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Ler por aí

Ler por aí

04
Out09

O leitor de Bernhard Schlink

Patrícia


As expectativas estavam altas, claro. Um livro conceituado, excelentes criticas, quer oficiais quer dos oficiosas, e até um filme, com direito a galardões e muita publicidade. Portanto peguei neste livro com (quase a) certeza de que não iria gostar. Sim, tenho alguma tendência a não gostar dos livros que toda  gente gosta... pelo menos se lhes pego na altura em que estão na berra. Portanto peguei neste livro com cuidado e em férias, altura em que a mente aberta e o descanso merecido permitem que leia com maior descontracção. Assim foi e confesso que adorei.
Um livro que para mim vale pela magia das letras, das histórias. Onde se realça a importância da partilha das histórias, dos livros.
Hanna, é uma personagem fascinante. Muito mais do que o personagem masculino. Hanna tem um segredo que marca a sua vida e toda e qualquer atitude. Depois é um efeito bola-de-neve, onde, as decisões erradas que tomou lhe sairão caras.
Neste livro não há vilões, nem heróis. Há pessoas, que viveram uma época complicada, na Alemanha Nazi, onde cumprir uma ordem, agir por moto próprio ou não agir de todo podiam ter e tiveram consequências demasiado pesadas. Após o fim da guerra e o acordar do pesadelo iniciou-se um longo processo de cura, de remissão dos pecados para toda uma nação. Inevitavelmente foram também aí cometidos erros que culminaram em injustiças. Mas nem sequer é bem isto que é retractado neste livro. Mas sem dúvida que é um inicio de reconciliação com os sobreviventes derrotados da guerra. Hanna é um misto de bem e mal, de inocência e honra, de verdade e mentira. Tendo sido guarda num campo de concentração, tendo enviado para a morte dezenas ou mesmo centenas de mulheres, tendo sido culpada da morte de tantas apenas pela ausência de acção, é apesar de tudo isso uma mulher que apenas cumpriu ordens porque tinha de as cumprir, porque não poderia fazer outra coisa. É verdade que todos nós somos capazes de dizer que teríamos a coragem, a sapiência e a vontade de fazer diferente, mas será isso verdade? Seria possível agir de forma diferente?
Hanna tem um segredo. Esta é a história do que é possível fazer para manter um segredo. O que é que a Hanna está disposta a sacrificar de forma a mantê-lo secreto?
E a força necessária para ultrapassar algo que se encara com vergonha, repulsa. A força necessária para tal. 
Escrever mais era contar a história. E não o vou fazer... Leiam o livro. Vale a pena.

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