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Ler por aí

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29
Out13

AqGdL 3 : TRILOGIA: As 50 Sombras de Grey; As 50 Sombras Mais Negro; As 50 Sombras Livre, de E. L. James

Patrícia
Os meus amigos continuam a gostar de ler. E desta vez foi a Andreia que escreveu um texto aqui para o blog. Ela resolver escrever sobre a trilogia mais falada do momento. Confesso-vos que esperava ansiosamente este texto, uma vez que a Andreia, com formação na área das Letras, seria a última pessoa que esperava que lesse estes livros.
Obrigada, miúda :)
 
 
Derivadaà minha formação académica, sempre me habituei a olhar para um livro através dasua construção, não sendo só a estória o fator preponderante, mas assumo quepara a maioria das pessoas seja a estória o fator fulcral.
Confessoque não sou apologista dos chamados livros cor-de-rosa que na minha ótica nãosão literatura e esta afirmação pode incorrer num debate infindável. Nãopretendo discutir balizamentos do que é ou não literário, apenas introduzi esta“breve” afirmação no intuito de iniciar um curto resumo sobre o livro acimareferenciado e justificar o meu ceticismo inicial na leitura.
Foirelutante da minha parte o começo da leitura da trilogia, porque à partidapensei tratar-se de mais uma panóplia cor-de-rosa com muito sadomasoquismo àmistura, um cocktail explosivo para o ramo editorial, onde cada vez mais seaposta nas vendas e não propriamente na qualidade de uma boa estória (nomínimo).
Lembro-mede na altura uma colega de trabalho me falar sistematicamente na trilogia eperante o entusiasmo dela, ter acabado por iniciar a leitura. Poder-se-á dizerque foi um ato compulsivo e inusitado. E ainda bem que atos destes me incorremvolta e meia.
Atrilogia é uma narrativa compulsiva, arrebatadora e viciante. Em 2 semanas li 3livros de cerca de 550 páginas cada um.
Narraa estória de um milionário submergido nas suas sombras do passado que omolestam desde tenra idade e que o fizeram construir uma personalidadedemarcadamente dominadora e atormentada. Será através de uma paixão promíscua eavassaladora que o mesmo se irá desfragmentar, render-se e quebrar as barreirasque interpôs entre ele e o mundo, mergulhado a fundo na sua psique.
Muitomais do que um romance com uma tremenda carga sexual, onde o devaneio sexual ea experiencia libidinosa se aliam, esta trilogia marca uma redefinição de umconceito cada vez mais esmagado pela nossa sociedade assente em pilaresdemarcadamente materialistas: as relações a dois, onde oindividualismo impera com total ausência de entrosamento e partilha entre oscasais. A suposta partilha que pressupõe a aprendizagem ao lidar com oquotidiano que por vezes se torna dilacerante.
Mr.Grey, expoente máximo da materialidade, redefiniu-se e reencontrou-se atravésde Anastasia e de um amor ao estilo do século XIX, acalentando uma esperança deque há ideais mais nobres que se sobrepõem à nossa sociedade sufocante.
Talvezo sucesso do livro se justifique porque vivemos numa sociedade onde as pessoasdeixaram de sonhar, de lutar e de idealizar. A autora conseguiu trazer à tona essanossa lacuna e deliciou-nos, não descurando contudo da época onde vivemos, eonde supostamente as pessoas adquiriram um à vontade relativamente à suasexualidade.
Maisdo que uma estória, há toda uma construção por trás de valentes palmadas e dediversos jogos de prazer.

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