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Ler por aí

Ler por aí

25
Jul25

O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem

Patrícia

O tempo é uma coisa engraçada, sempre valioso quando é o nosso e irrelevante quando é o dos outros. 

"Só tens tempo para ler porque não tens filhos" ou "também gostava de ter o tempo que tu tens para ler"  são frases banais (e aqui entre nós, muito patetas) que oiço amiúde. Tenho a certeza que vocês terão os vossos próprios tesourinhos.  E eu nem sequer leio muito. Esta semana tem sido uma miséria, apesar de estar a ler o maravilhoso Também  Rios no Céu de Elif Shafak,  não por falta de tempo, mas por falta de disponibilidade mental. A verdade é que bastava escolher o livro em vez da série que ando a ver (the office) para ler 1h por dia.

No fundo, são sempre escolhas. E porque o fim de semana está a chegar, venho dar-vos algumas sugestões. 

Nas leituras, Lobos, de Tânia Ganho, A Morte de uma Livreira, de Alice Slater ou A mãe e o Crocodilo, de José Gardeazabal, todos com post de opinião no blog da Roda dos Livros. E como bónus o Boulder, de Eva Baltasar, no blog Efeito dos Livros.

Para ouvir (durante uma caminhada, na praia ou no carro) a Isabel Alçada no podcast Vale a Pena, que voltou há pouco de férias e a Safaa Dib no Biblioteca de bolso, que vai para a pausa de verão.

Não tenho séries para vos sugerir, ando a ver episódios do The Office e pergunto-me se hoje seria possível fazer algo assim. Provavelmente não, mas isso é tema para um outro post que poderá ou não existir, depende da minha vontade de me chatear.

Nos filmes, um que vi na semana passada e que ainda não me saiu da cabeça: O senhor Babadook, um filme de terror que tem mais que se lhe diga e que nos deixa a pensar, um efeito secundário de alguns filmes que eu aprecio bastante.

E aproveitem para estar sem fazer nada. Sim, algum tempo em que desligam o telefone, as redes sociais, a TV e ficam sem fazer nada. É mais difícil do que parece e mais interessante também. O tempo estica e lentamente começamos a respirar melhor. Não faz mal não ter nada para fazer e parar durante algum tempo.

Bom Fim de semana

 

20
Jul25

Cadente, de Mário Rufino

Patrícia

cadente 

Há livros que não são apenas livros, que nos entram debaixo da pele e magoam. Era fácil saber que este seria um desses e, como tal, deixei-o para depois apesar de ter bastante curiosidade em relação o primeiro livro do Rufino. Adivinharão certamente o porquê, a proximidade do tema faz-me sentir este livro como pessoal. Por outro lado viver há 9 anos com a doença de Alzheimer (não eu, mas alguém tão próximo que me faz sentir e viver a doença como também minha) torna-me numa espécie de especialista na coisa e poderia facilmente transformar-me na maior crítica deste livro. E sabe deus (e a malta da Roda dos Livros) o quão má eu consigo ser quando um livro me perde por questões de verosimilhança.

Mas estou a engonhar, não é? Bem, mais um aviso. Há livros que não consigo comentar de forma não emotiva. Há livros em que a forma e a linguagem pouco me diz porque todos os meus sentidos estão voltados para o conteúdo. Este é um desses livros. E não é para todos. Não é um manual de instruções. Quem achar que fica a conhecer esta doença por ler este livro está errado. Mas gostei bastante de o ler. 

O livro começa pelo fim. Bem, na verdade nem spoiler é porque não há, ainda, outro fim para quem tem Alzheimer que não a morte solitária de quem se perdeu de si e dos outros. Depois vamos conhecendo aos poucos esta mulher, as suas inconsistências, o feitio duro de quem viveu uma vida difícil e teve que criar uma carapaça para sobreviver. Interessante o autor ter-lhe dado opções que não nos são simpáticas, que não ajudam à empatia, nem a reconhecermo-nos nela. Tive, no entanto pena de não a ter conhecido melhor, é tão cheia de aparentes incongruências. Mas esta não é a história dela, ela aqui é apenas a doença, tudo o resto desapareceu nesse vórtex que apaga tudo.

Tal como tantas avós que conheci, acolheu o neto sem hesitações, criou-o como seu, amou-o com a ferocidade das mães. E ele, ignorou-o tanto quanto pôde, um filho, um neto, sente a ânsia de voar do ninho, de alcançar a tão almejada liberdade. A liberdade a que tem direito, que sente estar ao seu alcance. E é mesmo nessa altura, nem antes nem depois, que uma conversa fora de tom, um comportamento esquisito começa a fazer  perceber que algo está mal e nem sequer é de agora. 

E é aqui que o livro ganha vida. Na forma certeira como nos conta, na primeira pessoa, as lutas internas de quem se vê pai da avó, de quem é atirado à bruta para a vida adulta, de quem se revolta contra isso. De quem comete erros atrás de erros, até acertar. De quem descobre o amor de uma forma que não sabia que existia. 

No fim, este não é um livro sobre Alzheimer. Aliás, esta puta desta doença não merece livro nenhum. Este é um livro sobre pessoas, sobre o que é crescer de repente, sobre amor, sobre decisões difíceis. Sobre erros. É um livro sobre aquele buraco sem fundo à vista que se abre aos nossos pés quando a vida se decide a mostrar que sabe bem ser cabra.

 

 

20
Jun25

O menino que perdeu a guerra, de Julia Navarro e outras reflexões

Patrícia

o menino que perdeu a guerra.webp 

Pablo não percebe porque tem que deixar a mãe mas sabe que aquela mulher, que não fala espanhol mas russo, é a coisa mais parecida com uma mãe nesta sua nova vida. Anya não hesita em cuidar daquele menino, que já sente como seu. Clotilde não sabe se o filho alguma vez a perdoará mas sabe que nunca desistirá de o procurar.

Clotilde e Anya, duas mulheres, mães do mesmo filho, com paixão pela arte e pela cultura, em luta e desacordo com os regimes dos seus países.

Com a Espanha de Franco e a União Soviética de Estaline como pano de fundo, a Julia Navarro conta-nos uma história sobre o que é ser livre, no pensamento ou nas acções, sobre humanidade e falta dela, sobre amor e amizade, sobre maternidade. 

Na verdade este tipo de livros já não é bem para mim. Há uns anos teria adorado, eu sei. Uma história bem contada, um tema de fundo interessante e teria umas boas horas de leitura. Mas já muitos livros do mesmo género me passaram pela mão e sei que este não vai ser um livro memorável. E honestamente, tenho pena. Valorizo muito o prazer da leitura de uma história bem contada, envolvente, que me faça esquecer a realidade e me leve para outros tempos e outras terras.  E cada vez sinto mais dificuldade em sentir isto. Não porque as histórias estejam mal contadas (bem, algumas estão) mas porque sinto estar, muitas vezes, a ler o mesmo livro. É, claramente, um problema de "não és tu, sou eu". 

Este sentimento ficou ainda mais patente porque o livro que estou a ler neste momento, o Lobos (Tânia Ganho) é um desses que leio sofregamente desde as primeiras páginas e que facilmente leria de uma assentada não fosse o a vida em geral (e o trabalho em particular) acontecer.

13
Jun25

Frankie e o casamento, de Carson McCullers

Patrícia

Frankie-e-o-Casamento.jpg

Será que nos lembramos ainda do que é ser adolescente? Este livro é uma viagem à nossa adolescência através da adolescência de Frankie. Um mergulho nas dúvidas que nos assolaram naquela idade entre a infância e a idade adulta. A escritora é exímia a fazer-nos sentir aquela certeza de “não pertença” tão típica daquelas idades (e que, se tivermos sorte, se vai esbatendo com o tempo).

Frankie tem 12 anos e um verão sufocante pela frente. As tardes são passadas na cozinha a comer, jogar cartas e a filosofar sobre a vida, na companhia de Henry James, um miúdo de 6 anos e Berenice, a cozinheira da família. Quando o irmão de Frankie a convida para o casamento, a decisão é tomada, Frankie irá à boda e não voltará para casa.

Entretanto há um vestido para comprar, uma última volta pela cidade para se despedir das ruas, do macaco ou de quem a quiser ouvir. Frankie, F. Jasmine ou Frances, conforme o momento, procura o seu lugar no mundo, sonha com todas as suas forças e desilude-se da forma que apenas uma adolescente consegue.

Li este livro e condoí-me com Frankie, sofri com ela, tive medo por ela mas maravilhei-me com a sua capacidade de sonhar, a sua inteligência, a sua coragem ou a sua tristeza.

Que livro maravilhoso.

23
Mai25

Nem sequer era sobre isto que vinha escrever

Patrícia

Choque, surpresa e a necessidade de admitir que uma parte (substancial) do país tem convicções opostas às minhas. Não é que não o soubesse mas a realidade fez questão de o dizer à bruta. E não é que o país tenha mudado no domingo, talvez se tenha revelado um pouco mais, apenas isso.

Nunca fui a pessoas que achasse que os 50 deputados do Chega lá estivessem por causa de um voto de protesto. Tenho a tendência a não achar que toda a gente é meio burrinha e sempre achei que cada votante sabia exactamente o que estava a fazer e que, de uma forma consciente, tinha escolhido representantes do partido que defende valores xenófobos, machistas e racistas.  Comprovou-se que o comportamento absolutamente desprezível que estes deputados demonstraram ao longo do último ano na assembleia da república - com insultos pejados de ódio e discriminação - é aquele em que se revêem tantos portugueses. E é isso que mais me entristece. 

Ao longo destes dias tenho pensado bastante. Como chegámos aqui? Não estou a falar de razões políticas - essas não são difíceis de encontrar para quem tiver vontade de sair um bocadinho da bolha. Estou a falar de comportamentos e valores. Quando é que passou a ser normal e aceitável ter um discurso de ódio? Quando é que passou a ser normal insultar impunemente? Quando é que passou a ser aceitável defender a prisão perpétua ou a castração química? Quando é que deixámos de lado, abandonámos, a gentileza e a bondade?

O mundo está virado do avesso e nada disto já me devia surpreender - e o mais triste é que nem sequer surpreende muito, a maldade está a normalizar-se nas nossas vidas. 

Por mais voltas que dê acabo sempre no mesmo sítio, na certeza que a gentileza é a única forma de luta dos próximos tempos. E não vai ser fácil. Acho mesmo que ser gentil passou de moda por ser tão difícil sê-lo.

30
Abr25

Kairos, de Jenny Erpenbeck

Patrícia

kairos.jpg 

Jenny Erpenbeck leva-nos até à RDA antes da queda do muro de Berlin, para acompanharmos a relação entre Hans e Katharina.

Em 1986, quando se conhecem por acaso, Katharina é uma miúda de 19 anos e Hans um homem de 53. Uma relação que nasce desigual, uma dependência que roça o amor mas que mergulha na obcessão, no ciúme doentio, na manipulação. 

A literatura usa o particular para nos mostrar o global e é esse particular, essas tragédias individuais na relação de Hans e Katharina que vão sendo exploradas para, em pano de fundo, olharmos a revolução, os acontecimentos que levaram à queda do muro, a liberdade (É isto a liberdade?). Mas o pano de fundo não pode ser mais interessante que a história principal, digamos que nem só de paralelismos vive a literatura.

E a verdade é que eu estava já muito cansada de Hans (que ódio, senhores, que ódio) e de Katharina. E mesmo aquele final (podeis chamar-me "pedantezinha") é tudo menos surpreendente. Quanto muito é a confirmação de tudo quanto lemos ao longo das páginas. 

Falta-me conhecimento de arte, música para entender muito do que se passa nas páginas destes livro. E paciência, vontade e tempo para parar a cada página para ir procurar referências, ouvir música, deixá-la entranhar-se em mim, ler livros e peças de teatro para compreender, sentir cada referência que aqui existe. Resumindo sou demasiado ignorante para este livro, essa é que a verdade, não vale a pena fingir.

Relendo o que escrevi parece que nada de positivo encontrei neste livro mas não é verdade. A escrita desta escritora (aquilo que me fará procurar outros livros dela, mesmo sabendo que me vou sentir muito burra) é maravilhosa. Exigente, sim, difícil, pede tempo (tive que reler tantas vezes algumas passagens) mas maravilhosa. Há passagens absolutamente deslumbrantes aqui. Deixo-vos a passagem, logo nas primeiras páginas, que me encantou e a que voltei uma e outra e outra vez ao longo da leitura:

Numa mala assim, numa caixa assim, o fim, o princípio e o meio jazem juntos, indiferentes, no pó dos decénios, jaz o que foi escrito para enganar e o que foi pensado como verdade, o que se silenciou e o que se contou, tudo isso, queira ou não queira, jaz estreitamente imbricado, jazem as contradições, a raiva emudecida e o amor emudecido jazem juntos num envelope, numa e na mesma pasta, o que se esqueceu está exactamente tão amarelecido e amarrotado como aquilo que, vaga ou distintamente, se recorda.”

23
Abr25

Dia Mundial do Livro

Patrícia

Uma das perguntas que fiz aos meus amigos e colegas hoje foi "e vocês, que têm crias, que livros lhes deram hoje, no dia Mundial do Livro?"

Ofereçam livros às crianças, leiam com elas ou levem-nas às bibliotecas (há imensas actividades giras e de borla nas bibliotecas, não há desculpas). Por elas, pelo futuro delas.

E como vim de fugida marcar a efeméride deixo-vos um artigo, que li hoje cedo, e que me pôr a pensar: quem tem medo das bibliotecas ?, por Eduardo Santos

"Permitir que as editoras determinem o que pode ou não constar nos catálogos digitais das bibliotecas é abdicar de um direito coletivo em favor de interesses privados. A missão das bibliotecas é garantir o acesso livre, universal e informado ao conhecimento, à cultura e à leitura. Isso implica poder disponibilizar os livros mais relevantes, inclusive os mais vendidos e populares, respeitando os seus orçamentos e os critérios técnicos dos seus profissionais"

 

 

13
Abr25

Trilogia de Copenhaga, de Tove Ditlevsen

Patrícia

Captura de ecrã 2025-04-13 111015.png 

Depois de ter ligo o livro Os rostos sabia que queria ler mais de Tove Ditlevsen. E depois de ter lido este "A trilogia de Copenhaga"  ainda gosto mais de "Os rostos", especialmente porque lhe reconheço uma maior verdade que, não sendo importante para a leitura, lhe dá uma outra dimensão.

Estes 3 livros, Infância, Juventude e Relações tóxicas, são baseados na vida da escritora (não sei se deveremos chamar-lhe autobiografia, memórias ou autoficção, como está na moda). É sempre interessante perceber como cada um se vê e digamos que Tove não é meiga consigo mesma ou com os outros. De uma sinceridade por vezes brutal conduz-nos pela sua vida, da infância à idade adulta, de quando "me vão chegar a roupa ao pelo porque sou muito estranha. Sou estranha porque leio livros" até ser reconhecida como escritora e se afundar na dependência de drogas.

Usei a expressão "ser reconhecida como escritora" porque uma das coisas que fica muito clara é que Tove era escritora muito antes de ser publicada, se calhar antes até de saber ler. Ela era a poesia, a literatura, as palavras. Ser escritora não foi uma escolha consciente. Não foi sequer uma escolha.

Tal como se tornar dependente de drogas foi uma inevitabilidade, não uma escolha. A autora não arranja desculpas e de uma forma brutal, seca e quase despojada de emoções faz-nos entrar na sua vida, na sua relação (sempre tensa) com os outros e com as drogas.

 

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