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Ler por aí

Ler por aí

17
Set15

Como nos tornamos leitores?

Patrícia
Os vídeos abaixo são uma óptima desculpa para voltar a falar deste assunto. 
A resposta mais simples e verdadeira é que a minha mãe me ensinou a sê-lo. Sempre tive livros e a minha loucura pela leitura foi estimulada desde cedo. A minha mãe, professora do 1º ciclo, não me tentou ensinar a ler cedo (sempre achou que teria tempo para isso quando fosse para a escola) mas a verdade é que foi inevitável aprender e quando entrei para a escola sabia ler (mas não sabia escrever).

Ler sempre foi uma forma de me manter sossegada e nada era melhor que receber, no Natal ou no meu aniversário, montanhas de livros. O meu primeiro livro de gente grande foi recebido assim mesmo. "A pousada do Anjo da guarda", da Condessa de Segur no meu aniversário dos 8 anos. Foi o primeiro grande desafio, antes lia livros mais infantis. 
Depois fui crescendo de desafio em desafio: A minha professora do 4º ano para além de me espetar nas mãos um livro extra de matemática (a melhor forma de me manter interessada e ocupada) ofereceu-me o "Ilíada e Odisseia", versão juvenil (cuja história vim mais tarde a recordar com o Presságio de Fogo da Marion Zimmer Bradley). Como estes dois livros me assustaram um bocadinho a minha mãe fez um contrato comigo: enquanto ela fazia o jantar eu lia-lhe o livro, ao ritmo de um capítulo por dia. Acho que isto durou uns 3 dias, o resto li sozinha, não me apetecia esperar pelo dia seguinte.

A minha infância literária passou pelas estantes das minhas primas e aí descobri os Cinco, Os Sete, A Nancy Drew, Os irmãos Hardy, As gémeas e o Colégio das Quatro Torres. 
Lembro-me de um livro chamado "o juiz tinha um filho" que, por um qualquer motivo absolutamente inexplicável me fazia chorar sempre que o lia (uma busca na internet diz-me que é de Serge Delens, quem quer que o senhor seja) e da colecção que incluía "A pulseira misteriosa", "O príncipe Eric" e "A mancha cor de vinho", todos deste mesmo escritor. 

E havia a colecção da Isabel Alçada e da Ana Maria Magalhães "Viagens no tempo". Bem mais interessantes que os "Uma aventura" que quando apareceram já eu andava por outras leituras.

Lá em casa não havia prendas de passagem de ano, assumia-se que ter boas notas era obrigatório, mas tínhamos um contrato: por cada 5 recebia 2 livros, por cada 4 recebia 1, cada 3 tirava um da conta e uma negativa faria com que nesse verão não houvesse livros para mim. Era divertido e estimulante.
Assim fiz a colecção, quase completa, da Patrícia.

Mamãe fez questão que os clássicos não me fossem, de todo, estranhos e, ou em versão integral ou juvenil, vários me passaram pelas mãos: A Morgadinha dos Canaviais, Uma família Inglesa, Jane Eyre, Vinte Mil Léguas Submarinas, As Mulherzinhas, Miguel Strogoff entre tantos outros.

Lembro-me que li quando tinha uns 10 anos o Oliver Twist (versão integral) e adorei. 

Na adolescência descobri Pearl S. Buck e encantei-me com o "Terra Bendita" e o "Flor Oculta" que lia e relia entre os Agatha Christie e Sherlock Holmes...

Acho que aqui já era uma leitora mas não posso deixar de referir mais alguns marcos: "Os filhos da droga", lido aos 12, o "Conde de Monte Cristo" aos 14 e as "Brumas de Avalon" aos 16, fizeram de mim a leitora que hoje sou.

E vocês como se tornaram leitores?


(vídeo Original):




(onde vi esta TAG)

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