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Ler por aí

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30
Ago14

A sentinela, de Richard Zimler

Patrícia

Num registo completamente diferente do habitual (o que só prova otalento e a versatilidade deste escritor) Zimler apresenta-nos Hank Monroe,americano de nascimento, Português de coração, inspetor da policia Judiciária eatualmente encarregue de investigar o homicídio de Pedro Coutinho, um ricoconstrutor civil que aparece morto na sua própria casa.
Mas este não é um policial típico e Monroe é tão mais que apenas oinvestigador que a minha atenção  sedesviou amiúde do crime para se centrar nesta personagem, nos seus dramas, nasua família, na sua personalidade fascinante.

Deste cedo sabemos que Hank e o seu irmão Ernie (outra personagemfascinante) foram vitimas de violência na infância e que isso os marcouprofunda e inexoravelmente. E rapidamente descobrimos também que o Gabriel éfruto desse trauma e que é ele o protetor de todos os que rodeiam Hank. Ana, amulher de Hank  e os seus filhos Nati eJorge (o doce e especial Jorge e o corajoso Nati) completam o seu círculoprivado e são os seus pilares.
A investigação do crime é interessante mas o verdadeiro fascínio destelivro é mesmo a carga emocional e a luta dos personagens.
Não foi um livro fácil de ler. Duro. Real, demasiado real. Arrepiante.Volta e meia o nojo e a raiva eram tudo o que conseguia sentir. Temas como apedofilia, a violência física e psicológica, o transtorno de identidadedissociativa, a corrupção, a crise, o amor, a lealdade, a intimidade, acumplicidade são esmiuçados neste livro e nem sempre o resultado é aquele queesperamos.
Zimler não é bondoso com o leitor e não nos conta um conto de fadas.Obriga-nos a olhar para o lado negro e a perceber que a realidade está ali aonosso lado, enraizada no nosso mundo, por mais pequeno que ele seja, e que o “eforam felizes para sempre” simplesmente não existe fora dos livros infantis.
Este é um livro corajoso.

Não é novidade para quem me conhece que Richard Zimler é um dos meusescritores favoritos. Este livro é diferente de todos os outros do autor que jáli mas arrisca-se a ser um dos meus favoritos.


*Uma nota apenas: ao reler o que escrevi ao longo dos anos sobre Richard Zimler notei que refiro algumas vezes que o escritor não é Português. Estava errada. Zimler tem, acho, dupla nacionalidade. Por isso, sim, é Português.

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