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Ler por aí

Ler por aí

01
Mai18

Leitores em construção

Patrícia

Somos todos leitores em construção.

Construímo-nos a cada livro que lemos, a cada livro que nos transforma, que nos dói ou nos encanta.

Mas se é verdade que ler tem um lado lúdico muito importante (e admito que esse lado seja – para a maioria de nós, leitores - o mais importante), a verdade é que ler também deve ser mais do isso.

Ler deve ser um caminho para o crescimento, para a maturidade. Ler deve tornar-nos mais sábios, questionar as nossas crenças, as nossas certezas.

A verdade é que quanto mais leio mais pequena me torno. Quanto mais leio mais compreendo o quanto me falta crescer enquanto leitora. Não entendam pf isto, esta declaração de que ainda tenho que crescer enquanto leitora, como “falsa humildade” (que aqui entre nós é coisa de que não sofro) mas sim como a real noção de que ainda não atingi o meu potencial enquanto leitora. Para ser verdade gostava de nunca o atingir. Gostava de ter sempre esta ânsia de aprender, de ler mais e melhor.

Gosto da sensação de entrar numa livraria e ter tantos livros à minha disposição. Gosto de não me limitar e de não ter “medo” de pegar num livro “complicado”. Gosto da sensação de ler e ter que reler. Gosto de mergulhar nos vários níveis de um livro. Gosto de ser desafiada por um livro.

E, acima de tudo, acho que esta dimensão mais educativa da literatura (não é por acaso que neste ponto prefiro usar a palavra literatura em vez de livro) é a mais importante. O acto de ler e de compreender é muito importante. Isto para nem falar do facto do cérebro precisar ser estimulado e da leitura poder ter um grande papel nessa parte.

Os grupos de leitores (nomeadamente a Roda Dos Livros) em que tenho participado têm tido um papel fundamental no meu crescimento enquanto leitora, o que me tem feito questionar a ideia de que ler é fundamentalmente uma actividade solitária. Na verdade, a partilha de informação tem sido extremamente importante para olhar para os livros de forma mais crítica e fazer análises mais completas.

Desafiarmo-nos, enquanto leitores, é (quase) tão importante como desafiarmo-nos enquanto pessoas. Aliás, para mim e acredito que para vocês tb, estes dois conceitos estão tão emaranhados que se torna impossível separar um do outro.

Um exemplo do que acima escrevi, de que ler me desafia a pensar é saber que este texto (e os rascunhos que lhe deram origem) nasceu da reflexão que a leitura do post A história de um leitor, da Miúda Geek, me obrigou a fazer.

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