Ratos e Gatos. 

Avancemos. Palavrões e nudez. 

A censura de livros não é novidade. É e sempre foi preocupante e um reflexo da sociedade em que vivemos. Proibir este livro, por estas razões, é mais que ultrajante. É vergonhoso. É assustador.

Uma das razões porque cada vez leio menos livros sobre o holocausto é porque me irrita profundamente a romantização feita à volta deste tema. Há temas que precisam de fealdade, de chocar, de deixar marcas. Há quem consiga escrever (ou desenhar) o mal e emocionar-nos, tornar-nos melhores pessoas, envergonhar-nos. O Maus (ou o Se isto é um homem, ou o Diário de Anne Frank, para apenas mencionar alguns dos mais conhecidos e que deviam ser de leitura e releitura obrigatória em várias fases da nossa vida) é um deles. Proibir um livro destes é, outra vez, desumanizar todos as vítimas do holocausto. É transformar uma das páginas mais negras da humanidade numa nota de rodapé da história e com isso permitir que possa, uma e outra vez, acontecer.

E antes que me respondam que isto só poderia passar-se nos USA, pensem no que assistimos na Europa, em Portugal, ao nosso lado todos os dias, no crescimento da extrema-direita, na forma como abertamente se diz que uns têm mais direitos que outros, no nacionalismo crescente, no racismo, na homofobia descarados. 

Parafraseando a grande Mafaldinha: parem o mundo que eu quero sair

* o link é do NY times, que não econtrei uma notícia decente sobre isto nos jornais PT

** se não conhecem o livro comprem-no, ofereçam-no aos vossos filhos, leiam com eles

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