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Ler por aí

Ler por aí

23
Mar20

ler fantasia

Patrícia

O género ficção especulativa* continua a ser um dos mais desvalorizados da literatura. Até quem luta por "não há maus livros" (e vocês já sabem o que eu acho disso) torce um bocadinho o nariz à fantasia, à FC ou a qualquer outro subgénero da ficção especulativa. É assim uma espécie de género menor da literatura. Pelo menos por cá. Neste cantinho à beira mar plantado (onde as pessoas vão passear à beira mar mesmo em época de quarentena) ler fantasia (ou FC) é coisa de nerds, de miúdos e de gente estranha. E antes que digam que não é bem assim: eu sou leitora de fantasia e sei bem os comentários vindos até de quem se diz leitor não preconceituoso. 

Mas a verdade é que a maioria de vós gosta de ler livros deste género. Podem até não gostar de alguns sub-géneros como High fantasy mas garanto-vos que gostam de livros que se podem, sem nenhum género de esforço, incluir neste género.

Ou vocês acham que livros como Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol ou o A metamorfose, de Franz Kafka não são livros que facilmente se incluem aqui?

Ah, mas.... dizem vocês! 

Mas nada. O Diário de Dorian Gray, do Oscar Wild é o quê? 

mas...

E o Fahrenheit 45 de Ray Bradbury , o A guerra dos mundos, do H.G Wells, o 1984, do Orwell ou o Admirável Mundo Novo do Huxley, são o quê?

E as fábulas? as Lendas? são o quê? Registos históricos do tempo em que havia fadas e os animais falavam?

É que nem sendo fãs do A guerra dos tronos conseguem admitir que este género, que a fantasia tem coisas boas - afinal a série é mais política que fantástica

Meus senhores e minhas senhoras, vamos lá a ver. Toda a boa fantasia/FC/distopia é dedicada à análise dos tempos em que vivemos, ok? Toda. E isso implica análise à política, à religião, às crenças, à sociedade da actualidade.

 

* texto editado após as belíssimas conversas nos comentários :)

 

 

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