Ler por aí
 
16 de Fevereiro de 2018

Não é propriamente uma novidade. Todos nós, leitores, percebemos que há vários tipos de livros, vários tipos de histórias, que perceber as várias camadas de um livro é o que de mais interessante nos pode suceder numa leitura.

Tal como vos disse na quarta feira esta teoria é dos meninos do The Legendarium (que têm até um episódio que lhe é totalmente dedicado) e eu acho-a bastante interessante.

Basicamente referem 3 tipos de história/momentos: o primeiro nível, o mais superficial, é o da história em si. Um livro totalmente nível 1 contar-nos-á uma boa história, permitir-nos-á passar umas horas divertidas mas não nos acrescentará nada à vida, não nos fará sequer pensar ou reflectir, muito menos evoluir ou crescer. 

O segundo nível será uma história (ou momento na história) com conotações políticas, sociais, de crítica aos sistemas em vigor, etc. O tipo de livro que nos faz parar para pensar um pouco no que nos rodeia. 

O nível 3 será um pouco mais profundo, far-nos-á reflectir, irá ao âmago do que somos, de quem somos. Basicamente caem neste nível as grandes questões da humanidade, as relações com os outros, questões de fundo, de valores.

Claro que estes níveis acabam por ser diferentes para cada um. O que aqui escrevi já reflecte mais a minha posição do que a deles e certamente será diferente da vossa.

Independentemente de usarmos esta ou outra escala, esta teoria mantém-se para cada leitor.

É interessante pensar um livro consegue ser um puro nível 1 e que funciona lindamente mas que qualquer um dos outros níveis de história só funciona se estiver combinado com uma boa história. 

Acredito que haja leitores para quem o nível 1 é mais do suficiente, que seja isso apenas que procuram: uma boa história. Nada de problemático aqui. Eu, pessoalmente, cada vez procuro mais livros com várias camadas. Livros que me obriguem a pensar. 

Mas tenho que admitir que o melhor mesmo é quando um livro é transversal a todos estes níveis e permite que cada leitor mergulhe naquela história de maneira individual e que, mesmo sem dar conta, se questione, questione o mundo em redor. Esse é o grande poder da literatura. Esses são os momentos nível 3 que fazem com que um livro, um autor, se torne especial.

Boas leituras

 

 

publicado por Patrícia às 07:00 link do post
Acho esta ideia dos níveis muito interessante. Eu estou como tu, já raramente um livro me satisfaz completamente se não tiver nada sobre o que refletir. Não acho que tenha mal nenhum ler ou gostar de ler os livros do nível 1, e às vezes também o faço para descontrair, mas aqueles em que me sinto plenamente realizada como leitora são os que me desafiam, os que me fazem questionar as coisas em que a acredito e o modo como levo a minha vida.
Célia a 16 de Fevereiro de 2018 às 15:32
Gosto principalmente da ideia de um livro ter vários destes momentos  e do exercício de os identificar. Aí, a partilha e as conversas à volta dos livros têm um papel muito importante. Quantas vezes outros nos chamam a atenção para pormenores que não tínhamos valorizado e que dão outra dimensão aos livros?
Cada vez mais acho que as leituras - coisa tão individual - se tornam mais ricas ao serem partilhadas.
Patrícia a 18 de Fevereiro de 2018 às 14:40
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