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Ler por aí

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07
Abr13

O remorso de Baltazar Serapião, de Valter Hugo Mãe #1

Patrícia
No ano passado quando li o "A máquina de fazer espanhóis" rendi-me a valter hugo mãe, o homem das minúsculas. Considerei-o na altura (a continuo com a mesma opinião) um dos meus "livros do ano". Por isso, assim que tive oportunidade, comprei o "O remorso de Baltazar Serapião" à espera de ser novamente encantada. 
As expectativas eram altas. 
De início voltei a sentir as mesmas dificuldades com a ausência de Maiúsculas. Lamento, sinto-lhes a falta. E acho mesmo que a sua ausência causa dificuldades à leitura. Quando li o "A máquina de fazer espanhóis" abstraí-me rapidamente desta característica de Valter Hugo Mãe. Acho que tece a ver com o interesse da estória.
Desta vez e nesta primeira metade do livro que já li senti a ausência de cada maiúscula. Senti a estranheza da escrita. E apesar desta estar ligada à forma como a estória de Baltazar está a ser contada não me convence nem agrada. 
Tenho muitas vezes que voltar a trás e reler parágrafos inteiros para perceber. Tenho que me ouvir a ler para entender. E se isso pode ter a ver exclusivamente com incapacidade minha, pode também significar um excesso. Considerando a quantidade de criticas positivas que este livro teve, inclino-me para a primeira opção e Valter Hugo Mãe entra para o grupo de escritores que está para além da minha capacidade (não me parece que ele se chateasse por ouvir isto considerando que o outro ilustre membro é o António Lobo Antunes e o seu "Arquipélago da insónia").
Mas tenho também a percepção que a minha resistência a este livro está ligada à estória. Brutalmente, bestialmente chocante. É impossível criar empatia com qualquer personagem e é-me impossivel sentir senão nojo e ódio por Baltazar. Como disse antes estou a meio do livro e vou acabar de o ler mas a frustração levou-me a vir, pela primeira vez acho, escrever antes do fim. 

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