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Ler por aí

Ler por aí

31
Mar17

Curtas 2017 #20 - Provocação literária

Patrícia

O "Livro do desassossego" de Fernando Pessoa é o nosso "Ulisses", não é? A obra prima, favorito de todos os não-leitores que, por magia insuspeita, o leram, de fio a pavio, e ainda hoje, anos volvidos, o estão a digerir mentalmente. 

 

(Não, nunca li "O livro do desassossego". Li, algures por aí, algumas das entradas (toda a gente já leu algumas das entradas), conheço-lhe (mais ou menos) a estrutura mas nunca o li. Tenho em casa pelo menos uma versão parcial do livro mas hoje, finalmente, comprei a versão integral, apanhei uma promoção razoável, apeteceu-me e colmatei esta falha que me envergonhava enquanto leitora.)

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27
Mar17

Curtas 2017 #17 - Mitos e outros temas livrescos

Patrícia

Eis que começa uma nova série aqui no blog: “Mitos e outros temas livrescos”. Gostei tanto de falar convosco nos “direitos dos leitores” que precisava continuar este diálogo de alguma forma.

Assim proponho-me a falar um bocadinho, sempre sem me levar muito a sério, de variadíssimos temas, relacionados com livros e leituras.

Obviamente não faço ideia se isto vai resultar, se terei temas, paciência ou imaginação para esticar isto mais do que meia dúzia de dias, mas não faz mal.

Também não me proponho ter posts todos os dias nem com dias marcados. Seria bonito mas não vale a pena enganar-vos: não vou conseguir. Combinemos uns 2 por semana, enquanto a imaginação ajudar, ok?

Se tiverem ideias para temas a desenvolver, sintam-se à vontade para os sugerir (que eu agradeço e muito).

Até já

24
Mar17

Curtas 2017 #16 : Chamem-me "velha do restelo" à vontade

Patrícia

Em estudante era normal usar todos os truques para escrever mais depressa. Comer letras nas palavras era o mais básico. Os "que" passavam a um "q" cortado em baixo, os advérbios terminados em "mente" tinham uma "/" em vez deste final, o muito passava a  mto, o quanto a qto. Por razões profissionais (sou do tempo em que parte da comunicação se fazia por telex - já não do picotado mas via computador - pago por caracter) aprendi muito mais abreviaturas, em português e em inglês que uso regularmente por fazer parte da linguagem da área (há listagens imensas de abreviaturas, é todo um mundo). 

Talvez por ter este hábito enraizado não me consigo habituar às substituições dos Q por K ou do CH por X. Não considero ter qualquer benefício, não poupa tempo, irrita-me e considero-o esteticamente feio  (e antes que perguntem, sim, acho uma página cheia de palavras uma visão bonita - o problema é quando determinadas palavras - erros ortográficos, por exemplo - sobressaem). 

10
Mar17

Curtas 2017 #15 Direitos dos leitores (parte 7)

Patrícia

E na última parte desta brincadeira que foram os Direitos dos Leitores vou ter que falar daquele que é o mais importante, fundamental e inalienável direito do leitor.

Falo, claro, do direito de ... "Não ler".

(Se por algum leitor deste blog está no ensino obrigatório, esqueça, este direito não pode ser invocado nas leituras obrigatórias. Não me usem como desculpa para não ler um livro. Vocês têm mesmo que ler isso. Não gostam? azareco, é obrigatório. Considerem-no como um prelúdio da idade adulta: ainda irão, pela vida fora fazer muita coisa que não queriam fazer e a maioria será bem mais desagradável que passar umas horas refastelado no sofá a ler um romance tão maravilhoso quanto "Os Maias")

Não ler um livro específico, não ler determinado autor, não ler um género literário, não ler durante uma semana, não ler durante um mês, não ler durante um ano.

É, para a maioria de nós, contranatura? sim, é. Mas Não Ler é um direito. Não ser Leitor é um direito.

10
Mar17

Curtas 2017 #14 Direitos dos leitores (parte 6)

Patrícia

Acreditem em mim, um leitor de livros electrónicos é tão leitor quando um leitor de livros físicos e tão leitor quando um leitor de audiobooks. 

(Já estremeceram? já me rogaram pragas? confessem já estavam com saudades de me ver defender outros formatos de leitura)

Um livro é, acima de tudo o conteúdo. As palavras que se transformam em histórias, em mensagens. O acto de ler é maravilhoso mas o fim da leitura é apreender o que está escrito (não é a mesma coisa ler a bula dos medicamentos ou os ingredientes das bolachas que ler um poema, pois não?) e isso pode fazer-se de várias formas.

Ler um livro físico, ler em português ou noutra língua qualquer, Ler em formato electrónico, ouvir as palavras, ler com a ponta dos dedos, tudo, tudo isso é permitido. Tudo isso faz parte de ser leitor. 

Não há leitores menores, não há leitores de géneros menores. Há leitores.

08
Mar17

Curtas 2017 #13 Direitos dos leitores (parte 5)

Patrícia

Quem diz que uma fila qualquer não é um óptimo lugar para ler? Ou o consultório médido? O os 10 minutos reservados para o pequeno almoço?

Eu diria que as únicas alturas onde não é, de todo, permito ler são aqueles momentos passados com família ou amigos (e ainda assim quem nunca espreitou o ebook no telemóvel durante uma festa de família que atire a primeira pedra).

Quase todas as alturas e lugares são bons para ler. 

Se há quem goste de ler ao mesmo tempo que almoça, qual é o problema? Se há quem goste de ler quando vai à casa de banho, qual é o problema? 

Ler em casa, no café, no restaurante, nos transportes públicos, na casa de banho, nas filas do supermercado, das finanças, da segurança social, enquanto se espera pelo amigo que está atrasado para o café, quando se chega ao trabalho antes da hora... De manhã, à tarde ou à noite. Leiam quando vos apetece e vos parece adequado. Também isto é um direito do leitor.

07
Mar17

Curtas 2017 #12 - Direitos dos leitores (parte 4)

Patrícia

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Eu, Monstra me confesso, claro.

 

Um dos direitos dos leitores é, sem qualquer género de dúvida, "viver" os seus livros. Dobrar páginas para marcar a leitura, para marcar uma passagem ou para esconder uma frase.

Sublinhar, a lápis, a caneta ou a marcador.

Escrever, deixar comentários, dialogar com escritor, personagem ou narrador.

Pôr post-its como está tão na moda.

Deixar fotos ou vestígios da época em livro foi lido, como vi num vídeo de uma booktuber e que achei uma ideia maravilhosa.

Dobrar a capa, colar autocolantes, tirar a sobrecapa ou fazer uma nova.

Um livro é objecto para ser amado e, para mim, não há nada mais triste que um livro passar pela vida incólume, sem vestígio de ter sido lido.

 

Não era brutal abrirmos um livro e termos na primeira página indicação de quando e por quem aquele livro foi lido?

 

06
Mar17

Curtas 2017 #11 - O meu suporte para livros

Patrícia

Já me disseram mais de uma vez que, através deste blog, é difícil saber quem sou. Geralmente respondo apenas com um sorriso porque é exactamente isso que pretendo: que este blog reflicta apenas o meu lado de leitora.Tudo o resto é absolutamente desinteressante.

Mas hoje deixo-vos aqui uma janela para a minha vida privada: o meu companheiro de leitura, que tantas vezes serve de suporte para o KOBO (também funciona com livros mas geralmente reclama mais depressa), o gato mai lindo deste mundo. :)

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04
Mar17

Curtas 2017 #10 - Direitos dos leitores (parte 3)

Patrícia

Mudar de opinião acerca de um livro é mais do que um direito. Mudar de opinião é natural, saudável e, diria até, fundamental.

A nossa idade, maturidade e experiência são fundamentais para a apreciação de um livro. 

Não falo apenas dos livros que adoramos em criança ou na adolescência. Falo, acima de tudo, dos livros que lemos numa determinada altura da nossa vida adulta e que, uns meses ou anos depois, relemos e nos apercebemos de que a nossa opinião anterior já não faz qualquer sentido.

Há livros que me recuso a reler porque os adorei e tenho pavor de os "estragar". São livros que me marcaram e que eu considerei, num determinado momento, maravilhosos mas que sei que me vão desiludir se os ler com os "olhos" de hoje. Sinceramente prefiro não o fazer. A "ideia" que tenho do livro, o sentimento bom que ficou, é suficiente. Chega-me saber que aquele livro foi o certo na altura certa".

 

Há também o contrário: livros que não gostei muito e que hoje (ou no futuro) serei capaz de ler de forma diferente. (Sei hoje que) Na altura li-os de uma forma superficial, que não tinha capacidade para apreciar todas as suas camadas.

 

 

 

03
Mar17

Curtas 2017 #9 - Direitos dos leitores (parte 2)

Patrícia

Outro dos direitos inalienável dos leitores é o de não gostar do livro que toda a gente amou.

Eu costumo dizer que sou (quase) sempre a "ovelha negra" que não gosta do livro do momento. Talvez tenha a ver com expectativas, talvez tenha a ver com ser um bocadinho "do contra" , não sei, a verdade é que não gosto muito de ler o livro da moda.

E é absolutamente inadmissível o que se passa quando alguém se atreve a dar uma opinião menos positiva... É o drama, o horror e a tragédia, há insultos e lágrimas (pronto, lágrimas é é exagero meu - acho - mas insultos é aos molhos). 

Mas acreditem em mim, é perfeitamente possível, ser inteligente, boa pessoa e acima de tudo absolutamente normal e não gostar do último best seller.  

É aliás, extremamente saudável ter uma opinião individual e fundamentada sobre os livros que lemos... mesmo quando essa opinião é diferente da mais comum.