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Ler por aí

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13
Ago14

Curtas 12/2014 : A saga dos ebooks continua

Patrícia
Estou a ler o livro do Carlos Campaniço "Os demónios de Álvaro Cobra" e estou a adorar. O problema é que o livro é emprestado (A roda dos livros no seu melhor) e isso significa que vou ter que o devolver.
 
A minha primeira ideia é comprar o ebook, por várias razões
 
  • Já li o livro (ou isso vai acontecer nos tempos mais próximos) e tê-lo é apenas um capricho, um "achar que devo" isso ao escritor que o escreveu
  • O ebook é, à partida, mais barato que o livro físico (vou comprar o livro por capricho, é certo, mas não sou tola e quero poupar ao máximo)
  • Quero que a minha mãe leia o livro e ela adora ler em ebook.
 
Ora o livro já não é novo, tem uns aninhos (o autor já escreveu o Mal Nascer entretanto) e apercebo-me que o ebook custa 11.99€ . Acredito que é um livro que já não deve ter uma grande saída... É certo que é muito bom mas já não é, propriamente, uma novidade.
A sério? 12€? O livro físico fica-me a pouco mais de 14€ e isto se não encontrar nenhuma promoção manhosa (e como já o li bem posso esperar por uma dessas promoções).
Não consigo entender estes preços em livros que têm mais de um ano (a primeira edição é de Fevereiro de 2013) e que poderiam vender como pãezinhos quentes em ebook só à custa da sua qualidade, da publicidade "boca a boca", do trabalho do escritor em promovê-los e de um preço acessível. Como já referi antes (ando a repetir-me, eu sei) percebo perfeitamente que o ebook tenha (quase) o mesmo preço do livro físico nos primeiros 6 meses de existência (ou no primeiro ano, se for um grande livro/autor) mas depois disso não faz sentido. Depois disso as vendas de um livro são marginais. Ora o formato ebook permite, sem custos, manter vivo um livro. Permite que mais gente conheça o autor, a preços baixos, e vá depois comprar os livros mais recentes a preços, necessariamente, mais altos.
 
Os preços dos ebooks fazem com que, o público-alvo ignore os autores Portugueses e prefira ler ebooks em Inglês ou em Português do Brasil de borla ou quase de borla. Porque o público-alvo dos ebooks é composto maioritariamente por jovens que preferem ler de forma barata (seja por necessidade ou por opção). E este público está a fugir da literatura Portuguesa, das editoras Portuguesas e, mesmo com algumas responsabilidades, fá-lo forma pensada e consciente. E as consequências disso são péssimas, quer para a literatura Portuguesa quer para as editoras quer para quem, como eu, continua a querer comprar ebooks em Português.

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