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Ler por aí

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07
Jan16

Curtas #3 (2016): Censura e Livros proibidos

Patrícia

O caso dos cinco livreiros desaparecidos (parece mesmo um título de um livros da tia Agatha Christie) não faz correr tanta tinta como deveria. A censura não é, infelizmente, novidade no mundo atual mas nós, que vivemos em democracia, esquecemo-nos disso tantas vezes e encolhemos os ombros como se morrer por palavras fosse algo definitivamente do passado. 

Eu cresci com a minha mãe (antiga professora primária) a contar-me como foi proibida de ler o "Bichos" de Miguel Torga ou de o dar a ler aos seus alunos. Foi há pouco mais de 40 anos. Felizmente o nosso país mudou e não há livros proibidos. Mas em boa parte mundo (e basta pensarmos no que se passou com o livro Diamantes de Sangue, do jornalista Rafael Marques, que chegou a ser oferecido pela Editora TInta da China ou no facto de jovens terem sido presos em Angola por estarem reunidos a ler um livro) a realidade é diferente.

Acho que é responsabilidade de todos denunciar (e lutar contra) estas situações. Enfiar a cabeça na areia não é, de todo, a solução.

Por isso a minha sugestão de hoje um livro que fala de livros proibidos (e que espero ler este ano): Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

Fahrenheit 451.png

 

 

 

4 comentários

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    Patrícia 07.01.2016

    Essas listas, em países como os USA ou o nosso, ajudam a divulgar e vender livros. Nada como o fruto proibido para ser o mais apetecido.

    É óbvio que não concordo com proibições literárias mas acho que há livros que não são, de todo, adequados ao ensino básico e que não devem ser utilizados nas salas de aula. Claro que esta escolha não deverá ter em conta critérios políticos nem religiosos. Para mim (e acredito haja tantos critérios quanto gente a pensar no assunto) ética e qualidade literária deveriam estar na base das escolhas. (convenhamos que pôr num qualquer plano nacional de leitura um livro pseudo-erótico como as 50 sombras seria ridículo).

    Apreender livros por ter uma vagina na capa é lindo... eheheheh, aposto que vendeu como pãozinhos quentes. Onde foi?

    :)
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    Sara 07.01.2016

    Não são livros dados em aula: são livros que estão nas bibliotecas publicas e escolares mas que determinados grupos de paizinhos acham ofensivo ou que desviam os filhos das suas crenças religiosas - diário de Anne Frank, feiticeiro de Oz, Harry Potter, o dezanove minutos da Picoult, As Aventuras de Huckleberry Finn, Admirável mundo novo, não matem a cotovia, 1984...Por causa disto todos os anos decorre a Banned Books Week uma iniciativa que serve para celebrar os livros banidos e chamar a atenção para o problema. Se os pais acham que determinado livro não é apropriado então explicam isso à criança...Na biblioteca da minha escola havia livros sobre sexo e nunca achei isso que fosse problema.

    Não era uma foto, era a reprodução de um quadro de Courbet. Ora, cá está:

    http://www.publico.pt/sociedade/noticia/psp-apreende-livros-por-considerar-pornografica-capa-com-quadro-de-courbet-1366440
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    Patrícia 07.01.2016

    Assim que vi a capa lembrei-me do caso. enfim...

    Pois, eu estava a falar de outro género de filtragem... não acho normal esse tipo de proibição mas adoro ir espreitar essas listas :)
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