Ler por aí
 
14 de Maio de 2018

Elantris é um primeiro livro. O que é irritante tendo em consideração o quão bom é. Para além de ser um primeiro livro, é um livro cuja história começa e acaba no mesmo volume. Quer dizer, mais ou menos. Quem já conhece o Brandon Sanderson sabe que com ele nunca é bem assim. Sim, a história de Elantris basta-se a si mesma mas é também o início da grande aventura que é Cosmere.
Apesar de eu já ter lido alguns livros do universo Cosmere (Mistborn Era 1, Warbreaker, Edgedancer e Stormlight archives) a verdade é que nunca tinha lido o início de tudo. O desafio, até que seja publicado o quarto volume da saga de Stormlight Archive, é ler (ou reler) os livros e tentar construir o grande puzzle que é Cosmere.
Ler Brandon Sanderson é sempre uma experiência interessante. Este é o autor que mais interage com os seus leitores e que nos faz sentir parte do processo. Há até uma secção no seu site com anotações, capítulo a capítulo, que nos permite ler o livro como o autor gostaria que o lêssemos. Para quem lê o livro pela primeira vez - ou até para quem está a começar a ler o escritor - talvez isto seja até demasiada informação. Ler é acima de tudo uma experiência individual e deixarmos que alguém - nem que seja o próprio escritor - conduzir-nos nessa leitura pode ser demasiado e desnecessário. Ou pode ser interessante. A minha sugestão é que a primeira leitura não seja acompanhada.
Ler um livro de fantasia implica sempre um mergulho no desconhecido. É necessário tempo para que nos adaptemos a outra realidade, a outros mundo e a outras regras. É necessário que tenhamos a abertura de mente suficiente para permitir transformar um mundo ligeiramente diferente dos nosso em algo familiar.
Claro que o BS ajuda bastante. Apesar de ter fabulosos sistemas de magia (se bem que todos, nos livros do universo de Cosmere, se baseiam num princípio chamado Investiture - conceito de que falaremos vezes sem conta e que um dia talvez percebamos melhor) os seus livros são maravilhosos por várias razões para além da magia. Acho que o autor nos mostra que não há temas tabu para a fantasia, que a discussão de problemas fundamentais pode ser feita nas páginas de um livro deste género e que a intriga política é um tema a não resiste. Mas confesso que a mim é a interacção entre os personagens que mais me interessa, é a construção multi-dimensional de cada personagem que me atrai.
Elantris, casa de semi-deus escolhidos pelo Shaor (transformation), cidade caída em desgraça há 10 anos onde o acesso ao Dor se perdeu, Em vez de semi-deuses, os escolhidos pelo Shaor transformam-se numa espécie de zombies (não consigo deixar de revirar os olhos mas é, de facto, a melhor descrição para o resultado da transformação). Ora o primeiro dos personagens que vamos seguir ao longo desta leitura é precisamente um dos escolhidos pelo Shaor, o Raoden, príncipe herdeiro de Arelon que é atirado, sem apelo nem agravo, para Elantris que se tornou, nos últimos anos, numa cidade-prisão.
Azar dos azares, Raoden vai para Elantris (em segredo, pois oficialmente está morto e enterrado) antes de conhecer pessoalmente a noiva, Sarene. Apesar de ser acima de tudo um acordo político, tudo leva a crer que aqueles dois iriam dar certo pois ambos são, acima de tudo, inteligentes. Aliar a essa inteligência, bondade e humor, parece ser o caminho para fazer destes 2. personagens interessantes - e deixar o suposto romance de lado, para segundo plano (Brandon, confio em ti para não transformares o amor destes dois no centro da história, ok?).
O anti-herói desta história - basta-nos umas páginas para perceber que não vai ser o vilão, certo? - o Hrathen, vem para tentar salvar os habitantes do reino, convertendo-os à sua religião (onde é que já vimos isto, certo). Aposto em crises de fé, especialmente depois de ser brutalmente manipulado pelo verdadeiro vilão.
Ao longo da leitura hei-de vir contar-vos as minhas teorias, falar dos personagens, dos momentos e das frases que me têm marcado ou simplesmente chamado a atenção. Se estiverem a ler o livro e quiserem falar, trocar dois dedos de conversa, se me quiserem contar as vossas teorias, usem e abusem da caixa de comentários.
Boas leituras
Journey before destination - enjoy the journey

publicado por Patrícia às 11:29 link do post
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