As Sombras de uma azinheira, de Álvaro Laborinho Lúcio
Catarina nasce no dia 25 de abril de 1974 e, nesse mesmo dia, perde mãe e pai. A mãe morre no parto; o pai morre para a vida e para a filha naquele momento. Assim, Catarina cresce sem saber bem quem é, com a vida entrelaçada com a democracia, e o nome herdado de outra Catarina. Nem o amor dos tios, que a criam como sua, consegue colmatar o vazio que sente. João Aurélio, o pai, vive à espera de morrer, sem conhecer a filha, a quem não perdoa a morte da mãe, sem perdoar à democracia que decidiu chegar logo naquele dia.
É com a democracia como centro que Álvaro Laborinho Lúcio nos vai contando a história de uma família e de um país, antes e depois do 25 de Abril.
Gostei mais do que esperava deste livro. Gostei das pessoas que o habitam: do Honório, do Diogo e da Catarina. E até do João Aurélio. Gostei das suas histórias. Gostei que as histórias de amor deste livro não fossem de paixão, mas de amizade.
E gostei de pensar a democracia, o presente à luz do caminho que fizemos até aqui. Estamos, não apenas em Portugal, mas também na Europa, numa encruzilhada, e o futuro não parece feliz. A literatura tem aqui um papel importante, e este livro é uma boa forma de relembrar questões importantes.
(uma excelente escolha para presente de Natal!)
