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Ler por aí

Ler por aí

14
Mai18

Elantris - uma introdução

Patrícia

Elantris é um primeiro livro. O que é irritante tendo em consideração o quão bom é. Para além de ser um primeiro livro, é um livro cuja história começa e acaba no mesmo volume. Quer dizer, mais ou menos. Quem já conhece o Brandon Sanderson sabe que com ele nunca é bem assim. Sim, a história de Elantris basta-se a si mesma mas é também o início da grande aventura que é Cosmere.
Apesar de eu já ter lido alguns livros do universo Cosmere (Mistborn Era 1, Warbreaker, Edgedancer e Stormlight archives) a verdade é que nunca tinha lido o início de tudo. O desafio, até que seja publicado o quarto volume da saga de Stormlight Archive, é ler (ou reler) os livros e tentar construir o grande puzzle que é Cosmere.
Ler Brandon Sanderson é sempre uma experiência interessante. Este é o autor que mais interage com os seus leitores e que nos faz sentir parte do processo. Há até uma secção no seu site com anotações, capítulo a capítulo, que nos permite ler o livro como o autor gostaria que o lêssemos. Para quem lê o livro pela primeira vez - ou até para quem está a começar a ler o escritor - talvez isto seja até demasiada informação. Ler é acima de tudo uma experiência individual e deixarmos que alguém - nem que seja o próprio escritor - conduzir-nos nessa leitura pode ser demasiado e desnecessário. Ou pode ser interessante. A minha sugestão é que a primeira leitura não seja acompanhada.
Ler um livro de fantasia implica sempre um mergulho no desconhecido. É necessário tempo para que nos adaptemos a outra realidade, a outros mundo e a outras regras. É necessário que tenhamos a abertura de mente suficiente para permitir transformar um mundo ligeiramente diferente dos nosso em algo familiar.
Claro que o BS ajuda bastante. Apesar de ter fabulosos sistemas de magia (se bem que todos, nos livros do universo de Cosmere, se baseiam num princípio chamado Investiture - conceito de que falaremos vezes sem conta e que um dia talvez percebamos melhor) os seus livros são maravilhosos por várias razões para além da magia. Acho que o autor nos mostra que não há temas tabu para a fantasia, que a discussão de problemas fundamentais pode ser feita nas páginas de um livro deste género e que a intriga política é um tema a não resiste. Mas confesso que a mim é a interacção entre os personagens que mais me interessa, é a construção multi-dimensional de cada personagem que me atrai.
Elantris, casa de semi-deus escolhidos pelo Shaor (transformation), cidade caída em desgraça há 10 anos onde o acesso ao Dor se perdeu, Em vez de semi-deuses, os escolhidos pelo Shaor transformam-se numa espécie de zombies (não consigo deixar de revirar os olhos mas é, de facto, a melhor descrição para o resultado da transformação). Ora o primeiro dos personagens que vamos seguir ao longo desta leitura é precisamente um dos escolhidos pelo Shaor, o Raoden, príncipe herdeiro de Arelon que é atirado, sem apelo nem agravo, para Elantris que se tornou, nos últimos anos, numa cidade-prisão.
Azar dos azares, Raoden vai para Elantris (em segredo, pois oficialmente está morto e enterrado) antes de conhecer pessoalmente a noiva, Sarene. Apesar de ser acima de tudo um acordo político, tudo leva a crer que aqueles dois iriam dar certo pois ambos são, acima de tudo, inteligentes. Aliar a essa inteligência, bondade e humor, parece ser o caminho para fazer destes 2. personagens interessantes - e deixar o suposto romance de lado, para segundo plano (Brandon, confio em ti para não transformares o amor destes dois no centro da história, ok?).
O anti-herói desta história - basta-nos umas páginas para perceber que não vai ser o vilão, certo? - o Hrathen, vem para tentar salvar os habitantes do reino, convertendo-os à sua religião (onde é que já vimos isto, certo). Aposto em crises de fé, especialmente depois de ser brutalmente manipulado pelo verdadeiro vilão.
Ao longo da leitura hei-de vir contar-vos as minhas teorias, falar dos personagens, dos momentos e das frases que me têm marcado ou simplesmente chamado a atenção. Se estiverem a ler o livro e quiserem falar, trocar dois dedos de conversa, se me quiserem contar as vossas teorias, usem e abusem da caixa de comentários.
Boas leituras
Journey before destination - enjoy the journey

22
Abr18

Oathbringer, de Brandon Sanderson (Parte 3)

Patrícia

O par mais improvável deste livro é a Lift e a Nightblood, quer dizer a Lift e o Szeth. Bem, acordemos num trio improvável.

A gaiata continua a ser das minhas personagens favoritas. E continua a protagonizar alguns dos momentos mais divertidos do livro. E mais ternurentos.

A Lift é, até agora, a personagem mais pura deste livro. Apesar de ser uma ladra e de ter, provavelmente, um passado “complicado”. E à sua boa e retorcida maneira até a NightBlood reconhece isso. Acho que há ali futuro (um futuro assustador mas ainda assim um futuro).

Deste o início que, como leitora, compreendia as razões do Szeth, e por isso fiquei feliz quando ele se juntou aos SkyBreakers. De facto, não havia outra ordem de Knight Radiants para ele.

O processo pelo qual este personagem passou (chamemos-lhe crise de fé), tendo sido forçado a perceber que a oath stone era e sempre tinha sido apenas uma pedra é algo com o qual todos nós nos podemos rever. Quando somos forçados, nem que seja por nós mesmos, a questionar uma crença, a perder uma ilusão sentimo-nos, por mais ou menos tempo, vazios. Mesmo que seja um alívio e a conquista da liberdade. Por tudo isso ver o Szeth transferir a sua lealdade para com o Dalinar e dedicar-se, com a mesma dedicação com que o tentou matar, a protegê-lo não foi sequer uma grande surpresa. Todos nós sabíamos que, mais tarde ou mais cedo, o Szeth ia aterrar ao lado certo. Vê-lo com a Nightblood e a Lift, isso sim, foi uma surpresa.

Estes três personagens foram, no entanto, pouco explorados neste livro. E sim, eu li o Edgedancer e sei que a história de Lift e do seu pet voidbringer é contada aí. E também li o Warbraker onde conheci a Nightblood e a Azure Vivenna. Mas todos contamos com um livro a contar toda a história de Szeth Son-Son-Vallano, o assassino. Diz que será o quinto (a ver vamos).

 

Claro que um dos meus diálogos preferidos é aquele entre a Lift e Dalinar, quando ele enfrenta um exército com, apenas, um livro na mão (e que, esmiuçado, dá pano para mangas):

 

“Were you . . . thinkin’ you’d fight them all on your own?” Lift said. “With a book?”

“There is someone else for me to fight here.”

“. . . With a book?”

“Yes.”

She shook her head. “Sure, all right. Why not? What do you want me to do?”

The girl didn’t match the conventional ideal of a Knight Radiant. Not even five feet tall, thin and wiry, she looked more urchin than soldier.

She was also all he had.

“Do you have a weapon?” he asked.

“Nope. Can’t read.”

18
Abr18

Elantris quote #1

Patrícia

So, using his pride like a shield against despair, dejection, an - most important - self-pity, Roaden raised his head to stare damnation in the eyes.

 

***tradução livre/lição a memorizar: A força necessária para enfrentar as situações mais complicadas da vida tem que vir de dentro. Usar o orgulho como escudo perante o desespero e a vontade de auto-vitimização. 

12
Abr18

Oathbringer, de Brandon Sanderson (Parte 2)

Patrícia

(haverá, neste post, spoiler aos livros Way of King, Words of Radiance e Oathbringer)

(continuaçao)

E falar no triângulo amoroso do momento implica falar do terceiro vértice, o Kaladin. 

200px-Kaladin_and_Syl.jpg

 

Uma das primeiras e mais marcantes cenas do Oathbringer é o regresso do Kal à casa dos pais. Apesar de ser um windrunner e do céu ser o seu lugar, o Kal não tem Stormlight suficiente para lá chegar antes da Everstorm. O encontro com os pais é super emocionante e finalmente ele pode partilhar com os pais o fardo da morte de Tien. Mas, em Hearthstone, o momento alto é o encontro com  com Roshone e o seu "That's was for my friend Moash". Pronto, este é o momento alto para os fãs do Kal. Mas o maravilhoso é a capacidade de superação, a força de carácter demonstrada, a seriedade e o compromisso para com os votos que fez.

 I will protect those who can't protect themselves

 

Na verdade todos sabemos que o Kaladin já praticava o segundo ideal muito antes de o dizer. O terceiro, o proteger mesmo aqueles que odeia é que foi desafiante. E ao longo deste livro isso fica muito, muito claro.

Uma das coisas mais fascinantes é que o autor, ao longo de todos estes livros, pega em algo que conhecemos ou julgamos conhecer, sobre o quais temos uma ideia formada e à custa de sofrimento e angustia, desconstrói tudo e obriga-nos a reavaliar as nossas posições.

A noção de Honra é-nos enraizada desde sempre. EmRoshar a Honra morreu. Restam apenas pequenos pedaços dispersos pelo mundo pelo que talvez a verdadeira imagem da Honra não seja ainda conhecida. Talvez não seja, nem de perto nem de longe, aquilo que esperamos. Mas uma coisa sabemos: a quebra de um juramento, de uma promessa - seja ela qual for - é suficiente para a matar (o que me leva a perguntar: que promessa foi necessária ser quebrada peloOdium e pelosListenners para matar o Almighty?).

O Nahel bond com uma Honorspren, tal como o que o Kal tem com a Syl, não suporta sequer a indecisão, a dúvida. Na verdade também não interessa o que é certo. Apenas importa o cumprimento da promessa feita. O espírito da promessa é muito menos importante que a letra da promessa.
Chega a ser angustiante ver a permanente dúvida sobre o que é certo. E como diz o Kal, aparentemente o certo é o que a Syl acha certo. Tenho a sensação que, algures no tempo, o Kal e a Syl vão ter ideias bem diferentes sobre o que é certo e errado e aí veremos quem cede e a que custo.

O momento, durante o cerco a Kolinar, em que o Kal se apercebe de que todos ali são inocentes, todos são seus amigos e que estão todos a morrer às mãos uns dos outros, é brutal. Acho que morri um bocadinho naquele momento. E, confesso, não morri de pena do Elhokar mas #FuckMoash pelo que aquele momento fez ao Kaladin.

A luta de Kaladin para dizer o quarto ideal e a coragem do autor de não o transformar no salvador da pátria em todos os livros foi um dos pontos positivos deste livro. Não acho que o Kal vá ser o primeiro a dizê-lo (aliás, acho que já há quem o tenha dito) nem acho que seja absolutamente necessário que o faça.

A bridge 4 continua a dar-nos alguns dos melhores momentos do livro e a deixar arcos com enorme potencial. Foi muito emotivo seguir a história do Teft  e o terceiro ideal dito por ele é de partir o coração(I will protect those I hate. Even if the one I hate most is myself), quero muito saber como raio o Rock conseguiu disparar aquele arco, acompanhar as meninas da equipa e continuar a rir-me com o The Lopen.

 

Life before death, strength before weakness, journey before pancakes

 

(e por falar em panquecas... temos que falar da Lift)

(Continua...)

10
Abr18

Oathbringer, de Brandon Sanderson

Patrícia

 

(haverá, neste post, spoiler aos livros Way of King, Words of Radiance e Oathbringer - esses spoiles estão previamente identificados)

oathbringer.jpg

 

The most important step a man can take. It's not the first one, is it?

it's the next one. Always the next step

 

Cada vez é mais dificil escrever sobre os livros desta série.

Na verdade tenho inveja de todos aqueles que ainda não leram este e os outros. Tenho inveja simplesmente porque ainda os podem ler pela primeira vez. E isso eu já não posso fazer.

Claro que ainda vou reler (provavelmente mais do que uma vez) este livro. E em cada releitura vou descobrir mais algumas peças do mundo que o Brandon Sanderson está a criar. Mas não vou tornar a ler sem saber o final, sem conhecer a proxima página.

Tenho inveja porque não vou voltar a sentir o choque de perceber que existe um épico escondido dentro de boa parte dos livros do Sanderson. Claro que ainda tenho muito, muito mesmo, para aprender sobre Cosmere. Mas a magia de perceber o que É Cosmere, já não vai acontecer.

Mas o meu conselho é: Gostam de fantasia? Então têm que ler Brandon Sanderson, têm que ler livros no universo de Cosmere. 

 

jouney before destination

 

Este não foi um livro de leitura compulsiva. Ainda bem. O caminho é tão importante como o destino. Queria, desde que comecei a ler este livro, saber o final. Tive que me controlar para não ir ler (muitos) spoilers. Ainda assim, esforcei-me para não devorar páginas, para aproveitar ao máximo cada hora passada a ouvir esta história. Li algumas partes, ouvi outras e, tantas vezes, li o ebook ao mesmo tempo que ouvi o audiobook. O ritmo de leitura foi lento e assim aproveitei para pensar, para processar as informações, para reflectir sobre tudo o o autor, de forma mais ou menos bruta, nos atirava à cara.

(SPOILERS)

A Shallan tornou-se uma das minhas personagens favoritas, como já vos tinha dito antes. Depois veio a conversa com o Wit (adoro, adoro o Wit) e a história (uma e outra vez) The Girl who Stood up e fiquei virada do avesso. Versão Brandon Sanderson de "You Know Nothing, Jon Snow" (coisa que foi, aliás, uma constante em todo o livro) num capítulo que é um tratado sobre aceitação, redenção, consequência, superação, dor, perda. Não me canso de ler e reler este capitulo. É absolutamente perfeito. Eu, confesso, sofri com a Shallan todo o tempo todo. Não faço a mínima ideia do que o autor vai fazer com este personagem nos próximos dois livros. Para já fiquei feliz com a resolução do triângulo amoroso (odeio triângulos amorosos - não há paciência!), ela escolheu, sem sombra de dúvida, o homem certo.

O que me leva a falar do Adolin. Depois do choque de ver o Adolin a assassinar o Sadeas, estava à espera que este livro fosse a queda em desgraça deste personagem. As minhas previsões eram que o Adolin, depois de ceder à vingança, cedesse à inveja (quem não escolheria o Kaladin Stormblessed, certo?) e se tornasse o instrumento perfeito - o campeão - do Odium. Errr, pois, afinal não foi exactamente isso que aconteceu. Não vou dizer-vos que adoro o Adolin (demasiado bonzinho para o meu gosto - ninguém é tão pouco ciumento assim, ok?) mas estou muito, muito interessada na sua relação com a Maya.

 

(Continua...)

 

20
Mar18

Precisamos falar sobre a Shallan

Patrícia

O seguinte texto contém spoilers para os livros Way of Kings, Words of Radiance e Oathbringer mas tenho mesmo que falar um bocadinho sobre isto.

 

 

 

No WoK os capítulos da Shallan eram os que menos me interessavam.  O livro Words of Radiance é, teoricamente, o livro da Shallan, onde conhecemos o seu passado, onde a sua relação com o Pattern é desenvolvida. Mas nem aí a Shallan me convenceu a 100%. Adoro o Pattern desde o primeiro minuto mas Shallan nem por isso. Claro que a Shallan lullaby ainda me dá arrepios (a minha versão favorita é o vídeo aí em cima) e naquela altura o meu interesse pela miúda subiu vertiginosamente (não sei o que isso diz de mim). A Shallan é responsável por alguns dos momentos mais divertidos destes livros (a conversa dela com o Adolin no restaurante ainda me dá vontade de rir) e é precisamente assim que o Oathbringer começa.

“No mating” será sempre uma expressão que me vai fazer dar uma gargalhada (já vos disse que adoro o Pattern?).

Confesso que não estava preparada para ficar ansiosa pelos capítulos da Shallan e para ela se tornar (destacada) a minha personagem favorita dos Stormlight Archives.

A profundidade que o autor deu a esta personagem é impressionante. Eu sofro com a Shallan. O meu coração fica apertado pelo sofrimento dela. A miúda vive com um pé (ou os dois) na loucura.

Não sei o suficiente sobre o transtorno dissociativo de personalidade para saber se está bem representado na personagem mas estou a aprender imenso.

A Veil e Radiant estão ambas conscientes da Shallan e esta de ambas mas estarão elas conscientes uma da outra?

Será a Shallan a personalidade dominante? Se sim, porque é que ela não se lembrava da infância? Para já (início da parte 2 do Oathbringer) inclino-me para a teoria de que a scholar Shallan que conhecemos do WoK ser a personalidade que a Shallan criança criou para sobreviver aos eventos que conhecemos no WoR. Ora isso leva-me a questionar quem é realmente a Shallan.

 

29
Jan18

Warbreaker, de Brandon Sanderson

Patrícia

 

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 Mais um livro do universo Cosmere lido. Talvez um dos ideais para começar a ler Sanderson. Aparentemente mais simples e leve que outros livros do autor tem, como sempre, uma fantástica construção de mundo e de personagens. 

Um novo sistema de magia, BioChromatic Breath, num mundo onde pessoas comuns, após morrerem, regressam como deuses. Lightsong é um deus que, apesar de ter retornado - e aparentemente ter morrido de forma heróica - não acredita na sua própria divindade e passa o tempo a tentar convencer as pessoas de Hallandren disso. Lightsong é um personagem delicioso. Acho que é impossível não ficarmos um bocadinho apaixonadas por ele. 

Siri e Vivenna, duas irmãs, princesas de um reino inimigo que não podiam ser mais diferentes. Vivenna é educada para, quando fizer 22 anos, ser entregue em casamento ao Deus-Rei de Hallandren mas acaba por ser Siri, a irmã rebelde, a ser enviada - sem qualquer preparação - para ser a mãe do próximo deus-rei.

Vasher e Denth, mercenários que entram nesta história sem revelar de imediato as suas intenções. Mas também eles terão um papel decisivo. 

Como sempre o desenvolvimento dos personagens e o sistema de magia são os pontos fortes da história. E como sempre Sanderson consegue fazer algo completamente diferente e surpreender-nos. 
Este é um mundo de cor. De diferentes níveis de cores. Um mundo onde o BioChromatic Breath é moeda de poder. Imaginem que este BioChromatic Breath é algo que todos nós temos. Um por pessoa. E que é o que nos permite ver o mundo em cores brilhantes, que sem ele passamos para um mundo a preto e branco. E que este BioChromatic Breath é transmissível. Podemos sobreviver sem ele mas os que retornam, os deuses deste mundo, precisam de um por semana para sobreviver. E quem tem muitos atinge vários níveis de poder. 

Como vos disse, LightSong é maravilhoso. O melhor personagem deste livro. Quer dizer, LightSong é o melhor personagem deste livro se não considerarmos Nightblood e o seu estranho sentido de justiça. E foi por causa de Nightblood que ouvi este livro. 

Sim, depois de ter relido o The Way of Kings e o Words of Radiance em audiobook, aventurei-me num audiobook em inglês sem ter lido o livro antes. Ao longo de algumas semanas, Lightsong e companhia fizeram-me companhia enquanto ia para o trabalho. Tinha algum receio mas a verdade é que consegui mergulhar neste mundo com relativa facilidade. E adorei. 

Não é o melhor livro do Sanderson mas é bom, é muito bom. E é importante para quem, como eu, está a ler os The Stormlight Archives. Vou ter que ir reler as partes do WoR em que a NightBlood dá um ar de sua graça (e sei que vou reler essa parte de uma forma absolutamente diferente) e que não consigo deixar de ter algum medo só de pensar nela em Roshar (Oh god, não vai bonito).

A maravilhosa magem que aqui está, foi descaradamente roubada do site do autor onde, para além dos já habituais comentários e fabulosa galeria de imagens, podem encontrar as várias versões - incluindo a final - deste livro. Sim, leram bem. O Sanderson partilhou com todos os seus leitores as várias fases da construção deste livro. Sim, podem lê-lo de borla. Ide lá e boas leituras.

 

Colors...

 

20
Nov17

Edgedancer, de Brandon Sanderson

Patrícia

Foi o próprio Brandon Sanderson quem me disse que tinha que antes de ler o Oathbringer, o terceiro volume da maravilhosa série de fantasia  The Sormlight Archive, deveria ler a novela Edgedancer. Calma, não tenho (infelizmente) linha directa para o senhor mas há uma nota do autor no início deste livro que diz isso mesmo. E eu fui por isso "obrigada" (uma chatice, convenhamos) a ir imediatamente comprar o Arcanum Unbounded, a colectânea de Short Stories (de Cosmere) que o senhor lançou no ano passado. Nesta colectânea estão pela primeira vez reunidas todas as novelas do universo Cosmere. Isso significa que aqui estão a novela gráfica White Sand e Edgedancer entre histórias que nos levarão de volta aos mundos de Mistborn e de Elantris.

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Uma vez que Edgedancer se passa entre os acontecimentos de Words of Radiance (WoR) e Oathbringer deve, para evitar spoilers e falta de informação, ser lido entre os dois. Além disso Edgedancer é "apenas" uma novela com uma das minhas personagens favoritas como protagonista: a doce, doida e maravilhosa Lift.

Quem já leu WoR deve ter-se apercebido que Lift é uma persoangem com futuro. Aliás, o autor já prometeu que será uma das personagens em destaque na segunda parte da saga dos Stormlight Archives (5+5 livros).

Nesta história acompanhamos a Lift (e o seu voidbringer de estimação) na sua transformação em Edgedancer, no percurso que a leva à proclamação das palavras que reforçam o laço existente entre ela e a spren. Ambos são deliciosos e super divertidos. É impossível não querer mimar aquela miúda, não sofrer com a sua solidão e não admirar a força necessária para fazer o que tem que ser feito, abraçar quem deve ser abraçado, mesmo (ou principalmente) quando isso custa muito.

Voltar a Roshar, acompanhar e compreender a queda de um deus na companhia de Lift é muito bom.

Até aqui, numa short story (há que entender o "short" na perspectiva do Sanderson, ok?), o autor é exímio no desenvolvimento das personagens.

As restantes histórias de Arcanum Unbounded ficam para mais tarde porque agora é tempo de rever o Kaladin e a Syl, o Dalinar, a Shallan e o Pattern e restante trupe em Oathbringer. 

 

28
Out17

Cosmere ou O épico escondido

Patrícia

Sempre adorei ligações entre livros. Acho que a primeira vez que descobri uma ligação entre dois livros foi quando no livro da Marion Zimmer Bradley "O circulo de Blackburn" a Truth e a Light chamam uma à outra Deoris e Domaris... os nomes das protagonistas de "A queda da Atlântida".

Gosto sempre quando uma personagem salta de um romance para o outro e ganha vida ou como regressa para dar um ar de sua graça. Isto acontece mais vezes do que pensamos. Acontece, por exemplo, nos livros da Maria Manuel Viana com, pelo menos, duas personagens: a Ana B. e a Maria João que têm uma passagem no maravilhoso Teoria dos Limites e que têm romances em nome próprio (A vida dupla de Maria João e A paixão de Ana B.). Ou Sara K. que salta dos romances da Maria Manuel Viana para o "A construção do vazio" da Patrícia Reis (segundo a própria que, no A páginas tantas, comentava como é bom homenagear amigos e escritores nos próprios livros - qualquer coisa assim, não sei citar de cor).

Estas piscadelas de olho aos leitores sempre me fascinaram. 

Ora, O Brandon Sanderson - facilmente o meu escritor favorito no que ao género fantástico diz respeito - levou isto ao expoente máximo. O homem encetou uma empreitada louca ao imaginar Cosmere:

Many years ago, before I was even published, I had an idea. A crazy, ambitious idea. An idea for a large interconnected universe of fantasy series where the fundamentals of magic and cosmology were the same, but the stories were all separate. A “hidden epic” so to speak, where the longer the books were published, the more readers became aware of these little connecting threads.

Quando comecei e ler Brandon Sanderson e me apaixonei pela Vin, Kel e companhia não tinha a mais pequena noção de do que era Cosmere. Rapidamente descobri, claro. Mas só quando comecei a ler o The Way of Kings é que me comecei a interessar verdadeiramente pela história escondida e comecei a começar a compreender a genialidade (ou loucura, ainda não decidi) do homem. 

For now, most books have only hints. If you’re curious, watch for mentions of Hoid, a character who has appeared in all major books in the Cosmere. (Though he often goes by a pseudonym.) Look for mentions of Adonalsium—a god from long ago who was broken into sixteen pieces—and his Shards, beings who have taken bits of Adonalsium’s power and been elevated to deities themselves. Usually these are named after the intent of their power—Dominion, Devotion, Ruin, Preservation, Honor, Cultivation, and Odium are Shards of Adonalsium.

Mergulhar neste mundo é passar meses ou anos a ler e reler livros. Não é possível compreender uma história escondida sem reler, várias vezes, os mesmos livros. Não é possível compreender Cosmere sem ser um daqueles nerds para quem toda a gente olha com um misto de pena e fascinação. Não é possível compreender Cosmere sem investir tempo, muito tempo, naqueles livros. 

Para a maioria dos leitores um dos grandes dramas é não ter tempo, durante a sua vida, para ler todos os livros que pretende ler. A maioria dos leitores não gosta de reler, prefere continuar em frente e ler mais e mais. Mergulhar um épico escondido implica parar durante muito tempo esse caminho de continua descoberta de novos livros e novos escritores. 

E sim, eu estou meio decidida a mergulhar em Cosmere. Na verdade acho que não tenho grande escolha. Acho que mergulhei em Cosmere há meses. Os Audiobooks que andei a ouvir (The Way of kings e Words of Radiance, que já tinha lido em ebook) fizeram-me dar mais um passo nessa direcção.

Não quero deixar de ler outros livros e escritores. Especialmente não quero deixar de ler escritores portugueses. Mas quero perceber Cosmere. Quero ler os vários livros do Universo Cosmere, quero reler Mistborn na língua original.

Tenho pena que não haja (que eu saiba) em Portugal uma comunidade com quem seja possível ser absolutamente nerd e discutir Cosmere. Acho que apenas conheço uma pessoa que percebe mais ou menos do que estou a falar e que é, na verdade, a responsável por eu ter saltado de Scadrial para Roshar (qual worldhopper). Não conheço nenhum canal ou podcast dedicado a este tipo de livros (dedicado a GoT havia o A cabeça do Ned, por exemplo).

Se conseguiram chegar ao final deste post e estar minimamente interessados, então Welcome to Cosmere!

(as citações acima são do post do Brandon Sanderson que podem ler na totalidade aqui)