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Ler por aí

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18
Ago13

A Pincesa de gelo, de Camilla Läckberg

Patrícia

" A nova Agatha Christie que vem do frio". A frase na capa promete um regresso ao policial puro, cujo enredo continha todas as pistas para se descobrir o assassino. Nada demasiado óbvio, nada demasiado rebuscado. Infelizmente não é o que esta escritora nos traz. Na contra capa a comparação com os escritores nórdicos que estão na moda. Sem nomes, desta vez, deixando que a cada um um seja sugerido o ou os nomes que mais nos interessaram. Não posso deixar de me lembrar de Stieg Larsson, Jo Nesbo ou Anne Holt. Infelizmente, na minha perspectiva Camilla Läckberg perde na comparação com qualquer um destes nomes.

A Princesa de Gelo é demasiado previsível. E com pontas soltas. É certo que talvez essas pontas soltas aproximem esta história da realidade mas quem é quer quer um policial em que os maus da fita não são castigados?
Calma, não é exactamente isso que aqui acontece. Mas há histórias secundárias que, não só não fazem falta no livro como nem sequer são terminadas como deveriam. Mas vamos por partes...
O crime central é a morte de Alexandra, numa pequena localidade de nome impronunciável. Alexandra é encontrada morta, com os pulsos cortados, nua dentro da banheira. Os pais e o marido não acreditam que seja suicídio, coisa que acaba por ser óbvia para todos inclusive a policia e Erica, uma escritora amiga de infância de Alex. E é Érica e Patrick que se empenham em desvendar este homicídio. Ela, porque agarra a oportunidade de descobrir as verdadeiras razões do afastamento de Alex na juventude e porque tem finalmente uma ideia para escrever um livro e ele porque... bem porque é policia.
Ao mesmo tempo que se concentra na investigação ao homicídio, Erica vive um drama familiar com a sua irmã, vitima de violência física e psicológica.

Esta segunda história, a da violência doméstica vem na onda das denúncias feitas neste tipo de livro . Começa a parecer-me que na alta sociedade nórdica existe um grave problema de violência que vai sendo sistematicamente denunciado neste tipo de livro. E nem sequer me parece que saibam muito bem como resolver a coisa. O que me irritou neste livro foi que a mensagem que passou é que há um limite, mas que esse limite está quando a porrada passa da  mulher para os filhos. E que na mente de uma mulher doente esse limite pareça aceitável eu até compreendo. Mas não me parece correcto que, num livro, a mensagem global não seja a de que o limite está na primeira vez que há violência. Não me parece aceitável que a justificação para a queixa na polícia (que por acaso fica apenas no "ar") seja apenas o tentar impedir que o filho da mãe fique com a guarda das crianças. A autora passou imenso tempo a fazer-nos compreender como é que uma mulher aceita tal coisa e muito pouco a tentar fazer as mulheres compreenderem que nenhuma dessas justificações é aceitável e que o que devem mesmo fazer é sair dali para fora assim que ele levanta a mão a primeira vez e preferencialmente depois de lhe terem pregado com a panela de pressão na cabeça.

Outra coisa que me irritou desde o princípio foi a total previsibilidade de alguns dos acontecimentos centrais da trama. não vou falar muito sobre isso mas não houve nada que eu não tivesse percebido antes de me ser contado pela escritora. Nada. Assim que as personagens apareciam a "pista" era demasiado óbvia. 

Os personagens também são um bocadinho amorfos, confesso. O amor de infância aliado ao desespero (como se aos 30 e tal a mulher fosse alguma velha) que se transforma numa paixão arrebatada de um dia para o outro, a construção superficial de quase todos os personagens, enfim nada contribuiu para que este livro fosse o que prometia.

Passei todo o tempo à espera de uma reviravolta que nunca chegou. No geral achei este livro muito fraquinho. Lê-se, mas não esperem nada de especial.

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