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Ler por aí

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04
Mar17

Curtas 2017 #10 - Direitos dos leitores (parte 3)

Patrícia

Mudar de opinião acerca de um livro é mais do que um direito. Mudar de opinião é natural, saudável e, diria até, fundamental.

A nossa idade, maturidade e experiência são fundamentais para a apreciação de um livro. 

Não falo apenas dos livros que adoramos em criança ou na adolescência. Falo, acima de tudo, dos livros que lemos numa determinada altura da nossa vida adulta e que, uns meses ou anos depois, relemos e nos apercebemos de que a nossa opinião anterior já não faz qualquer sentido.

Há livros que me recuso a reler porque os adorei e tenho pavor de os "estragar". São livros que me marcaram e que eu considerei, num determinado momento, maravilhosos mas que sei que me vão desiludir se os ler com os "olhos" de hoje. Sinceramente prefiro não o fazer. A "ideia" que tenho do livro, o sentimento bom que ficou, é suficiente. Chega-me saber que aquele livro foi o certo na altura certa".

 

Há também o contrário: livros que não gostei muito e que hoje (ou no futuro) serei capaz de ler de forma diferente. (Sei hoje que) Na altura li-os de uma forma superficial, que não tinha capacidade para apreciar todas as suas camadas.

 

 

 

3 comentários

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    Patrícia 11.03.2017

    Acreditas que nunca li o "A lua de Joana"? Acho que no "meu" tempo ainda não estava na moda (nem sei se já teria sido publicado ou não). O meu "abre-olhos" desse género foi o "os filhos da droga" e o "viagem ao mundo da droga".
    Já as Brumas li tantas vezes... a pessoa que foi mudando para mim foi a Viviane.
    E Só um leitor perceberá o quão os livros nos mudam e nos moldam.
    Beijos
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    Carla B. 11.03.2017

    Eu nem sei como é que "A Lua de Joana" me veio parar às mãos e foi um daqueles acasos em que já tinha lido tudo o que tinha da Alice Vieira comigo, isto em férias. Os que mencionas nunca me chegaram às mãos mas também não sei se teriam o mesmo impacto. Teriam de certeza um outro impacto, pelo que tenho ouvido são mais crus e impressionam, mas eu senti que podia ser a Joana. A sensação foi a de que saí de mim e vivi toda uma outra vida, toda uma experiência que me fez pensar, quando voltei a mim, "okay, já sei ao que leva a porta A, vamos experimentar a B". É complicado colocar por palavras tudo o que o livro foi, é, me fez sentir.
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