Ler por aí
 
19 de Novembro de 2017

A minha primeira grande paixão literária foi a Marion Zimmer Bradley. Comecei pelo Presságio de fogo, seguiram-se as Brumas de Avalon mas foi o Salto Mortal que me conquistou definitivamente (livro que, para grande tristeza minha, não é um dos livros lidos ou falados quando se fala - e hoje fala-se tanto - da temática LGBT). Durante anos corria comprava os seus livros assim que eram editados em Portugal.  Há 20 anos eu andava mais preocupada em viver e estudar do que em estar a par do mercado editorial português (coisa que, ainda hoje, me interessa pouco) e nunca sabia que um livro dela ia ser editado. Limitava-me a comprá-lo assim que chegava à livraria mais próxima, da qual era cliente assídua.

Como disse nunca estive a par do mercado editorial o que levou a situações até um pouco tolas como quando comprei o 7º livro das Crónicas de Gelo e Fogo e só no final  - de de final não tinha nada - percebi que por cá os livros estavam a ser editados às metades. 

A maioria dos livros que li antes de estarem "na moda" foi por puro acaso: ou porque alguém me ofereceu o livro - como aconteceu com o A sombra do vento ou o Império Final ou porque um amigo me "obrigou a ler" como aconteceu com As crónicas de Gelo e Fogo.

Vocês já sabem que o Império Final foi o primeiro livro do Sanderson que li e o que deu início a esta minha nova "loucura". Pela primeira vez dou comigo a ler teorias na internet, a ouvir podcast e a procurar informação sobre cosmere (por enquanto o meu interesse limita-se ao universo dos livros de Cosmere). Comecei tudo ao contrário. Ainda não li os livros da série Elantris, comecei por Mistborn e estou profundamente concentrada em Stormlight Archives.

E pela primeira vez sinto a falta de boas traduções - ou apenas de traduções. Eu compreendo que traduzir e publicar Mistborn já foi um risco e que não terá comprensado largamente - o país é pequeno e boa parte de quem se interessa por este tipo de fantasia não tem problemas em ler em inglês e não tem pachorra para esperar por traduções ou por metades de livros. Mas sinto-lhes a falta na mesma. 

Confesso que nunca percebi a loucura de esperar ansiosamente pela edição de um livro. Nunca percebi as reclamações de "temos que esperar meses até que os livros sejam editados por cá" porque afinal há tantos livros para ler, para quê tanta parvoíce?

Agora, pela primeira vez estou a ler livros que, provavelmente, nunca serão editados por cá... ou se-lo-ão apenas quando (ou se) uma das séries do escritor for um sucesso televisivo. E irrita-me não poder comprar os livros em português. Irrita-me ser "obrigada" a lê-los em inglês - apesar de saber que é um privilégio lê-los na lingua original.

E se é verdade que é muito mais barato e rápido comprá-los em ebook estou um bocadinho triste por estar a ser difícil pôr as mãos no hardcover de Arcanum Unbounded, por exemplo. E eu quero muito esse hardcover na minha estante. E não, não quero ir à procura em sites de livros em segunda mão. Quero uma edição nova de coleccionador (oh eu a fazer birra!). O ebook já está cá em casa, claro. Não fui capaz de começar a ler o Oathbringer sem ler o Edgedancer. E confesso que estou a adorar. A Lift é uma das minhas personagens favoritas dos Stormlight Archives.

Screen Shot 2017-11-19 at 12.46.03.png

 

publicado por Patrícia às 12:05 link do post
gostei muito do post, principalmente porque eu sou totalmente o oposto: há mais de dez anos apercebi-me que o que me interessava ler - livros que descobria por séries, por filmes, pela wikipedia, até, não estavam traduzidos cá, ou estavam esgotados. falo de autores como Charles Dickens. e depois os livros em inglês eram 3€... durante muito muito tempo nem quis saber do que se editava em português - ignorei inclusive autores portugueses e lusófonos, porque me foquei no que queria ler e encontrava lá fora, muito mais barato. muitos nunca foram editados por cá, nem no decorrer dos mais de dez anos. e depois muitas das traduções que li nos últimos anos desiludiram-me muito... temos livros que só têm uma tradução, que não é apelativa, que usa palavras e expressões incompreensíveis (por se usarem nos anos 50, cá - e sendo traduções de outros séculos, nem há grande desculpa de "não tomar liberdades artísticas")... perspectivas, é claro :) mas fiquei horrivelmente desencantada com muito do que se faz por cá a esse nível.
Bárbara Ferreira a 21 de Novembro de 2017 às 18:37
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