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Ler por aí

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23
Dez13

Muito mais que uma biblioteca

Patrícia

Faço destas, as minhas palavras. Num segundo se destrói o que tanto tempo levou a criar. E numa altura de crise, proteger as bibliotecas é mais importante do que estes senhores pensam. Para todos os que não têm dinheiro para gastar em livros, em cultura, este é um porto de abrigo que faz, agora, mais sentido do que nunca.

Foi com perplexidade e muita apreensão que tomei conhecimento da intenção da Câmara Municipal de Lisboa em desmantelar a actual rede de bibliotecas municipais ao passar 8 bibliotecas para a responsabilidade de Juntas de Freguesia. Como utente da rede BLX não posso deixar de assinalar aqui o serviço excelente e sempre eficiente prestado por esta estrutura que considero indispensável para a população da cidade. Para além das enormes mais-valias e facilidades de acesso a um vasto acervo de documentos  que decorrem do funcionamento em rede, as bibliotecas promovem também inúmeras actividades de índole cultural e didáctica relacionadas não só com o mundo dos livros  e da literatura mas também com outras artes como a música e as artes visuais. São ainda regularmente organizadas actividades  relacionadas com o acesso à informática a populações infoexcluídas bem como oficinas/sessões orientadas para a melhoria do bem estar dos cidadãos e para aprendizagem de técnicas artesanais variadas. Sem colocar em causa o valor intrínseco a cada biblioteca , o funcionamento em rede permitiu, ao longo dos anos, a criação de sinergias muito importantes traduzindo-se hoje num amplo leque de serviços fundamentais,  muitos gratuitos e outros a custos reduzidos, os quais permitem o acesso à leitura e a outras actividades culturais a todos os habitantes da cidade e não apenas àqueles que possuem condições económicas para comprar livros e “consumir cultura”. Nestes tempos de crise económica estes aspectos adquirem ainda mais importância para a generalidade dos cidadãos pelo que nunca será demais salientá-los. Será que este elevado nível de serviços se manterá no futuro caso as 8 bibliotecas em causa passem a ser geridas por Juntas de Freguesia? Mesmo que estas tenham possibilidades de manter as bibliotecas tal como se encontram hoje, perdem-se sinergias que demoraram décadas a construir e equipamentos que dantes serviam toda a cidade passam a ser apenas de determinado bairro.

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