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Ler por aí

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11
Mai14

A última noite em Lisboa, de Sérgio Luís de Carvalho

Patrícia
 



A Lisboa da segunda guerra mundial fascina-me. A mistura entre o provincianismo das nossas gentes, fechadas ao mundo por uma ditadura que, ainda assim, conseguiu livrar esta gente das piores agruras da guerra, com a cultura,a inteligência e a beleza dos refugiados e dos espiões parece-me perfeita para as páginas dos livros. Afinal a verdade é que Lisboa se tornou um palco privilegiado dos bastidores da Segunda Guerra Mundial. 
Começam a aparecer os romances com este pano de fundo. Quem me conhece sabe da minha paixão pelo “Uma companhia de estranhos” de Robert Wilson e da minha desilusão com o “Enquanto Salazar dormia” de Domingos Amaral. A primeira coisa que me atraiu neste “A última noite em Lisboa” foi a capa que me fez pegar no livro, ler a sinopse e decidir que queria ler aquele livro.
E ainda bem que o fiz. Gostei muito.
Ao contrário do “Uma companhia de estranhos” esta história não se centra no desempenho dos espiões, da contra-espionagem, da rede de informação e contra-informação que por cá foi construída. Mas essa parte não deixa de fazer parte deste romance. Está lá, em pano de fundo. Tal como o glamour das festas, das estreias, dos casinos, dos bares. Tal como as meias de seda e as pernas bem torneadas das refugiadas (coisa nunca vista nas ruas Portuguesas), tal como a luz de Lisboa, os apitos dos elétricos e as iscas, com e sem elas.
Mas, acima de tudo, nestas páginas transborda a tristeza dos que por aqui passaram, a dor que comoveu os Portugueses que, na sua maioria, partilhou com generosidade o pouco que tinha.
O protagonista masculino, Henrique, cresceu ao longo da história. De um parolo inteligente que trabalha num jornal pró-nazi transforma-se num homem generoso e corajoso ao conhecer a bela e misteriosa Charlotte. Charlotte, uma refugiada austríaca, com ligação a um ex-prisioneiro de guerra comunista (e que, naturalmente, se torna combatente na guerra civil Espanhola) é uma mulher comum passado que não partilha facilmente, cujas intenções não são claras e que vem destabilizar a relação de Henrique e Maria Carolina.
Dos três protagonistas destaco Maria Carolina que, para mim, representou muito bem Portugal. Provinciana, pobre, honrada, bondosa, curiosa, corajosa. O que esta mulher cresceu ao longo do livro! Tal como Portugal que, com a convivência com todos os que por aqui passaram, soube crescer, aprender, absorver cultura, coragem e beleza.

 

Mas mais do que a Estória eu gostei da História neste livro. Gostei dos pormenores que o escritor usou para nos descrever a Lisboa, o ambiente que se vivia. A mistura entre realidade e ficção é perfeita. Adorei e recomendo.

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