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Ler por aí

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20
Abr19

Armários vazios, de Maria Judite de Carvalho

Patrícia

Os-Armarios-Vazios.jpg

 

 

Na minha estreia e sem surpresa, fiquei conquistada pela forma como esta escritora escreve as mulheres e a solidão. Digo "sem surpresa" porque a tantas pessoas ouvi o elogio que já estava, de certa forma, à espera do que encontrei. Maria Judite de Carvalho foi, sem dúvida, uma escritora maravilhosa e com uma imensa capacidade de fazer o leitor sentir. 

Neste Os armários vazios, Maria Judite de Carvalho apresenta-nos, primeiro, a Dora Rosário, viúva antes de mulher, que procura sobreviver à sua condição e criar a filha Lisa que, tantas vezes, se parece mais com Ana, a sogra, que consigo. Depois, pela mão de Dora, pela sua história, vamos conhecendo as outras mulheres. Ana, Lisa, Júlia e, claro, Manuela. E os homens. Sempre os homens, que são secundários nesta história mas que serão sempre personagens principais nas vidas daquelas mulheres.

Sendo um romance (ou uma novela? nunca sei bem) tão curto lê-se quase de uma assentada e deixa-nos, ou pelo menos a mim deixou, com uma sensação de vazio e de tristeza. Não gostei, no final, de nenhuma das mulheres a que a escritora me apresentou. Faltou-me um toque de esperança de mudança (e não, a Júlia não foi o suficiente para isso). Mesmo reconhecendo (ou talvez por isso mesmo) tantas mulheres que se encaixam em cada um dos estereótipos ali representados, acredito que até nessas há mais alguma centelha de vida, ou que não se deixam derrotar com tanta facilidade. Não é a derrota que me incomoda... é a falta de haver gritos e berros e esperneio pelo meio.

 

 

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