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Ler por aí

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12
Mar18

Jane Eyre, de Charlotte Brontë

Patrícia

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A história que este livros nos conta é por demais conhecida, não vou por isso falar dela. Acredito que todos conhecemos, de uma forma ou de outra, nem que seja por ouvir falar, o amor entre Jane e Mr Rochester. Eu li uma versão juvenil deste livro quando era miúda e durante muito tempo acreditei ter lido a versão original (aconteceu-me o mesmo com o Mulherzinhas).

Se por um lado, conheci cedo e cedo me apaixonei por muitos clássicos da literatura, a verdade é que não gosto das versões juvenis. No meu caso sei que teria tido capacidade e tempo para ler o livro original. Crescendo antes do tempo da internet e da facilidade de comunicação e partilha de informação de hoje, sem acesso a bibliotecas (ainda sou do tempo da biblioteca itinerante passar lá na aldeia mas até isso acabou cedo) , fui-me abastecendo nas estantes da família (e que sorte tive neste aspecto), nas raras passagens pela Bertrand da rua de Sto Antónia em Faro (a minha versão infantil de paraíso) de onde nunca saí sem um ou dois livros e graças aos presentes de família e amigos. Li sem supervisão e com toda a liberdade dentro do meu próprio universo. E esse universo tinha quase todos os clássicos juvenis verbo.

Esta (re)leitura encantou-me. Gosto de reler e a impressão, bastante positiva que tinha, que "a paixão de jane eyre" me tinha deixado em criança foi claramente suplantada. 

Todo o ambiente "gótico" do livro me encantou. O frio, o silêncio, o nevoeiro que se sente nas páginas deste livro contrasta com a força e cor da personagem principal. Rochester é para muitos um dos favoritos (eu serei sempre da equipa "Darcy") mas foi Jane que me encantou. E Charlotte Brontë também.

Obviamente a critica social e religiosa está presente, muito presente neste livro. A forma como a relação com Deus tem um papel central neste romance é muito interessante (não é possível esquecermo-nos que o livro foi publicado pela primeira vez em 1847) e que criticar  e expor de forma tão aberta a hipocrisia da igreja era muito mais difícil na altura que hoje.

Ainda assim, foi a vertente feminista que me interessou mais. Na verdade foi a vertente pessoal que me interessou mais. Jane Eyre tornou-se uma das minhas personagens preferidas.

Dizia eu que este é um romance feminista, onde Jane e Edward são apresentados lado a lado, onde a força moral dela é claramente o centro da história. Jane nunca se trai. Acima de tudo, Jane nunca se trai a si mesma. Podemos não concordar com as suas escolhas, podemos (à luz da sociedade moderna) achar uma tolice as escolhas dela mas como não admirar a força de carácter de alguém que escolhe sempre não se trair? De alguém que decide por si mesma, assumindo erros da mesma forma que assume vitórias. 

Numa época em que somos, todos os dias, manipulados e em que o nosso comportamento é condicionado e padronizado, é bom ler um clássico, um livro escrito há tantos anos e cuja mensagem principal é "decidam por vocês, mantenham-se fiéis a vós mesmos. 

 

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