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Ler por aí

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28
Fev17

Curtas 2017 #6 - O livro, o leitor e o livreiro

Patrícia

A relação entre entre livro e leitor mudou muito nos últimos anos. Ainda há pouco tempo comprar um livro era uma coisa séria, implicava ponderação, compromisso. A maioria dos leitores quando comprava um livro sabia que aquele objecto iria ser importante e fundamental na sua vida nos tempos seguintes. Um livro não era só mais um. Era O livro do momento. Sem outras fontes de informação, o livreiro era um dos principais conselheiros e não poucas vezes a relação leitor-livro ganhava um outro vértice. E, tantas vezes, a relação leitor-livreiro era já uma relação de amizade.

É inegável que é infinitamente melhor ter acesso a livros diferentes, opiniões diferentes, preços diferentes. Mas não posso deixar de sentir alguma saudade desse tempo, que na verdade nunca foi meu, em que a necessidade de ser parco nas compras implicava um engenho na escolha. Mas não voltava atrás. Gosto de acrescentar livros à estante sempre que me apetece, gosto de levar num dispositivo electrónico dezenas de livros. Gosto de saber que o acesso aos livros é cada vez mais amplo, que há mais livros, mais leitores.

Mas não é possivel trilhar este caminho sem deixar vítimas pelo caminho. As pequenas livrarias, os alfarrabistas ficaram sem clientes e muitas estão a fechar. Os grandes livreiros, que eram acima de tudo grandes leitores, são uma espécie cada vez mais em extinção. 

Vivemos um tempo de transição, sentimos as feridas das vitimas deste processo de modernização, sentimos as suas vitórias. E este texto que nos deixo (de Nuno Pacheco, no Público) é um exemplo disso. Vale a pena ler.

 

No universo das livrarias teremos ainda, provavelmente, mais más notícias no futuro. Mas a par delas vão surgindo novos espaços, com ousadia e ideias próprias, uns nascidos dos que fenecem, outros vindos apenas de gente com paixão pela leitura, pelos livros, pelo mundo que os vê crescer. Talvez a prazo ressurjam até os antigos vendedores qualificados, que se foram perdendo na mercantilização rápida e impessoal dos nossos dias. Se isso acontecer, o requiem de hoje poderá dar lugar a um verdadeiro renascimento nos próximos anos. E há-de haver público, se houver engenho e gosto em tal tarefa.

 

 

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