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Ler por aí

Ler por aí

04
Dez18

Natal 2018 - Sugestões livrescas #4

Patrícia

Vou ficar muito chateada se este livro não estiver debaixo da minha árvore de Natal este ano. Na verdade não sou uma pessoa esquisita nem pedinchona no que às prendas diz respeito. Mas há limites. O meu este ano é este livro*. Convenhamos que já o procurei muito, em qualquer uma das suas versões. Resisti a ler em Português do Brasil e em Inglês (só deus sabe porquê) e fiz um enorme sorriso (e quem me conhece sabe que não tenho um sorriso fácil) quando o soube editado pela Relógio D'água.

A sugestão de hoje é, obviamente, o maravilhoso, lindo e digno de todas as expectativas:

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* se não for este, acho que ele só se safa se me oferecer este

01
Dez18

Natal 2018 - Sugestões livrescas #1

Patrícia

É inevitável! É quase Natal. 

Espero que este Natal sejam o exemplo e ofereçam livros. Eu fá-lo-ei. É importante escolher, para cada pessoa o livro certo... e nunca esquecer o talão de troca!

Se há livro que recomendo sem reserva e para (quase) toda a gente é o O Retorno da Dulce Maria Cardoso. E por isso, um novo livro desta escritora maravilhosa é sempre uma boa notícia.

A minha sugestão de hoje é o Eliete.

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01
Dez18

Princípio de Karenina, de Afonso Cruz

Patrícia

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Afonso Cruz é garantia de qualidade. E este é, na minha opinião, um livro que grita "Afonso Cruz" em todo lado, seja no cuidado com a capa, as fotos, os separadores até às frases bonitas, daquelas que apetece marcar (preparem os post-its ou, os mais corajosos, o lápis ou o marcador). Não há nenhum livro do Afonso Cruz que não seja, também, um maravilho "objecto".

O título é fenomenal. E não é díficil perceber o significa. As notas nos separadores, idem. 

Como todos os livros do autor, está muito bem escrito, apetece ler e sendo tão pequeno, lê-se de uma assentada. 

A história, desta vez sem final aberto, é interessante e muito, muito bem contada. 

E todas as razões que dei, com toda a verdade, para vos dizer que este é um óptimo livro são exactamente as mesmas que uso para vos dizer que este livro não me encantou.

As expectativas são algo lixado que, frequentemente são mais prejudiciais que o contrário. E depois de um "guarda-chuvas" ou até de um "baleias" este livro partia de uma posição impossível.

Tenho a certeza que irei, durante muito tempo, escolher este livro para recomendar a quem quiser começar a ler AC. Tenho a certeza que o irei oferecer a várias pessoas. Mas para mim não é, de todo, o melhor do escritor. Ainda assim é bom. Muito bom.

30
Nov18

A história Secreta, de Donna Tartt

Patrícia

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Há livros que, pelo tempo ou por outra coisa qualquer, não são  para nós. Este, A história Secreta, não foi para mim. Li-o até depois da página 200 e tive que parar por uns dias (por um motivo exterior à leitura). E nunca mais arranjei coragem para lhe pegar. Não é que achasse o livro mau... simplesmente o livro estava a ser-me absolutamente indiferente - o que é o pior que consigo dizer de um livro.

Bem escrito, sim. Mas a história, a tal secreta, é-me indiferente, não tenho qualquer curiosidade em saber o que se passou. Os personagens não me interessaram nem intrigaram. 

E assim desisti de uma leitura. Há por aí opiniões muito boas (e vindas de pessoas que são grandes leitoras) e, acredito, o livro deve ser bom. Só não é para mim. 

25
Nov18

Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres

Patrícia

Uma pausa na literatura para relembrar que 24 mulheres já foram mortas este ano em Portugal em contexto de violência doméstica. Mortas por quem as devia proteger. Mortas por quem as devia amar. Mortas por quem amavam.

"“Not until the half of our population represented by women and girls can live free from fear, violence and everyday insecurity, can we truly say we live in a fair and equal world." — UN Secretary-General António Guterres

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Artwork for the UN Women interactive website, Violence Against Women: Facts Everyone Should Know. Image: UN Women

 

18
Nov18

Jogos de Raiva, de Rodrigo Guedes de Carvalho

Patrícia

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Jogos de Raiva foi uma óptima surpresa. 

Apesar de ter em casa um dos livros deste jornalista feito escritor (se bem que o mais justo e certo seria, talvez, dizer escritor feito jornalista), o Canário, a verdade é que nunca me tinha apetecido lê-lo. Foi depois de ouvir a sua participação no podcast do Expresso Palavra de Autor (partilho abaixo para quem não conhece e tem curiosidade) que decidi que queria ler este livro. E gostei muito mesmo.

Este é um livro extremamente actual. Sem dúvida será um livro datado, um livro da nossa época. Aquele que um dia daremos aos miúdos para lhes contar como foi o início do séc XXI. Há aqui um olhar acutilante, extremamente crítico mas também muito real da vida nas redes sociais. O olhar do jornalista aqui é tão importante quanto o talento do escritor. Aquela sequência final deixou-me sem ar. Não tanto pelo conteúdo (naquela altura já não tinha grandes dúvidas sobre o resultado da coisa) mas pela consciência do quão real é. Todos os dias. A toda a hora.

Exactamente como o escritor diz no Palavras de autor, a primeira página desde livro ataca-nos, provoca-nos uma impressão que não nos larga ao longo do livro. Quem é, afinal, aquele casal?

Uma discussão entre Francisco José e o seu filho Nuno, uma daquelas discussões que provocam um terramoto e mudam a geografia da terra, é o mote para levar-nos, a nós leitores, para o seio desta família. Francisco José e Clara,  os filhos Nuno, Ana Teresa e Santiago, a neta Catarina, o cão Camões, o amigo Pedro e outros personagens igualmente interessantes. O Xerife Sousa, por exemplo, cuja história me deu um aperto no peito que nem imaginam.

A família Sereno é uma família como qualquer outra. E como tantas tem um segredo. E os segredos têm essa coisa de crescer, criar tentáculos e às tantas destruir. Exactamente como as palavras. Que, às tantas, têm o poder de nos magoar de formas que nem imaginávamos.

Mas ia contar-vos um bocadinho sobre os personagens. Francisco, o pai que conta histórias mirabolantes aos filhos e que um dia escreve um livro que se tornará um sucesso porque foi descoberto pelos leitores presentes nas redes sociais, Clara, uma psiquiatra que adora flores e não sabe se fez diferença na vida dos doentes, Nuno que cresceu para ser jornalista, Ana Teresa que toca descalça, Santiago que vê o mundo de forma especial, Pedro que não é um artista (E então? Não temos todos de o ser), Catarina que já nasceu velha.

Às tantas o autor avisa-nos: Francisco José é assombrado por três naufrágios. Depois, conta-nos tudo. Um a um. 

 

 

16
Nov18

Dos livros, com amor

Patrícia

Oferecer um livro a um leitor é uma prova de amor.

Tenho a certeza que todos vocês já ouviram o "já tens tantos livros", "não sei que livro te hei-de oferecer" ou outros mimos do género.

A verdade é que é difícil comprar um livro para um leitor a não ser que se seja tão "leitor voraz" como a outra pessoa.  Acima de tudo, a maioria das pessoas  (aquelas que querem efectivamente agradar-nos) tem receio de não escolher o livro certo, de não ver nos nossos olhos aquele mesmo brilho de quando chegamos a casa com um livro novo. E preferem seguir o caminho seguro e oferecer-nos algo totalmente diferente.

Oferecem-me muito poucos livros. Ele não é o mesmo tipo de leitor que eu mas sabe o que significa para mim receber um livro - principalmente quando é uma surpresa e foi escolhido por ele (e não retirado de uma qualquer lista que eu lhe tenha dado). E a verdade é que o tipo tem jeito.

Sim, definitivamente... oferecer um livro é uma prova de amor.