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Ler por aí

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02
Dez10

Os factos da vida, de Graham Joyce

Patrícia

Sinopse:


Sete irmãs extraordinárias vivem juntas sob a sombra da guerra, unidas pela lealdade, pelo amor, pelo medo e pela esperança. Até que chega uma noite alucinante em que Luftwaffe arrasa Coventry. No meio das tempestades de fogo que se propagam pela cidade, a filha mais nova experimenta um despertar mágico que resultará, anos depois, no nascimento de uma criança. Após o fim da guerra, os percursos das irmãs divergem, mas permanecem atraídas por esta criança extraordinária. À medida que o rapaz cresce, as circunstâncias conspiram para pôr à prova as suas lealdades mútuas, enquanto abrem o pano dum mundo de eventos verdadeiramente espectaculares.

Uma história familiar (no feminino) que começa com a quase entrega de uma criança nas escadas de uma catedral.
Cassie tem momentos em que está com a “melancolia”. Seja isso um eufemismo para esquizofrenia ou qualquer outra doença mental, a verdade é que é opinião mais ou menos unânime que ela não tem capacidade para cuidar daquela criança. Mas Cassie, a quem não falta instinto maternal nem amor por aquele ser pequenino que dela saiu, não tem coragem de o entregar.
Assim, e por decisão familiar (a Matriarca Martha decide e depois convence todos de que decisão foi democrática) Frank torna-se membro activo da família e é responsabilidade de todos, não apenas de Cassie.
Numa família onde o contacto com o além é um dado adquirido e onde sete irmãs têm comportamentos e valores distintos, Frank é criado por todas e insere-se às mil maravilhas, nunca se apercebendo que essa não é forma tradicional de criar uma criança. Assim, o miúdo cresce passando por várias experiências. Há a vida com Cassie e Martha, na cidade, com Bertie numa comuna, com as gémeas espíritas, com a tia mais conservadora e sem qualquer instinto maternal, com a tia casada com um embalsamador profissional (o que é, mesmo nos anos 40 um espectáculo muito mais interessante que a televisão - apesar desta ser total novidade) ou na quinta de Una e Tom onde a liberdade e amor é uma constante tal como a presença do “homem por detrás do vidro”.
Este livro conta-nos uma história diferente. Lê-se muito bem mas passei boa parte do livro sem saber muito bem o que pensar. Ao mesmo tempo que a história era extremamente simples havia ali qualquer coisa que era mais do que realmente parecia. Os mistérios do livro não são o ponto central mas estão sempre por ali. Mais ou menos presentes.
No final posso dizer que gostei, que recomendo e que foi um tempo bem empregue. E que, ao contrário do que pensei enquanto lia o livro, sei que não me vou esquecer desta história tão depressa.

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