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Ler por aí

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10
Jun19

Índice Médio de Felicidade, de David Machado

Patrícia

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Não me apetece tentar calcular o meu IMF. Acho que ficaria deprimida. Acho que qualquer número me faria sentir uma fraude. E a culpa é precisamente da tal relativização de que David Machado fala neste livro.

À primeira vista dir-vos-ia que este livro fala de resiliência ou de coragem. Pensando bem, fala de teimosia e de orgulho e de como facilmente estas (e outras) características passam, com toda a facilidade, de qualidades a defeitos e vice-versa.

Esta é a história de um homem que perdeu tudo excepto um irritante optimismo que insiste em preservar. É certo que apenas conhecemos a sua história do seu ponto de vista e todos sabemos o quão enviesadas são, tantas vezes, as nossas opiniões sobre nós mesmos. Daniel perde o emprego e com essa perda, perde (quase) tudo. A sua recusa em desistir consegue ser, ao mesmo tempo, admirável e irritante.

Admirável, por razões óbvias: a resiliência, a resistência à má-sorte e às vicissitudes da vida é uma enorme qualidade que Daniel tem de sobra.

Irritante porque insistir em arriscar tudo (mas tudo mesmo) só para não pedir ajuda, só para não aceitar ajuda é extremamente estúpido. 

Ao contrário do que podem, neste momento, estar a pensar, eu gostei bastante deste livro. Gostei porque é um livro que levanta algumas questões e porque se centra na relação que todos temos uns com os outros.

Na verdade, se tivesse mesmo que escolher um tema (numa palavra) para este livro, eu escolheria Altruísmo. 

Que preço estamos dispostos a pagar para ajudar os outros? No que estamos dispostos a perder para ajudar um amigo? 

Muitas vezes achamos que fazer uma boa acção de má vontade  não tem valor, que só a abnegação é virtuosa mas não será exactamente o contrário? Uma boa acção feita apesar da má vontade, apesar do que deixamos para trás é tão maior. Não quero com isto desvalorizar aquilo que é feito apenas com amor e alegria mas às vezes devíamos olhar para os custos do que os outros abdicam por nós para lhes dar verdadeiro valor.

Não sou uma optimista por natureza pelo que tenho a minha interpretação muito própria deste género de final mas ainda assim não fiquei desiludida e acho mesmo que será o ideal para este livro. E o final (e todo o livro afinal) davam uma óptima discussão e isso é, afinal, o grande propósito da literatura.

 

 

 

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